Photo by Milada Vigerova (https://unsplash.com/@mili_vigerova)

Designers e ladrões

Softwares, fotos, fontes. É tudo free… só que não.

Quando se fala de direitos autorais em design gráfico, termos como plágio e cópia geram revolta e indignação. Basta o lançamento de um novo logo ser visualmente similar a qualquer outra coisa já feita anteriormente que os justiceiros da internet trazem isso à tona e “malham o Judas” em praça pública. Não é preciso argumentos ou explicações.

Parecido = plágio.

Esse tipo de atitude só existe com relação ao trabalho alheio, afinal, “pimenta nos olhos dos outros é refresco”.

Plágio, cópia e apropriação intelectual e material indevida é um sério problema, porém conseguimos identificá-la com clareza à distância, não de forma interior.

Se analisarmos nossa própria metodologia de trabalho, ferramentas e fontes de recursos, podemos afirmar que não fazemos o mesmo? 
Quantas vezes não usou um recurso pronto, uma imagem ou uma fonte que não era gratuita, mas não pagou por isso, e ainda, lucrou com o projeto?

Software pirata, imagens ou ícones usados de forma ilegal e desrespeito a licença de determinadas fontes tipográficas são apenas algumas da formas de descreditar e tirar proveito do trabalho de outros designers como você.

Não sou hipócrita, portanto não vou dar uma de herói aqui e apenas apontar o dedo como se estivesse acima disso. Faço a mea culpa nesses esquemas e não há desculpas que justifiquem.

Também não estou aqui para dizer que o caminho é sempre criar todos elementos do seu trabalho de raíz e de forma 100% autêntica, pois na maioria das situações isso é utópico. O que é preciso é chamar a atenção para a aceitação irrestrita desse tipo de prática como modus operandi do mercado de forma natural. O mal reside em fechar os olhos para essa realidade e perpetuar consensualmente a ignorância.

Ao avançar na carreira de designer provavelmente irá produzir material exclusivo e pode, de um momento para o outro, passar para o outro lado da mesa. Imagine ver um trabalho ao qual dedicou tempo e esforço ser utilizado indiscriminadamente sem a devida creditação e/ou bonificação por diversas outras pessoas? Como se sentiria?

Pois é assim que se sentem programadores, designers, fotógrafos e outros profissionais quando usamos seu material sem a devida autorização.

Como já disse, não quero aqui levantar bandeiras ou rotular comportamentos, entretanto, em tempos que saímos a rua para exigir ética, responsabilidade e transparência de nossos governantes, acredito que seja o momento de aplicarmos os mesmo valores a nossa metodologia de trabalho.

Sei que o mercado oprime, o tempo urge e nem sempre conseguimos fazer as coisas da forma que gostaríamos. Porém, é preciso interiorizar essas atitudes corretas para minimizar os danos sempre que possível, pois criar uma realidade de respeito aos profissionais da categoria significa nutrir um ambiente sustentável de trabalho, no qual o esforço é valorizado e o talento e o otimismo florescem.

Esse canibalismo oportunista só leva a segregações desnecessárias e interpretações errôneas na percepção do designer com profissional qualificado. A forma mais simples de alcançarmos o respeito e a consideração que nossa classe tanto precisa é por meio da compreensão que estamos juntos, no mesmo barco.

Com educação, ética e autoconhecimento podemos ser muito mais.


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