felicidade em pétalas

e lá vêm clichêzão na sua timeline…

Descrição acessível: um jardim de flores amarelas com fundo desfocado, sob a flor central pousa uma borboleta de diversas cores, amarela, branca, preta, verde, laranja, com desenhos abstratos e em formas de olhinhos em suas asas.

eu nunca fui muito boa com isso,

essa história de felicidade,

fugindo da lógica e das máximas,

nunca corri atrás de quaisquer felicidadezinhas que pudessem ter sobrevoado meus jardins…

ao contrário,

elas sempre me assombraram.

ai tu me pergunta,

“como assim? correr fora de ser feliz?”

ué e não tem gente q foge de medo de borboleta, pois mais bonitinhas e coloridas que estas sejam?

então me deixa no direito de correr do mistério de ter de me entregar,
da agonia de não saber o próximo passo,

me permita continuar no lodo, pois é nele que eu sei viver.

não sei do sol, nunca gostei,

sou bicho notívago e solitário.

ou ao menos era assim que eu me sentia feliz,

não sendo feliz, entende?

como se a felicidade pertencesse aos outros,

que não era de merecimento de uma pessoa como eu.

então eu tinha um lugar secretozinho que eu mantinha em mim,

pois dos meus contos de fadas, cuidava eu,

onde construí e destruí castelos.

este meu mundo que tinha nome e sobrenome,

e que já não lembro mais…


mas eis que a felicidade desponta pela primeira vez,

e eu que achava que amores platônicos ou sofridos eram os certos,

me vi sendo feliz antes,

antes de descobrir o que era amor de verdade.

A minha primeira pétala, foi me ver pela primeira vez no espelho e descobrir quem eu era,

sem medos ou imposições, foi apenas

descoberta

e percebi que meu caminhar claudicante não me impedia,

e que o mundo giraria e não pararia pra me ver passar,

ainda bem…

dai então vieram os amores livres dos conceitos de revista capricho ou de experiências para agradar a sociedade.

eu sei…

precisei viver numa realidade alternativa pra me encontrar,

mas depois disso não precisei mais estar de acordo com o que o mundo ditava,


a segunda pétala não demorou a vir,

e talvez somente através da segunda que entendi a primeira,

mas foi a terceira que me tomou de jeito, me virou do avesso e me fez refém.

foi depois de sentir todos os meus poros preenchidos,

quando eu quase me entorpeci de felicidade,

que ela se fez algoz na sua partida.

então eu me tornei novamente aquela que preferia renegar,

mais fácil nada sentir.


foram anos renegando pétalas,

me afastando de tudo que pudesse lembrar flor,

ao ponto de acreditar que já não haveriam mais,

que as havia consumido todas.


mas a outra pétala veio-me,

como num sopro de vida.

e tão breve veio, tão brevemente ficou.

deixando seu rastro de dor muito maior do que sua presença,

a ponto de eu novamente defender que não valeria a pena,

o ensejo do sentir, com o contraponto com o que viria depois.

hoje eu sei que este amor era o que ela podia me dar, e o que eu tinha condições de receber.


a derradeira pétala ainda não a decifrei toda,

mas a encontrei onde jamais acreditei que existiriam flores.

eu novamente abissal,

devorando lembranças e amarguras no escuro da minha solidão autoimposta,

me deparei diante do espelho,

agora sobre outro viés,

um novo respiro.

o encontro foi meu com a minha alma,

e tem sido uma interpretação paulatina,

sussurrante,

mas quando eu entendê-la por inteiro talvez eu compreenda seu significado.