[Fiz a Travessia] Saí da Havaianas para abrir um negócio e virar mãe em tempo integral

Nome: Maithê Bonavilla Seglio Garlipp
Idade: 36 anos
Antes fazia: Gerente de Co-Branding Havaianas
Hoje faz: Sócia Proprietária Espaço Lá na Vila e mãe em tempo integral morando em Paris

Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje?

Maithê Bonavilla Seglio Garlipp: Na verdade fazer o que faço hoje só aconteceu de fato pois tomei uma atitude.

Tanto eu como meu marido já tínhamos um antigo sonho de viver uma nova experiência em outro país. Eu sempre tive um espírito empreendedor adormecido dentro de mim louco para ser colocado em prática. A realidade que nos apresentava em nossas respectivas carreiras corporativas não eram nada promissoras e chegou a um ponto de que precisávamos ser protagonistas das mudanças que gostaríamos de provocar.

Sentimos que era hora de, literalmente sair da zona de conforto e enfrentar ônus e bônus dessa decisão que já vinha sendo amadurecida por nós há alguns anos. Mas, o gatilho mesmo que nos fez colocar nossos planos em prática foi a morte prematura do meu pai em 2014.

Lella Sá: Por que você decidiu sair da onde estava?

Maithê Bonavilla Seglio Garlipp: Morar fora do país, viver uma nova experiência e no meu caso empreender sempre fez parte dos meus planos e do meu marido. Amadurecemos a ideia ao longo de alguns anos, escolhemos nossas prioridades, tivemos nosso filho, planejamos em 2013 um horizonte de 4 anos para realizar este sonho mas, com a morte repentina do meu pai em 2014 foi o combustível que faltava para o “click” do: “a vida é uma só, não sabemos quanto tempo iremos viver, então o tempo é o aqui e o agora”. Viver a doença do meu pai, apesar de ter sido um período muito intenso e sofrido , nos fortaleceu e amadureceu muito.
Em termos profissionais estávamos ambos com cargos razoáveis e de certa forma estáveis em grandes corporações.
Os salários somados não eram ruins, conseguíamos manter um padrão de vida de certa forma confortável, com viagem em família para algum resort no nordeste uma vez por ano, almoçar fora aos finais de semana, ser sócio de um clube, fazer academia, nutricionista, filho em escola bilíngue, carros bons na garagem, enfim, não sobrava mas também não faltava. Tudo sempre na média….
Mas, ainda assim, com tudo isso, nos sentíamos incompletos. E esse sentimento gritou mais alto. Era preciso realizar, viver mesmo sabendo que não seria um processo fácil, sem perrengues ou dúvidas. Pelo contrário. Sair da zona de conforto dói mas fortalece e de fato preenche. Hoje estamos nos sentindo mais completos, plenos individualmente, enquanto casal, no papel de pais, em nossas relações com na nossa família e amigos. Temos muito orgulho do que conquistamos até aqui, do futuro que estamos construindo e do legado que queremos deixar.

Lella Sá: Como fez essa mudança?

Maithê Bonavilla Seglio Garlipp: No réveillon de 2014 para 2015 fizemos as contas, meu marido decidiu aplicar para um MBA que ele queria muito, estudou loucamente, ainda trabalhando, não tinha noite, finais de semana, feriados, férias, eu fui mãe e pai por alguns bons meses, mas tudo valeu a pena, pois ele foi aprovado.
A partir daí refizemos todas as contas e decidimos fazer esta mudança ainda que com todas incertezas que existiriam pela frente. Mas, resolvemos querer “matar um leão por dia” e seguir em frente. Afinal, o que poderia ser mais difícil e doloroso do que passar pelo que passamos com a doença do meu pai em 2014? Pra gente: Nada seria pior!

Depois da fase inicial de adaptação a um novo país, cultura, língua, resolvi junto com minha família, que era hora de começar a colocar a mão na massa e tirar da gaveta o plano de empreender.

O curioso é que tudo já estava pronto, na mão para acontecer. Já tínhamos o espaço de eventos construído. Era nosso. Pois lá era o local que meus pais construíram para abrigar suas respectivas empresas (um buffet e um escritório de engenharia). O espaço também tinha uma identidade muito particular. Uma atmosfera festiva, alegre, aconchegante e intimista pois fazíamos nossas festas e eventos de família lá. Faltava na verdade muito pouco para torná-lo um espaço comercial e somando forças, habilidades e competências individuais conseguimos evoluir. Em menos de um ano já temos mais de 2.000 seguidores, nossa agenda de eventos tem crescido dia após dia, o feedback dos clientes não poderia ser melhor, estamos aprendendo diariamente, dedicando muito tempo para fazer acontecer e felizes por ter dado esse passo importante.

Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Maithê Bonavilla Seglio Garlipp: Sair do mundo corporativo, que sempre foi o único mundo que eu conhecia, desde os meus 18 anos, não foi fácil. Me deparar com uma nova realidade onde sou aqui uma estrangeira, em um novo país, nova cultura, língua, com novos papéis como dona de casa, mãe em período integral e empreendedora posso dizer que não foi e não tem sido uma tarefa muito fácil.

Mas, tenho vivido um momento único na vida pois, só assim, pude de fato mergulhar no meu auto conhecimento, me dedicar ao negócio que tenho hoje em família e perceber habilidades e competências que estavam meio enferrujadas mas que hoje tenho tido oportunidade de utilizar e sentir muito prazer nisso. Digo que sair do ‘piloto automático’ e ter o tempo a meu favor foram as melhores recompensas que tenho tido. E, isso não tem preço.

Lella Sá: Como ficou a questão da grana em meio a incerteza?

Maithê Bonavilla Seglio Garlipp: Para mudar de país e embarcar nesta nova experiência, fizemos e refizemos milhões de vezes nossas planilhas financeiras. Cenário 1, 2, 3…20. O cenário não era o dos mais otimistas. Vivemos a maior desvalorização da nossa moeda dos últimos anos. Nossas respectivas empresas não quiseram negociar nossas saídas, perdi direito ao bônus anual, enfim… contra tudo e contra todos embarcamos com dinheiro contado, empréstimo, vendemos carro, alugamos apartamento e aqui estamos desde setembro de 2015 com dinheiro contado até o final do curso.

Hoje estamos assumindo um risco. Meu marido já está tentando recolocação no mercado, com foco em permanecer fora do Brasil para buscar enriquecer ainda mais a experiência que vivemos aqui: não só estudar, mas também trabalhar fora para quando voltarmos ao Brasil ele possa voltar em um cargo relevante e mais valorizado. Hoje, com meu empreendimento, ainda não ganho um centavo. Mas, sei que isso é questão de tempo e isto é consequência. Alguns outros prazeres não tem dinheiro que pague e hoje estou me permitindo ter esse privilégio pois se estou vivendo este sonho hoje foi com certeza graças a muitos anos de ralação.

Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

Maithê Bonavilla Seglio Garlipp: Acredito que o futuro que consigo enxergar é de fato muito diferente do que eu vivi até então. Talvez injusto de ser comparado pois vejo como momentos de vida muito distintos. Hoje dou valor a coisas e pessoas que antes eu não dava. Tenho mais gratidão por pessoas que ajudam sem esperar nada em troca. Estou percebendo a importância da atitude colaborativa, da troca de conhecimento, das conexões que permitem dividir ideias, crescer junto, lidar com as diferenças, ter menos pré-conceitos, enfim… ser exemplo para meu filho. Sentir orgulho das nossas escolhas, viver com menos e ainda ser mais feliz. Acho que é isso.

Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Maithê Bonavilla Seglio Garlipp: Eu diria que não existe uma receita ou resposta pronta. Você precisa se auto conhecer e entender sua essência, o que faz sentido para você e principalmente o que não faz. Planejar, planejar e planejar. Colocar no papel, priorizar, tomar atitudes. Buscar realizar coisas que tenham um propósito e objetivo claro e que te faça mover, que venha para somar. Tem que brilhar os olhos, motivar. Ter humildade para reconhecer que precisa de ajuda. Ajudar o próximo de coração pois é dessa forma que as coisas acontecem, o universo literalmente conspira à favor e as coisas boas simplesmente acontecem!!!

Nesta mesma época, meus irmãos e eu, junto com minha mãe que já era empreendedora, unimos forças e nasceu o Lá na Vila. Um espaço para eventos, que nada mais era do que o espaço já concebido anos antes pelos meus pais para abrigar seus próprios negócios e aos finais de semana e datas especiais celebrar e festejar com amigos e familiares.
Este espaço, tão especial e construído com tanto sacrifico e carinho, já estava pronto.


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