Eleições 2018: do like ao voto?

Conteúdo patrocinado é um novo e forte recurso nesse ano

Lá em 2016, um dos desafios dos candidatos nas eleições municipais era atrair organicamente o público até as suas propostas. Na época, eu ainda trabalhava em agência e lembro das barreiras, como a proibição da veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga na internet e nas redes sociais.

Hoje o cenário já é outro, os "santinhos" dão lugar as postagens e as redes sociais são os novos palanques que dão voz as ideais e promessas daqueles a frente dos partidos — com algumas normas, claro.

A novidade desse ano das eleições para presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital é uma ajuda a mais para alcançar uma audiência muito maior e de forma segmentada. Se antes era possível desligar a TV no momento que a propaganda eleitoral interrompia a programação, nas redes sociais estaremos expostos constantemente aos conteúdos, sem horário definido. O uso eficiente dos canais digitais pelos partidos, pode ser um incentivo ao debate e interesse da população para que conheçam mais a fundo os candidatos e suas ideias, sempre checando a fonte e buscando referências confiáveis, para uma escolha consciente.

Nas eleições desse ano a propaganda eleitoral na internet será permitida a partir do dia 16 de agosto. Falta bem pouco! E as novas normas apresentam uma radical mudança para o marketing político na internet, em especial nas redes sociais. Vai ser a primeira eleição a regular a publicidade por meio de ferramentas pagas em plataformas de redes sociais. Dentre as regras estão:

  • impulsionamento de conteúdo em mídias sociais e em outras plataformas;
  • controle de gastos nas campanhas feitas pela Internet;
  • proibição do uso de perfis falsos e robôs;
  • responsabilização pela remoção de conteúdo;
  • direito de resposta pelo mesmo meio utilizado para divulgar o conteúdo infringente.

Para conferir mais sobre o que pode e o que não pode ser feito, você pode acessar a Cartilha interativa preparada pelo TSE, AQUI.

Segundo o Tribunal, os anúncios pagos, serão permitidos no período eleitoral e devem ser contratados diretamente por meio das plataformas de mídias sociais (Facebook e Instagram) com o único objetivo de impulsionar o alcance de publicações, de acordo com a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997).

Também foi liberado o uso de mídia paga para garantir posições de destaque nas páginas de respostas dos grandes buscadores, como o Google, por meio de anúncios contratados no Google AdWords.

No dia da eleição, no entanto, a publicação de novos conteúdos ou o impulsionamento de conteúdos já publicados serão proibidos e considerados crime.

Sozinhas, as redes sociais podem não ser as responsáveis pela vitória de um candidato, pois é fato que a campanha deve estar conectada as estratégias já conhecidas nas mídias tradicionais, visto que ainda há população sem acesso ao meio. Mas não há como fechar os olhos para o digital, visto que os olhos de muitas pessoas estão voltados a uma tela muito pequena, que é a do celular — conectado à internet.

Segundo pesquisa, internet e redes sociais vão influenciar a decisão de voto de 43,4% dos eleitores brasileiros.

Converter eleitores em embaixadores, para que compartilhem informações, é uma estratégia. As regras para a propaganda eleitoral na Internet em 2018 também traz dispositivos para garantir a lealdade nas campanhas eleitorais. Mais um desafio é barrar as notícias falsas, já que só no ano passado, segundo levantamento do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação da USP, cerca de 12 milhões de pessoas compartilharam fake news no Brasil.

O caminho do like até o voto é grande. E vai depender de muito esforço, conhecimento digital e relevância.

Vamos conseguir mensurar o impacto do digital na propaganda eleitoral só depois que o período passar, mas já podemos prever que será o início de uma mudança de mentalidade e que irá exigir grande empenho.