Enquanto uma pessoa fala a outra está ocupada com trocentos pensamentos

Numa conversa, você está falando e a outra pessoa está ocupada com trocentos pensamentos. Subitamente, tudo piora: chega uma mensagem no celular dela.

Se você não estiver olhando o celular ou afogado em tantas preocupações, deve ter reparado nesse episódio corriqueiro.

Mas ficar gastando palavras sobre esse assunto tão batido também não é legal.

Legal, mesmo, é prestar atenção em alguns trechos do artigo “Redes sociais, proximidade e ausência”, de Janaína Brizante.

Responder em três segundos para o amigo do WhatsApp — que mandou um comentário engraçado — pode custar deixar de ouvir o amigo que está à sua frente. E quando as mensagens começam a ser de vários outros amigos, a ausência se faz mais longa.
A longo prazo, isso pode tornar superficiais os contatos reais e prejudicar a qualidade de ligação social entre indivíduos que estejam fisicamente juntos.

E outro detalhe:

Pesquisas sugerem que essa intensa possibilidade de ver a vida do outro, com quem não se tem contato real, pode trazer ansiedade e frustração. Não por inveja, mas pela comparação quase involuntária entre a própria vida e a vida deles, e pelo medo de se ficar de fora do que está acontecendo (fenômeno conhecido como FOMO — fear of missing out — prima-irmã da dor social).

Isso sim é que são notificações; e é onde devemos colocar atenção, para não perdermos a conexão com o Universo.

Coragem, que ainda há esperança.

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