Experimentalismo (e muita) psicodelia: uma viagem através dos games.

Aviso: os vídeos existentes na matéria contém forte estímulo visual, leitores com epilepsia fotosensitiva devem ter cautela ao acessar os materiais desses games.
Flow; That Game Company (divulgação).

É julho de 2016 e muitos amigos seus começaram a baixar aquele torrent maravilhoso de Pokemon Go!. O que infelizmente não ajudou em muita coisa, já que o jogo ficou travando para muita gente.
 — Desta vez o torrent não funcionou — .

Eu acredito que todos possam gostar de Games.
Shigeru Miyamoto

Magicamente entramos (de novo) num portal dimensional de TV Globinho e Eliana — tipicamente anos 2000 — em que todos os seus amigos ampliaram o vocabulário para falar de criaturas do tipo água, fogo, gelo, dragão, noturno, psíquico, terra, lutador, normal, fantasma, etc.

Entretanto, longe dos mapas de Kanto, Johto, Hoenn, Sinnoh, Unova, Kalos, ou Alola, esta coluna quer usar a Nintendo como trampolim para falar de outros jogos bem diferentes.

Eu acredito que um jogo deva sentir o que os jogadores sentem e mudar de acordo com esse sentimento. 
Hideo Kojima

A ideia é: 
e se um game não tivesse um enredo muito, muito, muito complexo?

E se ao invés de controlar um grande herói em busca de uma princesa, você fosse apenas um microrganismo dançante, ou uma nave pixelada, uma estrutura celular ultramegasuper evoluída perdida numa galáxia, um casal de animais apaixonados, ou um simples triângulo tentando sobreviver um tetris pulsante móvel?

Eis uma lista de games psicodélicos que sugerimos a você:

Flow; That Game Company (divulgação)

Em Flow (PSP/PS3), jogo da That Game Company, você tem a opção de controlar até cinco espécies (vamos chamar de seres aquáticos). O jogo tem uma trilha sônora incrivelmente boa, feita pelo Austin Wintory (é o mesmo criador da trilha sônora de Assassins Creed, Journey, e outros), e cada “ser aquático cósmico” tem uma habilidade diferente. A idéia aqui é devorar outros seres vivos no que existem no oceano e ir descendo cada vez mais profundo. Ao chegar no fundo do oceano você habilita um novo personagem.

Simples assim.

Osmos; Hemisphere Games (divulgação)

Em Osmos (Android/Ios) a coisa muda muito pouco. Você controla uma estrutura celular complexa, porém limitada. Vamos explicar: para cada toque na tela, e a intensidade do toque, parte da sua constituição celular é lançada e isso faz com que a estrutura celular se movimente na direção oposta.

Básico assim, não é?
Com o avançar dos estágios a coisa fica um pouco mais divertida porque há níveis mais complexos com alterações de direção, tamanho, velocidade das estruturas celular dispostas em cada estágio.

Osmos nos fará lembrar de casos envolvendo experimentalismo não apenas nos games, mas também com aplicativos. O exemplo aqui é por conta do trabalho envolvendo a intensidade do toque. Em Pause (Android/iOS) a psicodelia é mais ligada à resolução de ansiedade e nervosísmo, tudo feito com base no conhecimento milenar do Tai Chi ( 太極拳) e nas pesquisas de Peng Cheng.

A formulação do game-app foi fruto do trabalho do pessoal da Ustwo (a mesma produtora de Monument Valley, apresentado pelo mesmo colunista numa edição anterior da Trendr. — clica aqui pra ler) em parceria com a empresa holandesa chamada PauseAble. O aplicativo é gratuito na Google Play e você precisará daqueles excelentes fones de ouvido (que custaram muitos dólares) para aproveitar a trilha sonora.

Pause; Ustwo Games (divulgação)
Entwined Challege; Playstation Mobile (divulgação)

Em Entwined Challenge (Andoir/PS3) você controla um Zapdos e um Moltres — mentira — . Na verdade você controla um pássaro e um peixe místico. É tudo uma história de amor no qual esse casal de animais apaixonados não pode se encontrar, pois, quando unidos, se tornam um dragão. A trilha do jogo é composta pelo Sam Marshall (mesmo autor da trilha de Dead Star).

Entwined Challenge; Playstation Mobile (divulgação)
Super Hexagon; Terry Cavanagh (divulgação)

De longe, um dos meus mais favoritos (e por vezes odiados) é Super Hexagon (Android/iOS). A jogabilidade é simples, os gráficos são incríveis, a dificuldade é regular, os estágios são bem desenvolvidos, os bugs existem mais como um fator de dificuldade extra. E, por fim, esse game conta com a trilha sônora da Chipzel (nome fantasia de Niamh Houston - cidadã londrina que costuma criar trilhas sonoras complexas utilizando consoles gameboy) que é muito, mais muito encantadora.

São apenas três músicas que compões a trilha de um jogo inteiro e ela consegue fazer dar certo. Você para e pensa: essa mulher fez essa trilha sonora usando um GameBoy!

Super Hexagon; Terry Cavanagh (divulgação)
Geometry Wars 3: Dimensions; Activision Publishing, Inc. (divulgação)

Por fim, mas não menos importante, a cereja do bolo é Geometry Wars 3 
( PS4, PS3, Xbox One, Xbox 360, PC, Mac & Linux, Android/iOS), criado pela mesma produtora de Call of Duty ¹²³ ad infinitum, Skylanders, Big Game Hunter, Destiny, Doom, Guitar Hero ¹²³ ad infinitum, Quake, etc.

Em Geometry Wars 3 a psicodelia é gerada pela liberdade de movimentação através dos cenários tridimensionais — isso permite que o jogador visualize o percurso de tiros de plasma, bombas, foguetes e demais armas que sejam utilizadas no jogo.

Uma produtora com o porte da Activision não decepcionou em adaptar à tela dos celulares e tablets o universo tridimensional de grandes consoles. 
A trilha sonora do game é criação do Chris Mann (ele faz trilhas sonoras pra esse pessoal aqui: Aardman Animations, AMV BBDO, Atari, BBC, Camelot, Carnival Cruises, Cartoon Network, Channel 4, DFI, Disney, Doritos, Evolved Games, Frontier, Hasbro, Infogrames, The Jungle Group, Konami, Loewe, Lucas Arts, Lucid Games, Mars, The Mill, Nickleodeon, The National Lottery, Particle Systems, Pepsi, Sega, Sony, Susuki, Take Two Interactive, Ubisoft, Universal Studios,Warner Brothers, Zoo).

Para quem tiver interesse, todos os trabalhos do Mann (que não são poucos) estão disponíveis gratuitamente no SoundCloud.

Geometry Wars 3: Dimensions; Activision Publishing, Inc. (divulgação)

É claro que as sugestões acima não esgotaram nem um pouco das listas e listas possíveis de games que você pode conhecer para relaxar, escutar uma bela trilha sonora, ou simplesmente passar o tempo.

Esperamos que a coluna desta semana possa trazer revelações mentais (psicodelia) ao leitor!


Do grego: psychē (ψυχή, significa “mente”)
Do grego: dēloun (δηλοῦν, significa “tornar visível, ou “revelar”)