[Fiz a Travessia] Larguei uma posição respeitada numa empresa de moda feminina para destinar meus talentos, tempo e energia em projetos que tivessem mais significado pra mim.

A entrevistada de hoje é a Patricia Rodrigues, da série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

Nome: Patricia Rodrigues

Idade: 40 anos

Antes era: Superintendente de Marketing (empresa de moda feminina)

Hoje faz: De um tudo na minha empresa, a Mais que Isso — marketing com sentido

Patricia Rodrigues

Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje?

Patricia Rodrigues: Porque o que fazia antes deixou de fazer sentido. Comecei a ficar incomodada com a falta de propósito, comecei a achar que podia destinar meus talentos, tempo e energia em projetos que tivessem mais significado pra mim.

Lella Sá: Por que você decidiu sair da onde estava?

Patricia Rodrigues: Foi quase uma loucura rs. Eu trabalhava nessa empresa há 8 anos. Tinha um posição respeitada, era ouvida e sei que fazia diferença na liderança da empresa.

Fashion Business Mercatto

Anos antes se iniciou um processo de sucessão familiar, na diretoria. Só que eu já havia conquistado muita autonomia. De repente, comecei a me sentir podada e só então percebi o quanto autonomia era importante para mim. Além disso, a empresa em que eu trabalhava estava precisando urgentemente de um projeto de branding. Originalmente atuante no varejo, em menos de 2 anos se tornou multicanal, o que vinha gerando uma série de ruídos.

Parcialmente patrocinada pela empresa, eu fui fazer uma especialização em branding. E coordenei um super projeto, que duraria um ano, com esse objetivo. Fiz a apresentação da proposta e a diretoria amou. Aquilo definitivamente, além de estar me deixando muito envolvida, traria resultados muito importantes para a marca. Logo depois, no entanto, recebi o feedback de que o projeto precisaria ser adiado…problemas internos de gestão. Por tempo indeterminado.

Ali eu percebi que não teria mais fôlego para continuar. Pedi demissão logo depois. Fiquei preparando minha saída por 4 meses.

Lella Sá: Como fez essa mudança?

Patricia Rodrigues: Eu saí da empresa e fui viajar de férias. Precisava me dar boas férias de presente. Eu e meu marido ficamos 40 dias viajando. Eu estava grávida e não sabia! Na viagem, fiz planos mil. Fiquei entre dois caminhos: procurar uma recolocação em branding (meu novo objeto de estudo) ou montar meu negócio. E comecei a desenhar um plano de negócios absolutamente informal.

Quando cheguei no Brasil, descobri a gravidez de 13 semanas! Ou seja…buscar a recolocação ficou inviável. Mas não fui direto me dedicar ao meu negócio. Fiquei fazendo freelas, dando palestras, consultorias, boa parte da gravidez. Foi fantástico, porque já comecei a sentir na pele o impacto financeiro da minha decisão (várias pessoas me diziam que um deveria buscar a antiga empresa e pedir recolocação, pra garantir minha licença maternidade. O que acho até que eles fariam), mas também enxerguei o quanto isso não era a coisa mais importante. Primeiro porque a flexibilidade de horário me permitiu curtir demais minha gestação (aí eu percebi que flexibilidade também era muito importante na minha vida). Segundo porque não deixaram de surgir convites de trabalho! Eu estava tão confortável e confiante, que as coisas foram acontecendo!

Quando eu estava com 6 meses, me convidaram pra trabalhar full time num projeto de branding pra um escritório de cenografia conceitual. Experiência deliciosa. Tive meu filho e retornei ao escritório 4 meses depois.

Quando retornei, só aí o projeto da Mais que Isso (minha empresa) começou a falar mais alto. Comecei a desenhar de fato como seria, já tinha começado um coach focado em empreendedorismo. E, em julho de 2015, tirei a empresa do papel.

Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Patricia Rodrigues: Ainda são muitos. Mas acho que assumir o protagonismo do negócio continua sendo um desafio. Dizer não, está entre eles.

Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

Patricia Rodrigues: Está me obrigando a ser mais coerente. Estabelecer melhor minhas prioridades. Nunca fui a rainha das planilhas e agora não vivo sem elas! Risos.

Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

Patricia Rodrigues: Um futuro onde o trabalho é resignificado. As relações de trabalho igualmente. Eu sempre digo que só quero trabalhar com pessoas que gostaria de tomar chopp. Caramba, não quero qualquer cliente. Quero ajudar outras pessoas e marcas a entenderem o sentido do trabalho e a importância do propósito de vida.

Evento da Mais Que Isso

Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Patricia Rodrigues: Comece por uma avaliação muito sincera do que faz sentido pra você, sem romances. As pessoas dizem que seriam felizes se vivessem com uma mochila, viajando por todo mundo. Mas, quando você pergunta se elas lidariam bem com o fato de receberem uma ligação do outro lado do mundo avisando sobre a doença terminal de uma pessoa querida, pensam ‘putz, ficaria na merda, quero estar perto, me sentiria muito culpada’. Então, muitas vezes saber o que você ‘não dá conta’ é mais importante do que tentar responder o que te faz feliz. A partir daí, vem uma jornada inicial e fundamental de auto conhecimento, transferindo seus valores pro seu trabalho. Empreender não é obrigatório no sentido de abrir um negócio! Funcionários podem ter atitudes empreendedoras, por que não? Buscar significado no trabalho passa obrigatoriamente por buscar significado na vida e nas suas relações. A partir daí, é desdobramento. Plano de trabalho!


Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça o Programa Travessia.


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