O que resultará das tensões entre os dois países?

Aline Castro
Sep 25, 2017 · 5 min read
-Fonte: CNN

Todos querem saber o que vai ser do mundo e no que resultará as atuais tensões entre o governo norte-americano e norte-coreano. As ameaças são diversas e os rumores de uma Terceira Guerra Mundial se intensificam, assim como os testes de mísseis nucleares que são produzidos e comandados por Kim Jong-Un — atual líder da República Democrática da Coréia, que não é tão democrática como dizem, uma vez que é considerada como o regime mais fechado do mundo, e também, ditatorial e totalitário.

Para analisar o problema como um todo é preciso compreender não só a relação da Coréia do Norte com os Estados Unidos, mas também outros atores internacionais que fazem parte do cenário do conflito: Japão e Coréia do Sul.

Retrospecto Histórico: Guerra das Coréias

Em 1945, período do fim da Segunda Guerra Mundial (1939–1945), na Conferência de Yalta e de Potsdam (conferências gerenciadas pelos principais líderes das nações aliadas a fim de determinar o fim da guerra e o que aconteceria com alguns territórios) foi determinada a divisão das Coréias; em Coréia do Sul (com apoio norte-americano-capitalista) e Coréia do Norte (com apoio soviético-socialista). O problema é que essa divisão de lados ideológicos opostos culminou, anos depois, na invasão de Seul por tropas norte-coreanas, iniciando assim em 1950 a Guerra das Coréias, um conflito armado sangrento com mais de 4 milhões de mortos, cessando apenas três anos depois com a ameaça norte-americana de atingir a Coréia do Norte com armas nucleares, caso não se rendessem. Ou seja, a região a muito vem sendo palco de grandes tensões e conflitos.

Guerra das Coréias | Fonte: Pixtale

No que concerne o desenvolvimento das armas nucleares, apesar da Coréia do Norte ter participado do TNP (Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares — em vigor desde 1970) e o deixado em 2003, há rumores de que o Estado possuía um programa clandestino de armas nucleares desde o fim da década de 80/início da década de 90. Porém, muitas fontes variam a respeito do início da fabricação deste tipo de armamento. Relata-se que esse interesse se deu principalmente devido à ameaça norte-americana de armas nucleares, durante a Guerra das Coréias.

Testes Nucleares

Apenas este ano, mais de 15 testes balísticos foram perpetuados pela Coréia do Norte em direção ao Japão — tanto ao mar, quanto sobrevoando o país, segundo portal da Agência Brasil. Em 28 de Junho, um dos testes durou cerca de 45 minutos, antes de pousar no mar. Já este mês, um dos testes de míssil de médio alcance percorreu cerca de 3.700 Km em direção ao Japão, podendo alcançar até 4.000 Km — o qual teria potencial de atingir um território norte-americano no Oceano Pacífico, como relatado no portal de notícias Al Jazeera.

Pesquisadores norte-americanos afirmam que a Coréia do Norte possui extensa área de urânio e plutônio, que a possibilitam na produção de bombas nucleares e na expansão desse programa nuclear. Este mês, o sexto teste nuclear foi realizado.

A Coréia do Norte conta com o apoio chinês, apesar deste se opor ao programa de armas nucleares e de afirmar que em um possível conflito desta magnitude, se colocaria ao lado da Coréia do Sul. Outros atores como Paquistão e Índia estão ligados ao programa nuclear da Coréia. Em 2004, um cientista paquistanês foi preso acusado de transferência de tecnologia nuclear para o país, também relatado em matéria do portal Al Jazeera.

/Fonte: BBC

No fim de Agosto desse ano, o Conselho de Segurança da ONU reunido de emergência à pedido de Tóquio e Washington, por unanimidade dos 15 membros, condenou os lançamentos feitos pela Coréia do Norte e vem impondo sanções econômicas contra o Estado, como a proibição total de exportações norte-coreanas de carvão, ferro e chumbo, e também limita a venda de petróleo à 2 milhões de barris por ano.

Donald Trump

Donald Trump — presidente dos Estados Unidos — assinou recentemente uma ordem executiva que permite a ampliação das sanções contra a Coréia do Norte em relação ao programa de armas nucleares, que seriam voltadas às empresas e indivíduos que financiam e, de alguma forma, facilitam o programa. Isso aconteceu após seu discurso na Assembléia Geral da ONU, no qual Trump afirmou que “os EUA têm força e paciência mas devem defender-se”, e se ameaçados, “não há outra opção se não destruir a Coréia do Norte completamente.”

É importante ressaltar que à luz do Direito Internacional e através das Soluções de Controvérsias Internacionais (mecanismos que existem para que os conflitos possam ser resolvidos), o uso da força só se torna uma licitude (ou seja, um ato lícito/permitido) quando este for o último mecanismo capaz de solucionar o problema, seja por meio de Legítima Defesa — afirmado no Artigo 51 da Carta da ONU, ou através de autorização do Conselho de Segurança da ONU.

O presidente Trump juntamente com o presidente da China prometeram maximizar a pressão contra a Coréia do Norte.

Na última quinta-feira (21/09), a impressa sul-Coreana afirmou que a Coréia do Norte relatou um possível novo teste de bomba de hidrogênio em resposta ao pronunciamento de Trump na ONU e das colocações acerca do Estado.

Com esses fatos e informações pode-se perceber que o governo norte-coreano pretende se afirmar como potência nuclear no mundo, e que perante isso o Sistema Internacional e os Estados por meio do Conselho de Segurança da ONU estão propondo e realizando medidas para que o avanço do programa nuclear seja controlado e barrado, uma vez que se posta como ameaça não só aos EUA e ao Japão, como também à outros elementos e Estados importantes.

É necessário salientar que as tensões continuarão acontecendo e que quando se trata do Sistema Internacional não se pode prever ao certo o que vai ou não acontecer, mas é possível e essencial analisar os acontecimentos pontuais a fim de estarmos cientes das consequências e das tomadas de decisões que vêm sendo feitas e propagadas ao redor do globo.

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Aline Castro

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Estudante de Relações Internacionais, que costuma nadar contra a corrente e expor suas opiniões sem medo de ser feliz. Vamos evoluir juntos? | SP | 20

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