E se a posição for em cima do muro (ou perto disso)?

Deixa eu post…protestar aqui — Foto: Maikol Vancine

Levantar da cama mais cedo, justo no dia em que você entra no trabalho mais tarde, e pra falar de política, é um terror. Ainda mais em uma sexta-feira. Mas tem toda aquela cobrança que pede de você um posicionamento, seja de amigos, colegas de trabalho, parente e por aí vai. Esse peso aumenta se você é jornalista, com cursos na área de política, que trabalha em um local público. Vai vendo!

Só que eu não estou conseguindo pegar e por no papel tudo o que eu penso. “Ah, mas você é jornalista”, eu sei, só que tem horas que é difícil cara-pálida.

Consigo ver cenários separados e debater eles, mas confesso que reunir e sintetizar tudo de uma só vez desde a última quarta-feira tá praticamente impossível. E talvez por isso eu tenha ido dormir mentalmente esgotado na última noite.

O que me levou a sentar e colocar no “papel” todo esse desabafo aí de cima foi um texto que li ainda pelo celular, de um dos caras que tem uma importância enorme pra internet brasileira, principalmente se tratando de blogs, o Edney Souza, do Interney, que também escreve por aqui. Só pra você ter uma idéia, quando eu criei o PopIndie, o blog dele era o mais popular segundo pesquisas. Vamos ler antes de continuar:

Talvez pelo Edney ser um pouco mais velho e ter mais noção do inicio da década de noventa, seja mais fácil relacionar algumas coisas. Talvez por outras pessoas serem mais velhas, seja mais fácil elas relacionarem outras. E talvez eu, por ter a idade que tenho, relacione outras. É aí que a gente discorda em pelo menos 0,5%. E isso é sensacional. Um mundo maravilhoso, onde todo mundo concorda com tudo, seria um pesadelo.

Eu não concordo cem por cento com texto dele, você também não, eu não tenho a mesma visão política que ele ou ela, você também não. Mas é que o texto expressou tanta coisa que tava engasgada.

“ Eu estou profundamente triste com o que o Lula fez, eu estou decepcionado com o ato desesperado de Moro, eu estou irritado com os radicais de direita e incrédulo com os radicais de esquerda que querem legitimar tudo que está aí.” — Edney Souza

Sim, o trecho acima é um dos que resume o sentimento atual. E no meio desse turbilhão todo, tem coisas que acho que por mais antiéticas, ou injustas, seriam pelo menos suficientes pra nos dar um pouco de esperança de que amanhã vai ser melhor.

E por hoje fica esse texto que parece ser superficial, é que eu não quero mal-estar nessa sexta-feira.

P.S.: Sai fazer fotos da manifestação no centro de Campinas/SP no dia 16. Não foi uma grande manifestação. Mas acredito que independente do lado que fosse, e não generalizando, eu vi gente ali que era uma bomba prestes a explodir. Tipo o cara que deu o soco e cuspiu na menina, ambos citados no texto do Edney. É isso que precisamos repensar. Os tempos são outros, mas a barbárie pode ser maior, ou até pior. Estamos no século 21, mas temos Estado Islâmico, temos recentemente a revolução Ucraniana, a Primavera Árabe. Ainda temos torcida organizada. Tem a Ku Klux Klan. Tem escravidão. É tanta coisa, que fica difícil imaginar um golpe “brando” (se um golpe vier a se concretizar) seja de que lado for.

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Deixo aqui alguns textos: