Juramos de pé junto que colocamos aqui uma foto do novo ministro, mas os caprichos da tecnologia teimaram em fazer aparecer somente a imagem do ilustríssimo Alfredo Buzaid, ministro da Justiça do governo Médici.

Febeapá — Edição especial Alexandre de Moraes

Dura lex, sed lex, no gomex

Tantas coisas para falar, tantos acontecimentos nos últimos meses, mas neste mundo feminino que o nosso novo presidente nos deu, injusto sê-lo-ia se não dedicássemos atenção especial ao novo Ministro da Justiça, que brada dos tradicionais vales da locomotiva nacional, São Paulo. Nos primeiros dias de governo, o dr. Alexandre de Moraes já mostrou que é muito mais que apenas uma careca lustrosa.

Trata-se de um constitucionalista em sintonia com os novos tempos, dono de um vocabulário moderno a defender a liberdade de expressão e manifestação.

Conhece a mente criminosa de perto:

E deixa em São Paulo um exemplo de como tratar da segurança pública:

Em entrevista para Monica Bergamo, na Folha desta segunda 16, De Moraes não poupa afirmações de impacto, próprias a um jovem que quer se impor no meio de uma constelação de ministros experientes, da cepa de Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima. Perguntado sobre a possível contradição de se ter “Ordem e Progresso” num ministério com vários investigados na Lava Jato, o ministro não se fez de rogado.

Se houver fatos que levem a pessoas, não importa se são do partido A, B, ou C –elas serão responsabilizadas. Essa é a determinação do presidente Temer, e ele sabe que esse é o meu modo de proceder. Eu jamais permitiria que o MP ou a PF escolhessem investigados.

Jamais! Este é um modo de proceder que o Ministério Público de SP conhece bem.

Indagado sobre as infrutíferas CPIs no estado de SP e a garantia das investigações da Lava Jato, mostrou-se objetivo sobre os acontecimentos:

Eu fui membro do MP de São Paulo. Ele não é ligado ao PSDB, é independente, não faz vista grossa e é um exemplo para outros MPs do país. Investiga vários casos. A única diferença em relação ao governo federal é que o governo de SP é honesto. E um governo honesto é menos investigado porque não tem escândalos.

Como o Febeapá mostrou recentemente, o Ministério Público de São Paulo é, de fato, um exemplo a ser seguido.

E o governo de São Paulo, como o Brasil inteiro sabe, é aquele manancial de honestidade, moralidade e preocupação com a coisa pública. Vamos além: a locomotiva paulistana é um sopro de sobriedade e profissionalismo ante a bagunça do governo federal suspenso.

E De Moraes prosseguiu, mais objetivo do que nunca:

Se há alguém que, aqui e ali, tem um desvio, o próprio governo investiga, como no caso da merenda, e demite. É diferente de um governo que endemicamente pratica a corrupção.

Quando Bergamo observou que o PMDB também está envolvido na Lava Jato, De Moraes deu uma aula de administração pública:

Quem conhece o funcionamento do governo federal sabe que o governo era o PT.
O ano era 2014. Fonte: O Globo.

Ele já sinalizou que vai manter a independência da Procuradoria Geral da República e da Polícia Federal, que tanto têm contribuído para o sucesso da Operação Lava Jato.

Cada agente de investigação, cada delegado, tem que ter total autonomia para investigar, não pode sofrer pressões. Agora, a polícia faz parte da estrutura do Executivo. Se cada órgão se transformar num novo poder, vamos ter uma estrutura anárquica. A polícia tem um poder importante e muito grande. A Constituição determina que quem escolhe [o diretor-geral] é o chefe do Executivo.

O chefe do Executivo, entenderam?

Portanto, o presidente da República tem essa liberdade constitucional [de indicar o procurador-geral que não foi eleito pela categoria] dentro desses requisitos. Não é algo arbitrário. É uma questão de freios e contrapesos. O poder de um MP é muito grande, mas nenhum poder pode ser absoluto.

De Moraes é mais realista que o próprio chefe do E-X-E-C-U-T-I-V-O.

Por fim, o douto ministro brindou os leitores com seus planos para coordenação do combate à violência no nível nacional, reforma das polícias, o sistema de inteligência integrado e a crise penitenciária.

Essa entrevista brilhante mostra o que podemos esperar do dr. De Moraes. Nossos craques do jornalismo pátrio, com justeza, não lhe pouparam elogios.

Sim, o dr. De Moraes é a amostra de um novo tempo para a República. O sol voltou a brilhar no Brasil!


Esta série é inspirada no Febeapá, crônicas de Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo do escritor Sérgio Porto) sobre os absurdos da política durante os primeiros anos do (último) regime militar. A coletânea desses textos foi relançada em versão caprichada da Companhia das Letras, com prefácio de Sérgio Augusto.

Like what you read? Give Maurício Sellmann a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.