Eu e você, você e eu.

Juntinhos.

(Ou: A Cultura Colaborativa e seu poder no mercado.)

O cabo capaz de reunir, o mundo inteirinho, na tela do seu computador.

Dia desses encontrei no ponto de ônibus uma amiga antiguíssima que estava morando no Paraná. Fiquei chocada que em meio a 8 bilhões de pessoas que vivem nesse mundo, e infinitos lugares nos quais ela (e eu) poderíamos estar, nos esbarramos ali, naquele instante de rotina, e trocamos uma meia dúzia de palavras genéricas sobre como andam as coisas, afinal, depois de tanto tempo vivendo em mundos tão distintos.

Tenho certeza que isso já aconteceu com você algumas vezes.

Depois de ter o coração quentinho e alimentado com uma série de lembranças e risadas, parei pra pensar que coincidências simplesmente não existem. E durante a minha volta para casa, povoei a mente com mil ideias sobre os laços invisíveis que unem e movem a gente — quase que sempre — para os mesmos lugares comuns.

Estivesse ela no Afeganistão, ou aqui, na Vila Madalena, compartilhamos do mesmo universo de ideias. Votamos no mesmo partido político, gostamos do mesmo estilo musical e temos tantos amigos em comum, na vida real e no trabalho, que seria impossível que não nos reencontrássemos acidentalmente hora ou outra. Que força louca têm as coisas que acreditamos, não é mesmo?

A cultura que nos move se converge. E, assim, nossas histórias, referências e caminhos seguem inevitavelmente para o mesmo rumo, não há como fugir – mas há como ressignificar.

E o que eu quero dizer com isso?

Eu também tenho amigos que pensam completamente diferente de mim, é lógico, e não são poucos. A dissonância do pensar também é uma forma de agregar pessoas. Pelo respeito, pela construção de novas ideias ou pelo simples fato de que o diferente pode ser igualmente fascinante para a vida da gente. E como. ❤

Na Trendr gostamos de não ter nada a ver uns com os outros. Amamos um debate, uma polêmica. Achamos I-RA-DO quando duas (ou três, ou cinco…) pessoas escrevem sobre a mesma coisa, só que outra coisa, de um outro jeito, que não precisa necessariamente ser igualzinho.

Amamos ler artigos com pensamentos que se contrapõe, que se esbarram, se repelem e, ironicamente, se complementam. Como a cultura deve ser.

Aqui não nos conhecemos na infância. Não assistimos os mesmos filmes ou lemos os mesmos livros. Não participamos de uma comunidade secreta na qual acordamos quais pautas devemos postar ou mantemos uma linha editorial super quadradinha a ser seguida. No nosso rolê, as pessoas podem (e devem, ótimo!) ser múltiplas. E, de preferência, completamente divergentes entre si.

Daí que reparamos que fazemos parte de um fenômeno que ganhou ainda mais força com o advento da internet: a tal da cultura colaborativa. Um novo jeito de pensar e disseminar aquele monte de pensamentos que antes não se encontravam em lugar nenhum. Que não esbarravam em uma amizade de longa data no ponto de ônibus, que só podiam se encontrar se hospedados onde as barreiras físicas não importam. Na tal da internet.

Na mesma semana você pode encontrar no nosso espaço opiniões contra ou à favor da pena de morte. Textos sobre dor, felicidade ou amor, crônicas, contos, relatos. Afirmando ou contrariando pontos, somando ideias. E ao contrário do que prega uma publicação física comum, não existem regras para a produção de conteúdo por aqui; você pensa, você escreve, você publica, pá pum. Sem a preocupação de estar agradando ninguém.

É na internet onde as dissonâncias ou semelhanças se misturam e ganham vida. Ganham força. Se transformam.

Esteja eu aqui ou na China, minhas ideias podem fazer completo sentido para um outro alguém. E reverberar. Acreditamos — ou ao menos eu acredito — que é online que se constroem as opiniões do amanhã. E é aqui também que se destroem tantas e tantas ideias que já perderam o sentido na vida offline.

A TV se pauta pela internet. Os grandes e tradicionais conglomerados escutam aquilo que é dito na internet. Eu e você, você e eu (juntinhos), estamos fazendo uma diferença danada com um “textinho” bem escrito. Bem colocado, publicado no momento certo. É pra quem desejar ler, e não pra quem a gente determinou que seria nosso público.

Deixemos para a publicidade os tais nichos. Vamos tentar falar com quem quiser ler, sem amarras. Se amanhã a coisa ganhar outra cara, a gente muda junto. Afinal, o mundo continua girando, sem esperar. E se a informação, ou os padrões, ficarem sempre no mesmo lugar, a onde leva, afoga, faz sumir.

Que continuemos a navegar. E que nos nosso barco sempre caibam novas pessoas.


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