F@d@m-se os direitos humanos, disse Alckmin

Pelo menos, não com palavras

O segundo ato contra o aumento das passagens de ônibus e metrô em São Paulo deveria ocorrer na última terça-feira (12), mas foi abatido antes mesmo de entrar em ação. Sua morte foi rápida, mas nada indolor.

Foi brutal.

Sangue, prisões, espancamentos e violações a direitos humanos e garantias constitucionais. A Constituição, que deveria ser respeitada em sua integridade, não conseguiu falar mais alto do que os cassetetes e balas de borracha.

Silenciamento.

Nem mesmo uma mulher grávida de seis meses escapou dos abusos da força policial — que, é claro, só estava cumprindo o seu dever legal. Com que autoridade? Ou seria melhor falar em autoritarismo? Pelo visto Alckmin não sabe a diferença.

A polícia nunca soube, disso estamos cansados de saber. Cada vez mais equipada para calar minorias e manter a ordem opressora. Cada vez mais adestrada e pronta para cumprir cegamente comandos para os quais qualquer pessoa sensata diria ‘não!’. Inclusive utilizando-se do direito constitucional de resistência.

Mas não.

“A estratégia utilizada hoje pela Secretaria de Segurança Pública vai ser a utilizada em todas as manifestações”, garantiu Alexandre de Moraes, secretário estadual de Segurança.

Traduzindo para o bom português: o pau vai continuar comendo.

As bombas zoando pelo ar, o cassetete ardendo nas costas dos manifestantes, algemas apertando punhos de quem utiliza a voz para tentar mudar as políticas públicas do país e socos para quebrar os dentes daqueles que mesmo com tamanha repressão insistirem em continuar falando.

Inclusive, com aprovação do Geraldo Alckmin que, segundo Alexandre, achou “ótima a alteração da estratégia” para conter os manifestantes.

Mesmo as melhores ideias são abordadas em um cenário tão desumano. Morrem antes de produzir seus efeitos. O sangue no meio do asfalto, os gritos e choro de desespero e medo. O feto nas mãos.

Choro seco.

Queria que Criolo estivesse errado. Existe amor em SP? Talvez, mas não em dias de luta. Não quando a polícia humilha, viola e distorce princípios para justificar seu modus operandi.

Tática de combate.

Cordão de isolamento formado antes mesmo da massa estar reunida. O Estado dois passos à frente. E, paradoxalmente, dois passos atrás.

Quando a polícia atua para esmagar minorias, ferindo a dignidade das pessoas e desprezando princípios tão caros ao regime democrático, como liberdade de manifestação e direito a um tratamento digno, deixa apenas uma mensagem: o Estado está acima da Constituição.

Salve-se quem puder, imagino.

Mas não! É momento, mais do que nunca, de unir vozes, mesmo que o grito final não seja uniforme. Mas, sendo forte, que seja ouvido por todos.

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