Eu vi o que você fez, Pinóquio!

Uma das regras clássicas de se lidar com comunicação de gestões e órgão públicos é “não mentir”. Coloquei o mentir entre aspas porque falo do sentimento de quem é impactado, no caso o cidadão, em relação à informação e não necessariamente se ela consegue ser embasada com números — ou seja, sendo de fato uma verdade. Os números não adiantam, não servem ao objetivo de comunicar, se o sentimento for absolutamente contrário e não for trabalhado gradativamente.

O governo de Pernambuco fez um post no Facebook que cometeu o erro acima. Eles tinham os dados, tinham os números, mas que vão completamente contra o sentimento da população. Expor os números devia ser a demanda, mostrar que há trabalho sendo feito pela segurança pública, mas a abordagem derrapou na arrogância, mesmo estando em uma linguagem simpática.

O resultado vocês podem ver ao clicar no link (em negrito ali no parágrafo anterior). Uma enxurrada de comentários negativos e milhares de compartilhamentos descendo o cipó no lombo do governo. Uma informação de viés positivo vira uma pauta completamente negativa por uma falha na abordagem, um erro estratégico, afinal o sentimento da população pernambucana é que a segurança está de mal a pior e ser afrontado com um post desses parece uma desfeita. E sabe o que é mais engraçado? A turma mirou onde queria e acertou onde não queria, mas acertou, afinal o conteúdo poderia ser divulgado pela página da prefeitura do Recife (que também apanharia) mas faz pouco sentido ser divulgada pela página do segundo estado mais violento do NE.

Esse tal humor social negativo — fruto da crise e da desilusão com o meio político — somado à postura errada resultaram no estopim da resposta mais distante possível da desejada com a publicação. Ah, então não teria como lidar com isso e evitar essa reação? Sim, teria, de forma mais humilde, mais bem planejada, apresentando fatos gradualmente e não querendo pregar uma verdade que parece simplesmente uma propaganda chapa branca. No nordeste chamamos isso de "comer papa pelas beiradas".

A prefeitura de Curitiba sofreu uma reação similar mesmo tendo em sua base de seguidores uma legião de fãs. No post que publicaram eles largaram uma "mentira" que foi rapidamente descoberta e transformada em pauta negativa.

Pauta super legal, né?

Só que esqueceram de dizer que esse resultado foi fruto de um índice que deveria existir e que não existe. A informação do título é verdade, só que foi muito mal contextualizada — puxaram a sardinha, claro — e ia contra o sentimento da população que resolveu demonstrar sua indignação nos comentários e compartilhamentos.

Há pouco ou nenhum espaço para a comunicação chapa branca nos meios digitais, é muita gente fiscalizando, é muita gente querendo por fogo em temas negativos, é muita motivação política por trás dos debates. O cuidado precisa ser sempre triplicado. Na verdade, opinião minha, é importante investir mais no diálogo — e produzir conteúdo que transmita esse sentimento — do que na propaganda, que foram os casos.

Eu costumo lembrar sempre vocês de que a coruja acha o filho bonito, dela só espero elogios ao pimpolho, só não os levo a sério.

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