Do aclamado escritor Patrick Ness, o filme “Sete minutos depois da meia-noite” é essencial e comovente

(Foto: divulgação)

Avenida Paulista, 900, Reserva Cultural, sexta passada. Por chegar meia hora mais cedo, conferi atenção aos transeuntes. Quanta diversidade em tantos minutos. E penso: quanto tempo demoraria para absorver, um sujeito que em uma cidade pacata habita, os mesmos estímulos que meus olhos receberam? Já não é mais tempo para pensar nessas coisas; o filme vai começar. 10h30.

Antes que o relógio na película marque 00h07 e o monstro apareça com suas maravilhosas histórias, duas surpresas é aconselhável aqui registrar: primeira, o próprio filme; segunda, o aprisionamento dos celulares.

Esta última, de início, causou alvoroço: “Como assim se desfazer de nossas vidas digitais?”. Enquanto a imprensa, blogueiros, youtubers e eu, nos preparávamos para ocupar as poltronas, celulares eram enfiados em sacolas brancas com um número de identificação. Com o coração apertado, entramos. E notei que os presentes estavam completamente perdidos, sem saber o que fazerem. Minha inspeção foi rápida, pois, logo debrucei os olhos sobre livro que inspirou o filme — que livro lindo; que filme maravilhoso (estou inclinado a admitir que o filme é melhor que o livro, mas não convencido por completo).

Devo mencionar que nada de inconveniente houve com o recolhimento dos aparelhos. Como o filme tem estreia prevista para 5 de Janeiro de 2017, tratava-se apenas de uma operação para manter as cenas do filme em segredo. E com o início do filme, quem se lembrou em xeretar a tela luminosa? Vamos ao surpreendente filme.

(Foto: divulgação)

Sete minutos depois da meia noite, é uma das coisas mais lindas que assisti neste ano. Trata-se de uma história de amor, perda, esperança e, acima de tudo, sobre a verdade. Conor O´Malley, de apenas de 13 anos, tem muitos problemas na vida. Com a mãe doente, o pai ausente, uma avó irritante e o deslocamento total na escola, Conor ainda passa por desconfortáveis pesadelos. Mas, a partir de então, todas as noites, quando o relógio aponta 00h07, um monstro — uma árvore gigante -, toma forma em sua imaginação. Nada de medos com a figura horripilante. Nesta relação, essencial e comovente, Conor é aconselhado a enfrentar, com coragem, seus próprios medos.

O filme sugere a viagem mais linda que qualquer ser humano possa ter: a de olhar para si mesmo. E nem é preciso da varinha mágica de Harry Potter e nem da incansável jornada do pequeno hobbit Frodo, mas, saiba que você estará diante das mais incríveis imaginações.

Ainda bem que permitiram toda atenção à tela do cinema. E, com os olhos marejados, ao deixarmos a sala, por longos minutos, nem tive vontade de conferir as atualizações da tela do meu celular.

Se 2016 foi desgastante e nebuloso, o ano que já está abrindo as portas promete começar cheio de amor e esperança. Quando o filme estiver rodando nos cinemas, vá ao encontro com a verdade do menino Conor O´Malley e seu amigo monstro. Ah! e claro, não deixe de ler o livro.

Trailer:


Você também pode conferir o livro: