Desculpe, Gregório, pelo transtorno que Rafinha causou.

Desculpe, Rafinha, pela poesia que Gregório tentou. Desculpem, mas preciso falar de amor.

Quem sabe o amor devesse jamais ser discutido. Um sentimento tão irracional que dispensa palavras para explicação. Algo tão profundo apenas vivido pela sensação de sua existência. Intocável tal como o vento, devastador tal como os furacões.

A paixão não tem CEP. Não tem uma caixa de correio esperando por cartas em períodos específicos do ano. Apaixonar-se não é o encontro eventual. Nem no Jazz, nem na festa mais ou menos do centro. É tudo que vem depois. É o dia seguinte. É a próxima ligação. É, sim, a conversa no bar reveladora de coincidências nas aspirações. E por isso pouco importa o primeiro, segundo, ou terceiro lugar do casal — exceto para a história que virará filme, por exemplo. Primeira vista é fagulha, paixão é fogueira, amor é lenha para alimentar o fogo. Onde cozinhamos várias receitas de risoto, queimando uns e saboreando outros. Apaixonar-se é o descobrimento constante e ininterrupto de uma outra forma de ver o mundo. Um filtro do Instagram para a vida real.

O amor é notar além dos olhos verdes. É achar graça no caminhar desengonçado ou na felicidade em evitar a chefe do caixa na pegação da balada. Aquela que depois vira sua amiga. Amando, você convida a pessoa para morar junto, ou ela mesmo se convida e você aceita. Salva sua vida e ensina sobre termos super contemporâneos que te fazem uma pessoa melhor. Compartilha livros e gostos duvidosos. Faz você assistir aquele filme meio maluco cheio de clichê que certamente passaria na Sessão da Tarde e ainda te diverte. Amando aceitamos criar livros e roteiros sim, talvez não passem na telona — nem na telinha. Mas passam como memórias de uma vida bem dividida. Também aceitamos abdicar dos passeios mega joviais para permanecer abraçados em um sofá todo o final de semana ao embalo da Netflix. E além de tudo, ficamos felizes em saber que a outra pessoa continua viva no fim do dia. Parte importante e bastante gratificante, inclusive.

Não façam do amor uma salvação. A poesia dele é justamente o oposto. A laranja não se completa na paixão. Estamos completos. E quando encontramos outro, tão similar ou diferente, descobrimos na totalidade contrária o pé de valsa que aceitamos bailar. Desengonçados ou não. No Jazz ou no baile Funk.

trendr | vida para conteúdo relevante - TwitterFacebookMedium