Forças e Fraquezas de Marina Silva

Marina Silva em entrevista ao Jornal Nacional da Rede Globo

Marina Silva é a única mulher bem colocada nas pesquisas de intenção de votos para as eleições presidenciais de 2018. Manuela D'Ávilla retirou sua candidatura para ser candidata a vice-presidenta na chapa de Lula e Haddad, e Vera Lucia, do PSTU, não chega a ter uma pontuação significativa. Marina é a única mulher com reais possibilidades de ser presidenta do Brasil e está utilizando essa representatividade como nunca.

Entre as eleições de 2014 e as que nos esperam agora, em 2018, muita coisa mudou. Inclusive Marina. A candidata chegou a liderar a intenção de votos de 2014, o que fez com que PT e PSDB tivessem como parte da estratégia minar sua imagem e candidatura. Esses diziam que ela era indecisa, em cima do muro. A sua "nova política", marca de seu discurso, visava manter as principais conquistas dos ultimos governos: a estabilidade econômica conseguida com o Plano Real de FHC, juntamente com as conquistas sociais dos governos Lula e Dilma, mas sem os vícios desses governos, que segundo ela, seriam responsáveis por perpetuar as estruturas da velha maneira de fazer política, com as relações conflituosas entre os interesses públicos e privados, que deram vez aos hoje numerosos escândalos de corrupção, que quase todos os grandes partidos estão implicados.

Marina então se apresentava como a terceira via. A estratégia quase deu certo. Mas no momento decisivo, Marina oscilava entre manter o apoio das redes mais progressistas e também manter os votos dos evangélicos. Voltou atrás em seu programa de governo, que criminalizava homofobia, e isso se não destruiu, distanciou aqueles que esperavam uma mudança de governo e que viam nela uma possível saída ou renovação. Se ela era capaz de voltar atrás em um plano de governo quando pressionada por religiosos, como enfrentaria a bancada ruralista, uma das mais conservadoras do congresso brasileiro? Esta foi uma das perguntas feitas pelos entrevistadores na participação da candidata na sabatina realizada pelo Jornal Nacional da Rede Globo.

O que vimos é que em 2018, Marina usa o cenário a seu favor, segue com visões parecidas, mas parece ter aprendido com alguns erros. Soube aproveitar-se da ausência de Lula, do desgaste do PT e do PSDB, e agora posiciona o seu discurso mostrando-se como uma mulher guerreira e de origem humilde, que nasceu num lugar praticamente esquecido do Brasil, e que aos 10 anos trabalhava num seringal para ajudar a pagar a dívida que o pai contraiu com o patrão. Nesse contexto quase hercúlico, que lembra a própria biografia de Lula, Marina só pode ser alfabelizada aos 16 anos, deu a volta por cima, formou-se em história, se tornou professora, ambientalista, elegeu-se vereadora em Rio Branco, deputada estadual, senadora, além de ter sido ministra do meio ambiente no goveno Lula, setor em que é uma das referências no país.

Se por um lado, como destacado na entrevista pelos jornalistas, a Rede, partido de Marina, tem pouca representação no congresso e isso também traz à tona a discussão sobre governabilidade, principal problema enfrentado no governo Dilma, por outro, Marina tem a seu favor estar entre os poucos não investigados por corrupção, num momento em que a corrupção é uma das principais preocupações do povo brasileiro.

Afinal, o que falta para Marina decolar?

Marina Silva é a única mulher entre os primeiros colocados nas pesquisas para eleições presidenciais de 2018

Nas ultimas pesquisas de intenção de votos em que é dado o cenário sem o ex-presidente Lula, Marina figura na segunda posição e é uma das possibilidades de enfrentar ao candidato Jair Bolsonaro, que atualmente ocupa o primeiro lugar nas pesquisas de opinião. No debate da Rede TV!, Marina viralizou depois de um embate com Bolsonaro sobre diferenças salariais entre homens e mulheres.

As mulheres são atualmente a maior parte dos eleitores e a maior parte entre as pessoas que ainda estão indecisas. Num cenário em que as mulheres cada vez mais cobram por representatividade, e que está em voga o discurso de que mulheres devem ocupar os espaços de poder e buscar por igualdade salarial, Marina mostra que soube fazer essa leitura e tem focado nesse público.

Nos ultimos minutos do Jornal Nacional, reservados para o candidato falar sobre o Brasil que quer para o futuro, Marina foi direta ao fator de representatividade, como alguém que tem em suas origens, muitas dificuldades, como a maioria dos brasileiros: "Sou mulher, sou negra, mãe de 4 filhos, fui seringueira, empregada doméstica e me alfabetizei aos 16 anos e eu sei que muita gente que acha que pessoas com a minha origem não tem capacidade para ser presidente, eu estou aqui trazendo mais que um discurso, uma trajetória".

Para quem busca um candidato com valores progressistas, Marina deixa a desejar: Apoiou Aécio Neves e respondeu que à época não sabia dos mal feitos do candidato. O apoio ao impeachment de Dilma Rousseff é outro fator que cria descenso entre os seus possíveis apoiadores, que inclusive fez com que integrantes abandonassem seu partido. Mas num canário polarizado, caótico, em que estamos à mercê de eleger alguém como Bolsonaro, Marina parece uma alternativa mais amena para os eleitores que fogem de Bolsonaro e também do PT.

A entrevista completa pode ser vista abaixo:

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