Cultura popular: sua diversidade e importância

Jorge Lyno
Feb 16, 2017 · 3 min read

Nada é mais incisivo como marcador da identidade de um povo do que a cultura em que este povo mesmo se define. Sem ela, tal identidade simplesmente desaparece, dissolve-se, deixando ali, como consequência, uma amorfa massa humana. Daí ser imperativo o reconhecimento, incentivo e preservação da cultura popular de forma que as gerações futuras sintam-se não só herdeiras, mas também valedoras de gigantesco e precioso tesouro.

São elementos constitutivos da cultura popular os ritos, mitos, símbolos, folclore, todas as crenças, em suma, tudo aquilo que foi criado e conservado por aqueles que existiram antes nós. É o que forma nossa autoconsciência e o que permite que nos reconheçamos no lugar e pertença de nosso povo. Ademais, é sempre bom lembrar que é no ventre dos guetos, nas camadas pobres e interioranas que brotam as mais duradouras e valorosas manifestações dessa cultura.

Não obstante o advento da globalização, que visa “derrubar” fronteiras e mundializar os espaços geográficos, algumas regiões brasileiras procuram preservar costumes e tradições. Sendo um país de dimensão continental e tendo como base principal da formação de seu povo o europeu, o negro e o índio, e com a chegada mais tarde dos japoneses, italianos, alemães e árabes, é natural haver no Brasil enorme variedade de culturas. Assim sendo, a pletora de culinárias, danças, religiões e festas, que caracterizam cada região do país, desenha, no conjunto, um complexo painel cultural.

As celebrações e festas populares como o Círio de Nazaré e o festival de Parintins no Norte; O bumba meu boi, o maracatu, o caboclinho e o frevo no Nordeste; as cavalhadas, a procissão do fogaréu, o caruru e os deliciosos pratos com os peixes do Pantanal destacam-se no Centro-Oeste; a Festa do divino, festejos da Páscoa e dos santos padroeiros, a peregrinação a Aparecida e o carnaval são marcas do Sudeste; com forte influência dos italianos, espanhóis, portugueses e alemães, o Sul nos dá a festa da uva (cultura italiana), a oktoberfest (cultura alemã), o fandango (influência portuguesa e espanhola), o pau de fita e congada; da culinária sulista, o churrasco e o famoso chimarrão, pirão de peixe, marreco assado e o bom vinho encerram essa síntese cultural brasileira.

Como se vê, nossa riqueza material e imaterial é de dimensão oceânica, o que impõe um incansável exercício de sua defesa e preservação. Todos, exatamente todos devemos cuidar de tal riqueza, pois é nela que estão resguardados os valores tão caros a nosso povo. Por outro lado, não bastam políticas públicas para este fim, é importante entender que a exacerbada valorização da cultura de massa, pautada no efêmero e no modismo de ocasião promove a nefasta confusão demoníaca, capaz de sepultar o que é sólido, perene e possuidor de real valor.

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Escrevo simplesmente para dizer.

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