Entrevistamos o @rapfalando, o crítico de rap mais ácido da internet

Trocamos ideia sobre suas origens, referências, fãs e identidade

Você gosta de trap?

BROOOOOOOOOOOO

FAZ SOOOOOOOOOOOOL


O rap nacional é um dos gêneros em maior ascensão na música nacional, e como tudo que é bom vem com meme, entrevistamos o terror dos meme: Rap, falando.

@rapfalando é um perfil no Twitter que funciona melhor que muita revista crítica de cultura por aí. O rap não poderia ter melhor colo que as tiradas ácidas do perfil, que são direcionadas desde os/as artistas até a fanbase.

Fã de rap é chato?

Demais.


Pedi ao irmão Lucas França, amante do Brown e de rap (ou seria pleonasmo?) e jornalista pra conduzir a entrevista. A edição ficou por minha conta. Sem mais delongas: pega a vizãozinha.

Como entrou em contato com o universo do hip hop e do rap?

Desde muito novo eu tive contato com o rap. Lembro que o meu tio tinha um MP3 lotadão de Espaço Rap e uma ou outra coisa gringa, acabei pegando gosto ali. Quem me fez entrar de cabeça no rap foi o Sabota e depois a primeira mixtape do Emicida.

Você se enxerga com alguma influência no universo do hip hop? São quase 100 mil seguidores. Por que tantos te “seguem”?

Querendo ou não, essa responsa existe. A partir do momento que carregamos o nome do rap, precisamos estar cientes do que pode vir com isso. Acho que a criatividade sempre foi um diferencial da página, nunca foi algo forçado ou copiado de ninguém. Originalidade cativa.

Você acredita que as pessoas encaram sua abordagem do universo do hip hop apenas com humor ou levam suas falas para o lado da crítica?

Acredito que vá um pouco além do humor. A galera sempre chega ali na DM pra trocar uma ideia de rap, pedir indicação… O propósito na real é esse mesmo, dar o papo usando o humor como ferramenta.


Fãs, cena e referências

Em que pé está a cena de rap no Brasil?

A gente zoa, fala que tá chato (e tá mesmo), mas tá progredindo, mano. Ainda bem.

O que você acha da discussão entre os fãs de trap e os de rap “tradicional”? Tem espaço para todo mundo?

Normal. As coisas estão mudando e a galera já tá digerindo melhor… Acho que é questão de tempo pra aceitarem que antes de qualquer coisa é tudo rap e rap é música. Liberdade.

@rapfalando

O que você mais nota que acontece quando você atinge algum nome do rap? Os fãs ficam irritados, rola algum tipo de retaliação?

Tem uma galera muito estranha que fica bolada quando um artista que curte ganha um certo nome na cena. Pra mim é um pouco confuso, porque você ficar puto de ver o mano progredindo soa meio doentio, como se só você pudesse consumir. Acho que é muito passional. Rs

Qual a fanbase mais chata? Por quê?

Todas, mas passa. Hoje elas idolatram um e amanhã tão odiando, o público gosta de se encaixar.

@rapfalando

Por que o Earl Sweatshirt é seu icon?

Na época que eu criei o perfil, lá em 2015, tava ouvindo bastante I Don’t Like Shit, I Don’t Go Outside. Sempre curti bastante a Odd Future também. Coloquei e acabou virando a marca da página.

Qual seu rapper ou grupo gringo favorito? E nacional?

Depende da época na real hahaha mas gosto muito do Joey Bada$$ e do Isaiah Rashad, de grupo tenho ouvido bastante Brockhampton. Nacional tem rolado muito BK e Solveris (ouçam!!!!)

@rapfalando

Internet e redes sociais

Na sua opinião, o quanto a internet colabora para a expansão da cena? E, por outro lado, a quantidade de conteúdo online de rap faz a cena se desvalorizar?

A internet é fundamental. A cena tá se expandindo, a gente tá tendo uma demanda que nunca teve de lançamentos. É importante pra caramba, mas infelizmente muita coisa acaba passando batido. A gente tá pegando um hábito de consumir mais singles do que álbuns e isso muda um pouco a forma do trabalho.

Por que utiliza Twitter e não o Facebook, por exemplo?

Gosto da dinâmica do Twitter, acho que permite uma interação muito mais interessante do que o Facebook, que tá cada vez mais refém de algoritmo. Pra mim, isso quebra um pouco da proposta de fazer entretenimento pelo prazer, pelo momento. Já até testamos, mas pro que eu curto não vira muito.

@rapfalando

Por que os memes fazem tanto sucesso nas redes sociais? De rap, por exemplo, temos o rapaziada da ODB também, que são grandes.

Vejo como uma forma simples de transmitir uma ideia, o Brasil é brabíssimo nos memes. Acaba sendo a forma mais enxuta que a gente têm pra se comunicar com a galera em meio a tanta merda. (ps: FODA-SE A ODB!!!!! hahahaha)

Quais os prós e contras da rede social?

Acho que é uma forma de aprender e consumir algumas coisas que outrora não chegariam com tanta facilidade, o problema é quando se torna uma bolha e geral começa a pensar e fazer tudo em função disso. Parece que tamo numa época que todo mundo quer ser “influencer”, mostrar uma imagem que muitas vezes nem quer ter de fato, só pelos outros.


Identidade e posicionamento social

Rap, falando é só memes ou tem muita ideia por trás das brincadeiras? Você apoiou uma galera que levou crianças para assistirem Pantera Negra, por exemplo.

Como eu disse, carregar o nome do rap traz uma responsa. Daria suave pra só falar umas groselha ali e me isentar de qualquer comprometimento, mas não acho daora e nem é do meu caráter pessoal. Sei que posso fortalecer uma galera e ajudar nossos iguais a alcançar algo maior. Fiquei felizão pelo desafio Pantera Negra! ❤

Há uma de questão de identidade quando você usa as gírias, os refrões, etc.? Por que a identidade pro hip hop é tão importante?

Pras coisas andarem, vejo que é fundamental ter uma identidade. A vivência sempre foi uma parada muito impressa ali nos tuítes e memes. Isso se estende a tudo mesmo, é difícil criar quando não se vive, porque você acaba deixando de ter muito de si no que tá se. Acho que aprendi muito isso com o hip hop, saber quem você é e o que é capaz.


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