Desativei o meu Facebook e olha no que deu

Foto: You’ll never walk alone? de Thomas Szynkiewicz (creative commons).

Sim, eu desativei o meu Facebook. Uma decisão extrema para o mundo líquido em que vivemos. Como diria Bauman, ficar sem acesso a uma rede social de tamanha expressão é o mesmo que atestar uma morte social. No meu caso, era suicídio social.

As pessoas que souberam que eu estava sem Facebook espantavam-se. Era impossível fugir dos porquês. Alguns enxergavam como um ato de coragem. Outros, como covardia ou, até mesmo, falta de controle. Algo muito parecido com o que as pessoas dizem quando alguém tira a sua própria vida.

É realmente assombroso ter que admitir que Bauman estava certo. Ficar afastado de uma rede social, nos dias de hoje, é o mesmo que viver a vida dentro do mato. A vida social não acontece sem a internet. Tudo o que acontece com a sociedade está lá. As notícias trazidas por grandes e pequenos veículos de comunicação, por exemplo, encontra-se primeiro na internet. Hoje, assistir um telejornal, quando se chega em casa, é admitir que está por fora dos acontecimentos do dia. Antigamente, era o único meio de estar informado. Para ir além, pegar em um jornal impresso só se for para fazer churrasco ou para colocar na caixinha de areia do gato. Como disse o professor Contri, em uma aula, parece que ao pegar o jornal de hoje, você está pegando um jornal de semanas atrás.

As notícias na internet, sejam de grandes mídias, ou das fontes sem consagração social publicadas por amigos, são destrinchadas minuciosamente e debatidas calorosamente. Confesso que foi por esse motivo que eu resolvi desativar o meu Facebook. Eu gastava horas diárias acessando notícias, tentando acompanhar o que estava acontecendo. Certamente, é um hábito herdado dos tempos em que eu trabalhava em corretoras de bolsa de valores. Manter-se informado era essencial.

Porém, no Facebook, algo espetacular acontece. Você fica preso ali dentro. Rolando aquele feed de notícias para baixo até começar a olhar coisas repetidas. E, como vivemos em um mundo líquido, naturalmente, rolamos para cima, novamente, esperando coisas novas. Eu estava fazendo um péssimo uso do meu tempo.

Porém, após desativar o Facebook, notei que a minha dependência iria para além da informação. A minha conta do Facebook era vinculada a inúmeros outros aplicativos, dentre eles o Spotify (aplicativo de streaming de músicas). Com a conta desativada eu não poderia ter acesso a inúmeros aplicativos. Entrei em contato com o Spotify e eles criaram uma nova conta independente. Assim se sucedeu com todos os outros aplicativos que eu possuo.

O tempo foi passando. A primeira semana foi como um autoconhecimento. Eu pegava o celular e já ia direto entrar no aplicativo do Facebook. A mesma coisa acontecia quando eu abria um navegador de internet. Como a minha conta estava desativada, eu não tinha acesso. Então, percebi que eu já estava extremamente condicionado. Na segunda semana eu já não fazia mais isso. No entanto, comecei a notar que eu não sabia mais nada do que estava acontecendo na sociedade. Não sabia o que estava sendo debatido. Precisei recorrer a televisão, onde a informação é unilateral. Já na terceira semana, com mais tempo livre, que antes era dedicado as redes sociais, comecei a escrever textos. Foi quando eu descobri a plataforma do Medium.

O Medium também é uma rede social. Com propostas muito diferentes da proposta do Facebook. Porém, não deixa de sê-lo. Quando fui me cadastrar, surpreendentemente ou não, havia a opção de fazer login com o Facebook ou criar uma nova conta independente. Pelos motivos já mencionados, escolhi a outra opção. Porém, após publicar o meu primeiro texto na plataforma, percebi algo bem trivial: quem iria ler os meus textos? Como eu vou fazer para divulgá-los? Eu não conhecia ninguém que usava essa plataforma. O Medium me deu a solução. Conectar a minha conta do Facebook para encontrar amigos e divulgar os meus textos. Foi nesse exato momento que eu voltei para o Facebook.