Photo by Verne Ho (https://unsplash.com/verneho)

Designers não são melhores que ninguém

É hora de vomitar o “rei na barriga”

Designer é uma espécie difícil de lidar. Sério.
Hoje, devido a minha prática constante do cinismo e desapego, consigo me esquivar da maioria das discussões bobas, debates acalorados sem noção e mimimis desnecessários. Mas, não é fácil.

É comum esbarrar com colegas de profissão extremamente intolerantes e dispostos a defender com unhas e dentes conceitos infundados que leram em algum blog ou esfregar os princípios de Dieter Rams na cara dos outros como se fosse Moisés com os 10 mandamentos. Menos, gente. Bem menos.

Essa glamorização irracional do termo designer é inversamente proporcional à valorização dada pelo mercado para os profissionais. Assim sendo, sobra cacique pra pouca tribo.

Estou exagerando? Experimente entrar em uma comunidade de designers em redes sociais e fazer um comentário sincero sobre um trabalho exposto por lá. Se o seu comentário não for “Está perfeito. Adorei!”, tem uma grande chance de se meter numa discussão babaca. Se disser “tá uma merda” é um hater que não ajuda ninguém e só quer destruir o trabalho alheio. Se dá uma sugestão seguida de um explicação técnica com embasamento acadêmico é um cuzão, arrogante, que só porque fez faculdade acha que pode vir e pisar nos outros colegas que têm anos de experiência no mercado.

Esse conflito prepotente não é sentido apenas na relação designer vs. designer, ocorre também em situações de designer vs. cliente, designer vs. chefe, designer vs. qualquer pessoa que tenha uma opinião sobre alguma coisa.

Entendo que parte desse temperamento combativo se origina da desvalorização da profissão, porém não é subestimando que se conquista.

Procuro atentar constantemente ao meu comportamento para evitar situações em que possa ser grosseiro ou subestimar a inteligência do próximo.

Para alcançar essa percepção é preciso admitir três coisas:

1. Design não é física nuclear

Explicar design é bem mais fácil do que parece. Se tiver um pouco de paciência, adaptar alguns termos de forma a adequar a comunicação e usar exemplos genéricos, é provável que as pessoas entendam a explicação. Ninguém é ignorante por não saber o que é leading, responsivo, faca de corte ou Pantone. Se você aprendeu, os outros também podem.

2. Todo mundo tem opinião e nenhum medo de dá-la

Mostre um trabalho seu para qualquer pessoa. Pergunte o que ela acha e vai ter uma resposta. Todos tem algo a dizer. Independente da relevância.
É comum receber comentários absurdos sobre o seu trabalho, principalmente por parte do cliente. 
Aceita que dói menos. Escute tudo, filtre, faça seus questionamentos e só depois defenda seus pontos.

3. Não sou dono da razão

Por mais doloroso que seja, tem que admitir: os outros, às vezes, tem razão.
Quantas vezes torceu o nariz para fazer aquela alteração aparentemente descabida e no final até que ficou melhor? 
Por mais meticuloso que seja, sempre terá alguém com outro ponto de vista que pode mudar tudo. 
Não case com o job. Seja flexível e esteja sempre aberto a mudanças.


Se deseja fomentar o amadurecimento do mercado e do aprendizado de design no Brasil, se entregue a discussões sadias, sobre temas relevantes e tópicos que aprofundem o conhecimento. Fuja desse tipo de armadilha.

Escute, fale, ensine, aprenda, evolua e faça parte.

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