Entrou setembro e trouxe novas

Nem todas boas

Acabou agosto, que já tinha me trazido uma bela surpresa, um novo afeto via Medium e NEW ORDER.

Setembro chegou, com uma nota alegre. em escala maior…

Uma grande amiga fez por bem (e muito bem!) celebrar, no primeiro dia do mês, mais um ciclo de sua vida. Reuniu amigos, pessoas que por vezes só se vêem em celebrações como essa.

Foram ótimas horas, entre amigos e suas crianças.

A boa nova especial. que veio neste dia, foi a presença de uma amiga expatriada, anos de saudades condensadas em uma frase que brotou de meus lábios junto ao inevitável “abraço de urso”:

“Não acredito que estamos não apenas no mesmo lado do Atlântico, como no mesmo cômodo”

Carinho, entendimento, muitos afetos.

Sério, muito amor envolvido.

E sim, essa foi uma (ou mais uma, ao longo dos anos) declaração de amor minha pra ela… (#SouDessas)

Mas tinha e tem muito amor envolvido naquele grupo todo. E trocar com eles também foi uma boa nova.

E a música de setembro se desenhava em tons alegres, mesclada à música de agosto ao longo do segundo dia do mês.

Até que chega a noite, e vem a má nova do incêndio do Museu Nacional.

E a música do mês toma um tom mais sombrio.


Tenho uma relação afetiva muito intensa com aquele museu. É uma coleção de memórias que seguem comigo, das quais minha alma nerd tem muito apreço.

Dói saber da destruição daquele acervo, mas dói ainda mais saber que décadas de descaso dos diversos níveis dos governos, foram os principais responsáveis por isso.

Mesmo que o incêndio seja considerado acidental, o que provavelmente será, as ações e inações do poder público sempre terão peso e responsabilidade, e nos últimos anos, o dolo por esta tragédia.

Doloroso também é saber (e ler) que haverá, e já há uso político – por parte de quem não tem qualquer ligação com ou jamais apoiou Ciência e História Natural – do incêndio, para fins puramente eleitoreiros.

Pior, e significativo, são manifestações de apoiadores de certas linhas políticas e seus candidatos, declarando o incêndio e o fim do acervo algo positivo ou desejável!

Sempre é um sinal de alerta quando parte da população aplaude ou recomenda desmonte e destruição de cultura, arte e ciência.

A História, mesmo controversa, mostra que isto é prelúdio ou efetivo início de caos na sociedade e política.

E com certeza é o motivo pelo qual forças nefastas fomentam o desinteresse ou mesmo ódio à academia e ciências em nome de uma praxis tecnocrática, de uma ode à produtividade acima de tudo.


Adormeci e acordei chorando com o desenrolar da destruição e as notícias que me chegavam. Me bateu uma sensação de desesperança, como há muito não ocorria.

Mas volto à memória aos amores, aos afetos, as presenças que a vida me trouxe em agosto e nesse início de setembro, e a sensação passa.


Se tempos de luta são, lutar sem amor, é em vão.

Like what you read? Give Mar Gonçalves a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.