Estou apaixonado… pela minha empresa

Confesso que não foi amor a primeira vista. Ela sequer era minha segunda opção. Nos conhecíamos há algum tempo e jamais imaginaria que ela viria a ser minha grande paixão. A bem da verdade eu desdenhava desta que hoje não vivo sem.

Foi num destes tantos floreios da vida que fui fisgado. De um dia para o outro comecei a perder noites de sono pensando nela. Quebrei cabeça até tomar coragem e assumir, de peito aberto, que era ela quem eu desejava.

O resultado dessa repentina e avassaladora paixão só poderia ser um: querer. Eu a queria, mais do que nunca, mas meu conhecimento era raso e limitado frente ao oceano revolto e repleto de tubarões que é o mundo do empreendedorismo. Ali estava eu, um educador físico a frente duma micro-cervejaria. Adentrando num universo completamente desconhecido para mim. O universo do empreendedorismo.

Eu não tinha ideia de onde estava me metendo, acredito que ainda não tenho, mas não tenho como negar: é fascinante empreender.

É como ser capitão do seu próprio navio. Tomar atitudes e lidar com as consequências. É se reinventar. Se adaptar ao meio para sobreviver. Porque o mundo do empreendedorismo imita a vida, onde é preciso mais resiliência do que força. É necessário jeito. Ter feeling. Ser de tudo um pouco quando sua empresa possui orçamento escasso. É sonhar e colocar a mão na massa para um dia realizá-lo.

Ainda estou engatinhando e não tenho certeza se estou na direção certa. Contudo, tracei rota e sei onde quero chegar. Ao mesmo tempo compreendo que a jornada é longa e cansativa. Haverá percalços e serei testado inúmeras vezes. Cabe a mim não desistir e manter acesa a chama que arde em meu peito. Manter a rota, apesar de tudo.

Caberá ao tempo dizer se minha paixão se tornará numa linda história de amor ou noutra paixão fugaz, outra que não resistiu ao tempo e pereceu.

Algo me diz que iremos contrariar as estatísticas e “subir ao altar”, porque, neste curto espaço de tempo, passei a compreender o empreendedorismo duma maneira diferente. A meu ver, empreender não pode ser resumido a um simples negócio. Vejo como extensão de meu corpo, com personalidade e alma. Algo inclassificável que me desafia diariamente e me faz sentir vivo, em toda plenitude da palavra: causando-me euforia, alegria, tristeza, raiva, ansiedade e etc.

Não sei até quando irei suportar esse turbilhão de sentimentos, mas a cada dia que passa me torno mais dependente dele. É minha cachaça.

Essa é minha declaração de amor a minha empresa. Espero que minha esposa entenda e apoie essa “relação” extraconjugal.