Filmes de heróis estão chegando ao último fôlego?

Heróis duelam entre si buscando novo fôlego com o público

Herói. Bravo guerreiro, que em prol do altruísmo, busca fazer justiça protegendo e defendendo seres mais fracos ou em desvantagem. Com estrutura semidivina, os heróis gregos eram capazes de utilizar poderes excepcionais de deuses, mas, ao mesmo tempo, se guiar pela humanidade dos homens, lidando tanto com suas fraquezas quanto com sua coragem. E ao mesmo tempo, esses ícones servem como base de reflexões até os dias de hoje. No cinema, o herói não precisa ter poderes de deuses, porém, suas ações podem salvar o dia, mesmo que não salve sua consciência.

A primeira década de 2000 será conhecida como a era do renascimento do cinema de heróis das adaptações em quadrinho. As histórias e personagens da Marvel e DC Comics foram utilizados exaustivamente pelos diversos estúdios que angariaram uma fortuna pelas adaptações boas e mesmo ruins. Em Homem-Aranha 3, ficava evidente que o desgaste tomava conta da indústria. Após isso, veio a era de ouro, com a Marvel Studios lançando Homem de Ferro e iniciando sua base com fôlego renovado e novos heróis na jogada. Agora, cerca de 16 anos da primeira obra (X-Men: O Filme) que deu início a essa fase ainda viva nas salas de cinema, a indústria se pergunta: o cinema de heróis vindos dos quadrinhos vai perder a força algum dia?

Assistindo os filmes lançados nesse ano, um misto de emoções impera. Os erros continuam ali, os acertos parecem repetitivos e a inovação não se perpetua. Tudo parece caminhar no automático, seguindo um padrão lançado há anos, aperfeiçoado há menos de uma década, mas que não encontra sinais de evolução seja da narrativa ou da construção de personagens.

Em Capitão América: Guerra Civil, por exemplo, a ideia base na construção da história é um embate político que divide os heróis, criando também um ressentimento emocional entre eles. Mas na verdade, tudo não passa do peso de carregar os poderes de deuses em contraste com a fraqueza psicológica das consequências que eles trazem. Batman V Superman: A Origem da Justiça cria o mesmo embate entre os heróis. Qual deles é o mais importante e necessário? O justiceiro das sombras ou o ingênuo deus da luz?

A construção dessa nova fase de heróis nos cinemas parece criar um novo fôlego. Entender os dilemas, os contrastes entre eles e deixar o público julgar as diferenças em razões pelas quais eles agem, seria um trunfo inesperado. Mas não é bem assim. Na execução da ideia genial, parece que ambos os filmes pecam no exagero e na repetição: ainda desejam ser aquele filme da década passada.

Em Batman V Superman, esse grande evento que dá nome ao filme é tão superficial que não gera emoção alguma, deixando a resolução na linha tênue do absurdo. Em Capitão América: Guerra Civil, por mais que Tony Stark e Steve Rogers tenham grandes diálogos e seus dilemas são até bem mostrados, o filme sempre deixa a impressão do duelo ser apenas uma passagem para algo mais importante, que de fato virá em outros filmes já confirmados.

Ambos se baseiam em mal entendidos, caminham de mãos dadas com o fetiche de ver vários heróis do mesmo universo em cena, brigando, fazendo pose e piadas. E como os tropeços com a crítica especializada nem sempre vão de encontro com o que o fã dos quadrinhos esperava ver e vice-versa, é impossível saber se esses filmes todos são realmente bons ou não.

No fim, o que nos resta em analisar quase 20 anos do renascimento dos filmes de heróis, sendo levados a sério como guerreiros buscando a paz mundial e a redenção pessoal, é esperar que com o desgaste iminente dessa era de ouro, nos leve ao clímax e ao que vem depois. Afinal, os filmes de heróis tem como base seus semideuses e com uma a vasta lista deles a disposição, pode-se esperar surpresas agradáveis. Resta saber se os estúdios estão prontos para isso ou se ainda vão repetir o que tem sido feito há 16 anos. Os heróis gregos parecem que tem muito a ensinar Hollywood, ainda.

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