Gênero: uma bomba de tempo armada na cultura árabe

As mulheres invadiram as universidades

Zainab Mohammed, CEO de uma construtora em Dubai, é uma das 100 mulheres árabes mais influentes (aquila-style.com)

Todos sabem o poder transformador da educação. Os resultados sempre surgem após qualquer pessoa ter contato com o conhecimento. Esta realidade ocorre no mundo árabe, com positivo destaque às mulheres, que tomaram as universidades.

O mundo árabe passa por uma transformação desde a década de 1960, acentuada na virada do século. Depois de terem seus territórios esfacelados com o fim da Primeira Guerra Mundial, os árabes se viram obrigados a se reunirem em nova configuração político-geográfica e obtiveram com a exploração do petróleo, seu ativo natural, os recursos para a questão econômica.

A guinada dos árabes não está somente no recurso financeiro advindo do petróleo, mas no investimento educacional que os líderes dessas nações fizeram em seus descententes.

A política no mundo árabe é diferente da lógica ocidental. Também não é um celeiro de ditadores, como se apregoa no ocidente. Isso é fruto de uma proposital política de difamação, fato que ficará para um outro texto. A sociedade árabe tem uma estrutura patriarcal, com profundos vínculos em sua tradição. Assim, qualquer um da região espera um governo decidido, central e forte, pois é assim dentro da casa de cada um deles. Em pleno século XXI prevalece a lógica tribal. Ainda existem monarquias absolutistas em vigor, como é o caso do Sultanato do Omã. Mas não são ditaduras, como apregoado pelo ocidente.

Os atuais governantes, filhos dos patriarcas que fizeram a transição do pós-guerra— Qatar, Omã, Emirado Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, principalmente — estão fazendo uma integração da cultura local com o que há de melhor nos dias de hoje nos campos social, político e econômico. Mas só fazem isso porque seus pais investiram em uma educação de alto nível, feitas nas melhores escolas europeias e americanas, para que viessem a governar seus países. Os resultados estão aí para todo mundo contemplar. Um quadro que se alterou positivamente nos últimos 50 anos. Países onde a justiça social é melhor que em muitos países europeus. E nem podemos comparar com o Brasil porque seria injusto.

Sem abrir mão da tradição, estes governantes tem dado espaço cada vez maior ao papel da educação em suas sociedades. Estão investindo em educação de alta qualidade, do primário ao superior. Quanto as universidades, proporcionam pesquisa e trazendo as grandes grifes internacionais para abrirem campus, óbvio, trazendo junto os professores, como é o caso da Sorbone, instalada em Abu Dhabi, ou convênios com universidade australianas, como feito pela Universidade de Sohar, no Sultanato de Omã; além de diversos outros centros de referência educacional. E nas mudanças sociais, as mulheres têm todo direito de estudar, dirigir, empreender e até mesmo ao divórcio, fato amparado pelo governo dos Emirados Árabes Unidos em campanha na televisão! E se você for em qualquer campus universitário, perceberá a elas são maioria nas salas de aula.

Participando de um processo seletivo para um MBA numa universidade local, havia 12 mulheres, 7 homens e somente 1 estrangeiro. O que isto representa para o futuro desta sociedade patriarcal e machista?

Em um futuro próximo, talvez em menos de 20 anos, arrisco prever, o papel da mulher na sociedade árabe precisará ser revisto. Os homens, muitos deles, pelo simples fato de sua condição de gênero, lógico, agem como se o status quo não pudesse sofrer abalo.

As mudanças já começaram. Basta entrar nas empresas, sejam locais ou multinacionais, e muitas mulheres árabes estão ocupando cargos gerenciais, como na imagem que ilustra este texto. Sofrem com o fator cultural, pois muitos homens se sentem ofendidos por terem que reportar a uma mulher árabe em posição hierárquica superior. Há maior aceitação pelas estrangeiras, por já saberem que sua condição na cadeira é transitória.

As mulheres nas universidades somado aos efeitos da comunicação de fácil acesso serão fatores que mudarão a configuração da cultura árabe em breve. A Primavera Árabe foi o reflexo da comunicação. A educação, cujos resultados aparecem mais a longo prazo, despontará com maior intensidade logo.

No mais, é importante manter-se atento a esta movimento baseado na questão de gênero que ocorre no mundo Árabe.


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