Por Cássio Aguiar — Founder

Diego Martins conta pra gente o que é ter ‘X Factor'

Em entrevista exclusiva ele revela: “Sou um performer, não um cantor… Eles estavam procurando o ‘X Factor’, não a voz”

Divulgação/ Foto: Kelly Fuzaro/X Factor

Diego Martins, 19 anos, chamou atenção na primeira edição do XFactor Brasil, na Band. Artista nato, nasceu no teatro, que desde os 10 anos faz parte de sua rotina. Fazer arte era o que respondia quando questionado sobre o que queria ser ou fazer quando adulto. E não deu outra.

Cursando Artes Cênicas na UNESP, Diego Martins se vê como um performer buscando aprimorar sua técnica musical para ser um artista mais completo. Vindo de uma família envolvida com a música, ele sempre buscou cantar e dançar. Mas ele queria conhecer seu outro lado, o que chama de Alter Ego.

A aproximadamente dois anos ele desenvolve este trabalho performático e cheio de brilho. Mas, diz ele, “o Alter Ego aflorou no XFactor”. Com o apoio dos amigos mais próximos e familiares, sempre destacando Nathalia Borges e Leandro Veneziani, Diego Martins deixou cerca de 30.000 candidatos para trás. Confiou no seu talento e a sinergia de todo seu lado artístico e foi um dos finalistas da edição brasileira do programa.

Conta ele que “estava em um momento de acomodação, precisa achar algo para me incomodar”. Achou. Mas também achou quem o ajudasse. Conheceu novas pessoas, produtores e amigos.

Seu ponto marcante no programa, além da performance sempre bem elaborada, foi a maquiagem. Ela surgiu como sua parceira no teatro, quando fez Spotlight, um show musical pop e passou pela primeira vez um lápis carregado, deixando o olho marcado. Foi uma evolução. Descobriu que poderia, além disso, fazer muitas transformações.

No XFactor tudo era autoral. De brechó em brechó, montou seus looks, sempre inspirado em Ney Matogrosso, Lady Gaga, Adam Lambert, Amy Winehouse e Freddie Mercury. Era brilho, transparências e destaques que não deixavam a plateia desprender o olhar de sua apresentação: era mesmo o artista performático desta edição. Esse era o seu “x factor”.

Tem alguém com seu batom na plateia

Em um dia de apresentações o burburinho era esse. Alguém estava de batom na plateia, um homem. Foi uma surpresa quando entrou no palco: era seu Pai. Conta Diego que foi um processo divertido para ele. E marcante para todos que viram o amor de um pai por seu filho aflorar naquele dia.

Os pais sempre apoiaram em tudo que mostrava que queria fazer. Quando se assumiu homossexual, resolveu usar salto e estar maquiado, eles ficaram pensando nos esteriótipos que construíram durante anos, “mas sempre foram muito tranquilos”, conta Diego. Eles só queriam entender. Nunca sofreu preconceitos ou represálias, de qualquer forma, em seu núcleo familiar. Nunca questionaram sua homossexualidade ou vontade de fazer aflorar seu alter ego, mas sempre quiseram entender. E entender faz parte de todos os processos de quem vive em sociedade. Quando ele começou usar maquiagem eles queriam entender, ver mais o rosto e menos brilho. Aos poucos entenderam que isso era como se fosse um desenho. Era nutrir seu alter ego. Aquele que floresce no palco. A resposta clara de que tudo estava finalmente entendido veio na plateia do XFactor Brasil: seu pai estava maquiado.

Além da beleza de sua performance teve o Rick Bonadio

Rick Bonadio pegou no pé (ou na voz) de Diego Martins desde o dia de sua audição. Mas ele soube conviver e aproveitar as críticas, afinal, Bonadio é um dos maiores nomes entre produtores e empresários de música deste país.

Diego conta que se preparou para as críticas, afinal, “nunca havia sido julgado por quatro pessoas tão talentosas e um público tão grande”, afirma. Ele não esperava essa relação de amor & ódio com Bonadio, mas relata que tudo era muito pontual, no mesmo quesito, sempre. Logo, ele sabia exatamente em que aspecto deveria trabalhar mais.

“Virou algo engraçado no final pois quando abriu para a votação do público ele viu a força que eu tinha nas redes sociais, fiquei em primeiro lugar dos Trending Topics mundiais no Twitter.”

Escutar Bonadio, segundo Diego, o fez crescer enquanto profissional. Ele sabia que as críticas que recebia iam refletir totalmente naquilo que pretendia entregar ao mercado, e as colocava lá. Entendia elas e buscava melhorar nos aspectos que precisava. “Sou um performer, não um cantor. Nunca fiz aula de canto, mas pretendo estudar a partir de agora. Eles estavam procurando o ‘X Factor’, não a voz”, relata Diego, em um resumo do que esperava do programa.

Para Diego Martins, Bonadio representava, ali no programa, o que ele vai viver na vida de artista. Muita pressão, muitos nãos. “Ele foi a personificação do mercado. Característico dele”, conta. Com isso, se considera mais preparado para o que vem agora.

A vontade de responder aos questionamentos e críticas sempre ficou reservada, “migo, você ta bem?”, era a vontade de perguntar, relata Diego. Mas ele estava ali para ser julgado e não para julgar. Uma única vez, quando questionado, Diego respondeu que, ao contrário do que Rick Bonadio havia ressaltado, ele tinha visto evolução sim em suas apresentações. Mas ficou por aí. Sem clima de ressentimento, mas de aprendizado, ele sai com uma carga de aprendizado riquíssima para aplicar em sua carreira.

Mas, como na vida do Diego o amor sempre vence, Bonadio mostrou seu lado mais humano, menos business. Subiu ao palco e declarou seu carinho em rede nacional. Foi um mea-culpa, mas foi!

Reprodução/ XFactor

E o público adorou…

Di Ferreiro sempre apostou em sua ideia

Diego conta que sempre concordou com as escolhas de repertório que Di Ferreiro fazia, inclusive para músicas que não conhecia. “Ele acreditou na minha performance, na minha ideia. Levei tudo como novos desafios”, diz. Ao ponto que Di Ferreiro foi conhecendo o lado artístico do artista, pode escolher melhor as músicas de seu repertório.

Viver de música/business é uma situação nova. Sem aula de canto, sempre “usando apenas o que vinha do coração”, Diego busca a evolução em sua carreira artística e a relação com Di Ferreiro só agregou nesta caminhada. Convite para participar de Shows já aconteceram e serão acatados, faz parte da amizade criada pelos dois.

E no futuro?

O futuro já é agora. Atualmente tem lançado covers de suas músicas favoritas e seus planos envolvem os palcos: casas noturnas e baladas são seu foco. Além disso, está produzindo singles, fazendo parcerias e podemos esperar um EP para o próximo ano. Single inédito já em janeiro e ele promete em uma de suas transmissões ao vivo no Facebook: vai ser para bater cabelo.

Cover/ Diego Martins — Million Reasons (Lady Gaga)

Lavantando a bandeira gay em tudo que faz

Acima o desabafo de Diego Martins em suas redes sociais. Ele Cresceu em ambiente familiar sem preconceitos, nunca teve contato em casa com esses absurdos. Nasceu no nordeste, região do Brasil onde acontecem mais crimes de homofobia, segundo o Relatório anual de assassinatos de homossexuais no Brasil.

Em um mundo tão plural e diverso, “é boçal ter preconceito por a pessoa ser diferente de você. Julgamento ignorante”. Ele sempre se comunicou com a arte, com 7 anos ele já tinha escolhido uma vida enquanto artista. “A gente tem que ser como a gente é”, saber que “vamos passar por dificuldades, sim” mas “quando a gente é o que quer ser, a gente é muito mais forte”. “Levanto a bandeira gay em tudo que faço, simplesmente pois ser gay não deveria ser questão alguma”, desabafa.

O lado humano e preocupado com o outro se transfere ao palco. Busca sempre trazer uma mensagem de superação, de poder. De possibilidade. De ser quem quiser ser.

Depois de mais de uma hora de conversa super divertida, fizemos uma rapidinha para finalizar o bate-papo:
Sexualidade? Tudo! 
Arte? Essencial. 
Música? Comunicação. 
Militância? Arte. 
Saudade? Amores. 
Performance? Palco. 
Amor? Detalhes importantes. 
Futuro? Carreira. 
Família? A base.