Eduardo, o Jorge, strike again!

Enquanto alguns partidos buscam sangue outros buscam dialogar com os brasileiros.

Assistir os programas ou comerciais políticos gratuitos na TV está me embrulhando o estômago. Acho que o de vocês também. O que vemos é uma troca sem fim de acusações entre quem finge que está tudo uma maravilha e que alega fantasiosamente que existe um golpe midiático e outro lado que parece torcer pelo “quanto pior melhor”. É uma coisa de “não posso perder a boquinha” x “eu quero muito a boquinha”. Certo, e o país, como fica? E o pretenso debate político? Tudo na mesma lama.

Nas redes sociais a coisa ainda piora. Enquanto oficialmente os partidos se posicionam com o mesmo discurso do off — como se isso fosse bom — nas redes extrapolam usando fakes, blogs pagos, fanpages de “humor” e outros artifícios pra propagar todo tipo de bobagem. E sabe o que dói mais? Que tem marqueteiro ganhando milhões de reais (entre dinheiro recebido por dentro e dinheiro recebido por fora) pra dizer que o que o brasileiro quer mesmo é ver sangue entre os partidos. Essa dinâmica é imposta por um conjunto de políticos tacanhos e publicitários toscos, que determinam qual a agenda a ser debatida na TV — cujo custo sai de nosso bolso — e nas redes — onde eles são intrusos. Agressões pagas com dinheiro desviado de nossa estatais ou do fundo partidário, ou seja, amigo, somos eu e você que pagamos por isso tudo.

Em um momento onde precisamos de uma postura conciliadora, de alguém que assuma a frente e diga “o importante mesmo é nos juntarmos pra superar esse momento e cuidar para que não aconteça mais”, temos um debate sobre quem “rouba menos”. Eu acho, e só acho, que o povo não foi pra rua pedindo sangue, acho que foram pra rua pedindo respostas.

Eis que surge na minha TL o comercial do PV que vai ar hoje. Assistam.

Mandaram BEM. Saíram dessa discussão polarizada improdutiva e assumiram um espaço vazio. E, como bem se sabe, não há vácuo na política. Vão assumir a propriedade sobre um tema que eu, e espero que vocês, considero importante.

Mas algo nesse VT te pareceu familiar? Não? Na hora que bati o olho lembrei do jingle de campanha do Eduardo Jorge. A voz. Sério, vejam aqui.

Não precisou muito pra confirmar que a origem foi a mesma, Pedro Guadalupe. O jingle de Eduardo, para quem não sabe, não era oficial. Foi feito como uma “tiração de onda” e foi tão bem recebido que o próprio Eduardo assumiu como oficial. O jingle, que provavelmente é o de maior recall de toda a campanha presidencial, custou a impressionante quantia de R$ 300,00. É, essa fortuna mesmo.

Eis que fui dar uma fuçada pra descobrir quanto custo esse vídeo, não consegui a confirmação mas me disseram que não passou por 8 mil Reais.

O que estamos vendo é a migração de um discurso/formato que surgiu na web, de forma espontânea, para a vitrine oficial do partido, tudo com um custo baixo, linguagem própria da web e, mais importante, que foi criado ouvindo o que os eleitores na web queriam ver: algo criativo, divertido e construtivo.

Confesso não ser lá muito fã do PV, acredito que sou pragmático demais pra acreditar no discurso, mas, também tenho que confessar, me dá um pingo de esperança perceber que nossa política um dia poderia se resumir a um discurso propositivo.

Não dá em vocês?

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