"O Triunfo da Morte", de Pieter Brueghel

De volta à Idade Média

Estamos de volta à Idade Média e isto não é interessante. Atualmente, nossa sociedade escolheu o fundamentalismo religioso como bandeira a ser defendida. Parece que estamos vivendo uma versão atualizada da Idade das Trevas.

Uma das característica daquele período era a predominância da mentalidade religiosa como forma de governar a vida, tendo o catolicismo como principal expressão no ocidente. Era impossível fazer qualquer coisa sem as bênçãos da igreja.

A liberdade veio com a Idade Moderna. As informações que a Igreja Católica dava às pessoas eram, na sua maioria, incorretas, por exemplo: "a terra era o centro do universo". A ciência foi a via de escape. Ela fez da mentalidade religiosa, a fé e demais questões místicas, como a superstição, algo de foro íntimo, privado.

Novo tempo, nova estrutura e nova mentalidade.

Mas a ciência não foi capaz de responder a todas as necessidades existenciais do ser humano. As pessoas buscaram por alguma coisa que a ciência não podia explicar: o sentido da vida. Isto tornou-se presente e inevitável pelos idos da década de 1960 e os intelectuais passaram a denominar como "Era Pós-Moderna".

Novo tempo, mesma estrutura, nova mentalidade.

As questões espirituais voltaram à tona trazendo uma nova forma de experimentar o transcendental. Passou a denominar-se "fé laica". Não é mais, somente, uma expressão do religioso denominacional, como o catolicismo ou protestantismo. As pessoas descobriram a si mesmas como indivíduos que fazem parte de um ecossistema. Com qual propósito estamos concentrando tanta riqueza e poder? Por que estamos causando danos a outros seres humanos?

Pode-se dizer que o 11 de Setembro foi um conflito religioso. Muçulmanos contra o império protestante e vice-versa. A invasão do Afeganistão e Iraque foram também conflitos religiosos. O Estado Islâmico foi uma resposta à resposta americana de invasão ao Oriente Médio. Todos acreditam e justificam seus atos "em nome de deus". Qual deus? O nobel em Literatura, José Saramago, ateu, nos dá uma resposta: se deus existe, ele nunca pedira por tais conflitos. Eles lutam em nome do "Fator Deus".

O "Fator Deus" não é um problema político somente do Oriente Médio e dos Estados Unidos. No Brasil, a religião tornou-se uma importante peça no quebra-cabeça político. Há um grupo de deputados que se autodenominaram "Bancada Evangélica", defensores dos interesses dos protestantes. Mas, nenhum crente no Brasil solicitou por tal representação — claro, a não ser os que possuem interesses e os de mente fraca que sucumbiram à distorção do sermão "A Minha Pátria para Cristo", que não continha o viés teocrático. Os deputados estão usando o "Fator Deus" para se projetarem politicamente.

Salomão diz: "não há nada de novo debaixo do sol". Desde os tempos mais remotos, políticos usaram a religião como um fator decisivo para mudar o jogo, tentando influenciar opinião, ou usando a religião para manobrar massas. Olhando para os dias atuais, parece que retornamos à mentalidade da Idade Média, e isto está ficando cada vez mais forte. Por qual deus devo clamar? Talvez seja tempo de restaurar o panteão greco-romano.

Mesmo tempo, mesma estrutura, velha mentalidade.

Zeus, onde estás?

Like what you read? Give Cassius Gonçalves a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.