Calma! Não é necessário decidir sua vida inteira de uma vez

Aline Castro
Aug 25, 2017 · 4 min read
Fonte: UDESC

A apreensão de uma geração que quer escolher o futuro aos 17 e ser bem sucedido até os 25

Se você tem entre 14 e 18 anos e está no Ensino Médio, já passou por pelo menos umas novecentas e noventa e nove citações envolvendo o ENEMExame Nacional do Ensino Médio, vestibulares e escolhas de cursos universitários. É, você não está sozinho. Todos passamos por isso e sabemos que são três longos e duros anos ouvindo sobre todas essas coisas, todos os dias.

Com o fim do ano se aproximando, assim também se aproximam os vestibulares e concursos de universidades públicas e privadas. Juntamente com eles, o dilema “o que eu quero ser quando crescer?” de repente se altera para algo parecido, mas que parecia que demoraria a chegar: “Eu já cresci, então, o que quero ser?”. E é exatamente no anseio de responder perguntas como essa que a busca por carreiras acadêmicas e boas notas se transformam nos maiores objetivos na vida do vestibulando.

O problema é que muitas vezes não sabemos o que queremos fazer aos 17 anos. Na verdade, não é um problema, porém, é visto como se fosse. Na cabeça de algumas pessoas, todas as decisões importantes devem ser tomadas imediatamente para que não se perca tempo. De repente, um adolescente que não compreendia química orgânica e matemática básica precisa se deparar com escolhas de cursos, carreiras, estágios, burocracias e termos que nunca nem ouviu falar. Porque, de uma hora pra outra, toda o peso de se estar na escola e se responsabilizar apenas por um dever de casa aqui e ali é modificado para 4 toneladas de dúvidas e incertezas que são carregadas diariamente nas costas e que se tornam cada vez mais pesadas a cada pergunta futurística que não se consegue responder.

As incertezas então se somam ao não incentivo do estudo de certas carreiras. Escutamos que ser professor não dá dinheiro, e tem que ter paciência. Pra ser dentista precisa ter dinheiro, então se não tem nem adianta entrar. Engenharia? Muito difícil. Tem números. Direito? Ah não, tem que ler muito e ainda prestar OAB, que é muito difícil. Relações Internacionais a gente nem sabe o que faz, então não deve ser bom. Psicologia é coisa de louco. Medicina custa caro e vai te fazer um anti social. E por aí vai.

Parece que nada nunca está bom. Parece que o objetivo da vida é trabalhar apenas para ganhar dinheiro, e não para, de fato, fazer o que se ama. Dinheiro é sim importante, mas não é tudo. E isso acarreta em que? Em profissionais desmotivados que acordam cedo, xingam todo mundo no metrô e odeiam ir para o trabalho — aquele local que se fica o mês todo, quase todos os dias, por 8h ou mais, preenchendo papéis e mais papéis, mas não traz nada além de estresse e infelicidade.

Creio que somos a geração que não aguenta esperar pelas coisas, e não suporta aguardar o resultado das ações em longo prazo. O imediatismo de várias ações cotidianas foram transferidas para o âmbito educacional e profissional, onde almejamos alcançar os mais altos lugares sem antes escalar os degraus. Onde é criado um certo tipo de elevador facilitador de rotas, que podemos encurtar a qualquer hora e em qualquer momento que quisermos. Estamos fatigados demais para subir degraus, quando podemos simplesmente desistir, ou parar no meio do caminho. Queremos resultados concretos e certeiros, sem que façamos nada para obtê-los.

Entramos na faculdade aos 17 ou 18 anos, sem a certeza se queremos coxinha ou esfiha e se aquela é realmente a profissão que queremos que nos acompanhe por anos a fio. Se aquela é realmente a área que amamos e que nos dá prazer dedicar tempo e estudo. Aos 20, nos frustamos por não conseguir um estágio bom ou um emprego na área. Ao nos formamos, olhamos nossa vida de trabalhar o dia inteiro e chegar tarde em casa, tomar banho e jantar; enquanto na reunião de família sempre surge aquele assunto de um fulano de tal que já tem carro, casa, empresa e empregada aos 25. O resultado de tudo acaba perpetuando uma densa frustração.

O que eu tenho a dizer depois de ter esperado um ano e meio pra entrar na faculdade é: Não se sinta mal por fazer as coisas em seu tempo. Se seu colega está preparado aos 18 e você não, tudo bem. Se você prestou 4 vezes o ENEM e não conseguiu uma federal e o amiguinho lá do bairro conseguiu de primeira, tudo bem também. Também está tudo bem em não saber o que se quer agora, mas não caia no conformismo da incerteza e busque aquilo que te dá prazer realizar. Uma prova não define a capacidade e o talento ímpar que você possui, e a forma singular e especial que enxerga o mundo de acordo com sua própria perspectiva. A prova dura um dia ou dois, mas o que importa realmente é o que você fará com todos os outros dias que você tem pela frente. Independentemente de qual caminho percorrer.

)

Thanks to New Order - Redação

Aline Castro

Written by

Estudante de Relações Internacionais, que costuma nadar contra a corrente e expor suas opiniões sem medo de ser feliz. Vamos evoluir juntos? | SP | 20

NEW ORDER

NEW ORDER

Produção colaborativa de histórias e tendências para instigar você. Somos a primeira e maior publicação brasileira no Medium, vamos juntos?

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade