Patch Adams

Design (quase) sem fins lucrativos

Ajudando a ajudar

Nem todos temos a sorte ou a oportunidade de trabalhar em um lugar onde o design é levado à serio, onde processos de desenvolvimento são respeitados ou onde os deadlines são minimamente aceitáveis.
Esse Tiamat chamado “mercado”, muitas vezes, vomita as regras e destrói a possibilidade de criar algo novo, realmente útil e de valor para a sociedade. Tudo isso em prol do lucro rápido e uma falsa premissa de produtividade.
Essa frustração é bastante comum e nos faz questionar a nossa própria identidade como designers. Afinal, a função do designer não é melhorar a vida das pessoas? Não é ser um facilitador?

Nesses meus devaneios esbarrei com diversas informações de pessoas e agências que trabalham com o setor “sem fins lucrativos” ou Nonprofits, como dizem na gringa.

Seria essa uma maneira de suprir esse vazio ideológico e realmente fazer a diferença?

Sem fins lucrativos ≠ de graça

A primeira coisa a ser esclarecida é que oferecer serviços à organizações sem fins lucrativos, não significa que o trabalho não é pago.
São duas coisas completamente diferentes.

A Fifty&Fifty é uma agência estadunidense que atende quase que exclusivamente clientes nonprofit. Presta serviços de forma sustentável, fazendo orçamentos enxutos que contemplam apenas os custos operacionais para manter a agência funcionando, pagar os salários e oferecer serviços de qualidade. Assim, conseguem ter preços cerca de 50% mais baratos que as agências convencionais e, ainda assim, oferecem serviços mais engajados. A agência não é “sem fins lucrativos” mas não chega a ser “capitalista selvagem”.

Se a agência oferece um vencimento aceitável e ainda assim dá ao funcionário a oportunidade de trabalhar em projetos que irão melhor a vida das pessoas, é encontrado o ponto de sustentabilidade onde todos tem a ganhar: pessoas, agência e clientes.

Responsabilidade com o dinheiro dos outros

Quando uma instituição sem fins lucrativos faz investimentos em comunicação, seja um website ou uma campanha, o objetivo é arrecadar mais fundos. Ou seja, a instituição investe parte do dinheiro que foi doado para estimular mais doadores a engajarem na causa e, consequentemente, gerar mais dinheiro e visibilidade.

Trabalhar com esse tipo de investimentos é uma responsabilidade enorme, pois é bem diferente do que lidar com dinheiro de uma empresa, pois esse capital vem da solidariedade das pessoas. Do que elas acreditam e apoiam.

São projetos que envolvem mais do que uma demanda e uma entrega. É preciso “fazer parte”, se envolver e compreender a realidade de quem está sendo ajudado e quem ajuda.


Pessoalmente trabalhei em poucos projetos nesse setor, afinal, assim como qualquer pessoa, tenho que manter o meu sustento e acabo focando mais no financeiro do que no social. Porém, mantenho os olhos abertos para essa realidade e para o papel que posso (e pretendo) desenvolver como agente social, cidadão e designer.

Um projeto interessante de trabalho voluntário para ajudar instituições sem fins lucrativos é o Adote um Briefing. Como o nome indica, lá há diversos briefings de jobs disponibilizados por instituições em busca de um auxílio criativo.

Bora se envolver?

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