Escrever é mão na massa

A falta de inspiração é um peso incômodo para quem é perfeccionista. Mas será que ela é algo assim tão arrebatador, sempre grandioso?

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Eu já fiquei anos sem escrever. E também sem desenhar. Veja, essas são as duas coisas para as quais eu acredito ter vocação na vida. Para as duas, porém, existe uma centelha que alimenta nossa arte: inspiração.

Eu já me senti assim, abandonada pela caneta. Crédito: Andresa Scucuglia.

A ausência de inspiração é um peso incômodo para quem é perfeccionista. Mas será que ela é algo assim tão arrebatador, sempre grandioso?

Comecei a escrever aqui no Medium há quase cinco meses. Há muito tempo não escrevia um texto auto-motivado. E sabe o que precisou para eu fazer isso? Simplesmente eu sentar com esse propósito na frente do computador e pôr a mão na massa!

As semanas que se seguiram foram totalmente contra a ditadura da inspiração genial que me limitava. Em um dia, eu fiz uma longa lista de coisas que rondavam minha cabeça há tempos e sobre as quais eu gostaria de escrever. No instante seguinte, eu estava enxergando pautas a todo momento, ao fazer as coisas que já fazia todos os dias, agora eu tinha esse olhar de enxergar.

Era isso: estava "inspirada" o tempo todo. Tudo dava um bom texto.

Vieram tempos difíceis. Esse mês de outubro de 2018 foi uma montanha-russa emocional. Escrevi menos, por opção — pois eu poderia me inspirar nas minhas dores — , mas li uma vez que devemos escrever sobre as cicatrizes e não sobre as feridas abertas, e acho que é sábio.

Eu ainda penso na inspiração como um entusiasmo criador definido pelo dicionário, um lampejo, mas creio que a desmitifiquei. A inspiração vem do olhar atento, de seguir os exemplos certos (para você), de se alimentar de boas referências, de manter a mente livre de limitações.

Pode ser o meu momento, claro, mas há um ingrediente fundamental na equação: propósito. O propósito nos direciona e favorece que o modo de pensar, os hábitos, e principalmente a ação movam-se por um objetivo comum. Com isso, algumas portas se abrem e começa a transpiração.

Nesses poucos meses, foram 30 textos aqui no Medium, além de publicar alguns num outro portal que sempre admirei, o que me trouxe grande realização. E é ainda mais gratificante pensar que não foi por uma iluminação divina que me arrebatou, mas por um processo mais mão na massa, com esforço e persistência.