Guia de Sobrevivência Eleitoral para Quem não Entende de Política

…Mas quer aprender

Gabriel Balbinot
Sep 1, 2018 · 9 min read

Eu me considero um ignorante político, nunca me interessei por partidos, até recentemente achava que partido era tudo a mesma coisa inclusive. Sabia a diferença básica entre esquerda e direita e achava que centro era simplesmente tirar o corpo fora. Nas 3 últimas eleições presidenciais eu consigo ver a minha evolução. Em 2010, no auge dos meus 21 anos, achava propaganda política um saco, não poder ouvir meu programa de rádio preferido ou atrapalhar aquela hora INTEIRA onde eu nem olhava pra televisão, mas ainda assim achava super chato.

Agora em 2018 eu me considero um jovem-adulto de 29 anos e de esquerda, mas ainda não o suficiente sábio no campo da política para fechar com as ideologias de algum partido em especial. Como trabalho com criação gráfica sem o atendimento direto aos clientes, posso trabalhar de fone, então passo boa parte do meu dia de fone, variando entre música e “ouvir” conteúdo no youtube. Programas com o Roda Viva com os candidatos e os debates políticos fazem parte da minha rotina diária, então, logo de largada já tenho meu candidato definido.

Feita essa pequena introdução, a ideia desse texto não é falar sobre quem é melhor ou pior, quais consequências cada candidato pode trazer para o futuro da economia, a importância da filiação partidária, ou o impacto das fake news no resultado final. Digo isso por saber que não sou qualificado para essa função, as pessoas que vão falar disso, são pessoas que sabem do que estão falando.

1 — Entenda as Definições

(Eu sei que existe muito mais profundidade nessa questão e não é só entre esses eixo que se define, mas vamos manter o mais simples possível, para quem está começando.)

Extrema Esquerda, Esquerda, Centro-Esquerda, Centro, Centro-Direita, Direita, Extrema Direita…

Fonte: Politize

Ah, essa é fácil, direita é quem está no poder e esquerda é quem quer derrubar né? Tipo oposição!

Não, e se você entende isso dessa forma, não se sinta mal, eu já pensei assim e boa parte da população também pensa. Isso não te faz burro, só diz que você nunca se aprofundou nessa questão.

Antes de tudo, esses dois termos, segundo definição do site politize! surgiram durante a revolução francesa onde os conservadores, que queriam manter o sistema de governo tradicional sentavam-se a direita do orador, já os que queriam mudanças sociais e maior poder politico para os que não pertenciam ao clero e a aristocracia, a esquerda.

Nos dias de hoje, de forma resumida, podemos definir da seguinte maneira:

Esquerda: Um sistema voltado para o coletivo, onde o indivíduo, enquanto parte atuante da sociedade é responsável pela mesma. O governo por sua vez é responsável por manter a igualdade social e as condições de vida, não só suprir as necessidades básicas, mas transformar a qualidade de vida o melhor e mais igualitária o possível. Ou seja, o mais rico, por possuir maior número de recursos financeiros é o responsável por auxiliar a melhorar a qualidade de vida dos mais socialmente vulneráveis.

Direita: Um sistema mais individual, onde os seus recursos, os seus méritos são conquistas suas e é sua responsabilidade lidar com as coisas que acontecem, sejam elas boas ou ruins. No coletivo, tem como base o direito igual a todos perante a lei, e que as pessoas menos favorecidas devem ser ajudadas sim, mas somente se isso for vontade do indivíduo, já que a pobreza é um reflexo da natureza competitiva da vida em sociedade.

Centro: Sistema conciliativo que não busca mudanças radicais tanto para a direita quanto a esquerda, focando assim na ideia de que o captalismo é importante para a captação de recursos e crescimento individual, mas que, se necessário, o estado deve interferir e apoiar as questões coletivas.

Saber se você acha que todo indivíduo é parte de um todo ou se todo seu esforço para crescer na vida é algo que deve ser respeitado acima do bem geral é o primeiro passo para entender a política e que essa história de “Nem esquerda, nem direita, meu partido é o Brasil também é um posicionamento político e te aproxima mais do centro do que você imagina. As outras divisões são variações das descrições acima, sendo mais ou menos radical na forma de pensar.

2 — Debata sobre política

Em um vídeo recente a Jout Jout falou uma frase sensacional sobre esse tema, aliás o nome dele já é fantástico, “Política se Discute, sim, Vó”, e a frase em questão era: “Uma pessoa fala para a outra o que acha, e essa aqui não escuta, se ela for educada, vai esperar a outra parar de falar e aí ela vai falar o que ela acha sem levar em consideração o que a outra disse”.

Outra parte maravilhosa desse vídeo é “Mas o que acontece quando a gente discute, é tentar provar o quanto a outra pessoa tá errada. Enquanto a pessoa tá falando a gente tá pensando em quais argumento a gente vai usar para mostrar o quanto ela é burra”.

Dito isso, aceitar que não devemos debater política, ou que não devemos falar sobre quem vamos votar, afinal o voto é secreto, é o mesmo que dizer “eu aceito minha ignorância e não quero sair dela”. Assim como qualquer outra área da vida, é muito mais fácil aprender através da troca de informação do que sozinho. Eu tenho um amigo que é de extrema esquerda e uma amiga de extrema direita, e aprendo DEMAIS com os dois. Mesmo que tenha pontos que não concorde com cada um deles, falar sobre isso só serve para aumentar minhas certezas em relação a cada uma das minhas crenças ou para desistir delas de vez por realmente não fazer sentido.

t.marie nolan em Visualhunt / CC BY-NC-ND

Estar aberto a ouvir o outro, mesmo que você seja 100% Bolsonaro e que ache ele é a única salvação para o país, pode fortalecer o seu apoio a ele, assim como o contrário, acabar vendo que as ideias dele não são tão boas assim, ou que ficar com o pensamento de que qualquer um que não for ele serve, talvez não seja uma ideia tão boa assim. Lembrando que, não digo isso para colocar como bom ou ruim, mas dei o exemplo por ser o cenário mais intenso dos “eu não discuto política”, tanto quem ama quanto quem odeia, não se dá ao direito de falar sobre.

3 — Leia e Busque Informação

Sim, vivemos um momento em que as fake news estão em alta, mas uma coisa que não pode ser deixada de lado é a busca por informações, não foque na questão sensacionalista, pelo menos não inicialmente, existem sites e ferramentas fantásticas que podem ajudar nessa questão, sites públicos de prestação de contas e sites privados que mostram o passado do candidato. Algumas das ferramentas que facilitam o processo são;

Site Oficial do TSE — Eleições 2018

Calendário Oficial, lista de candidatos, levantamento de estatísticas e prestação de conta.

Com certeza o site mais completo na questão de acompanhamento técnico das eleições, nele é possível ver a média de sexo, cor, idade, escolaridade e até profissão dos inscritos em 2018. Outra vantagem do site é que, por se tratar de um site do governo, atua com neutralidade e, por mostrar apenas informações técnicas e legais, não apresenta nenhum tipo de direcionamento tendencioso ou focado em candidatos ou partidos.

Detector de Corrupção — Reclame Aqui

Um aplicativo baseado em tecnologia de reconhecimento facial que ajuda a confirmar se o político que você tem intenção de voto é ficha limpa ou não. Tirando uma foto do mesmo (seja pessoalmente, por santinho ou pela tela do computador e até durante o debate é possível levantar a ficha do mesmo. A única exceção é o caso de processos que correm em segredo de justiça por não serem acessíveis. Disponível para celulares Android e para Iphone

Politize!

Tranquilamente o site mais completo que já encontrei sobre, desde temas envolvendo a história da política a quiz para testar o seu conhecimento sobre o tema. Assim como os anteriores, possui espaço para acompanhamento dos dados eleitorais e informações gerais sobre os candidatos.

Um grande diferencial do Politize! é que ele oferece cursos gratuitos com certificado para o cidadão que quer levar o aprendizado político mais a sério e se aprofundar no tema.

4–2018 Não é só Presidente

Você sabe dizer quais são os cargos envolvidos na eleição de 2018? Além do Presidente, temos Governador que você provavelmente lembrava. Além disso, temos Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual. Abaixo vamos falar um pouco das atribuições de cada um deles. (Além dos vídeos explicativos no nome de cada cargo acima)

Presidente

O presidente é a pessoa responsável pelo funcionamento do Brasil enquanto nação, ele define o plano de governo com programas prioritários, apresentar projetos de lei e propostas de Orçamento. Ao contrário do pensamento popular, ele não possui poder absoluto para fazer o que bem quiser e não é capaz de salvar ou mudar o rumo de uma nação por conta própria.

Além dessas atribuições ele nomeia os ministros, sanciona leis e emite decretos, define as relações de política externa e possui o poder militar para entrar em guerra ou fazer acordo de paz com outras nações.

Governador

O governador possui poderes na esfera estadual, auxiliado pelos secretários de estado, sendo responsável pela segurança pública com o apoio da Polícia Civil, Militar e do Corpo de Bombeiros para manutenção da ordem. Outra de suas funções é manter a unidade nacional dentro de cada Estado e do Distrito Federal.

Senador

O senador é o fiscal do poder Executivo, sendo o responsável pela elaboração das leis. Além disso, possui o papel de processar e julgar nos crimes de responsabilidade, o presidente e o vice-presidente, os ministros e os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, os ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o procurador-geral da República e o advogado-geral da União.

Deputado Federal

O deputado federal tem o papel de representar o povo na esfera federal. Fiscalizando as ações do presidente e fazendo leis de âmbito nacional, eles também podem apresentar projetos de leis ordinárias até emendas à constituição e a criação das CPIs, além de discutir e votar as medidas provisórias do poder Executivo

Deputado Estadual

O deputado estadual é o representante na Assembléia Legislativa (ou Câmara Legislativa do Distrito Federal). Sua principal função é de a de legislador, ou seja, legislar, propor, emendar, alterar e revogar leis estaduais. Também fiscalizam as contas públicas e outras atividades dependendo das leis vigentes em cada estado.

Sabendo o que cada um pode ou não pode fazer, fica muito mais fácil participar da política como um todo. Atribuir a função e proporção certa para cada um é uma ótima forma de não criar expectativas ou cair em promessas que não irão acontecer por alguém naquela função.

5 — Se Importe e Vote

Esse conjunto de informações presente aqui é só um pequeno apanhado para começar a entender. Mas uma dica que funciona muito para esse caso é: Vá além, não espere informações mastigadas e prontas de veículos de informação. a New Order está com uma sessão especial única e exclusivamente criada para esse tema e as consequências futuras do mesmo, só aqui você encontrará conteúdo o suficiente para, se não debater com propriedade, ser capaz de escolher o seu candidato e a importância do voto.

Sem aquele pensamento de não é problema meu, é só um voto ou não faz diferença nenhuma. É do seu futuro que estamos falando aqui, você participando ou não é como as coisas vão ser para você que vão ser definidas nessa eleição. Pergunte a si mesmo, uma decisão tão grande como a construção do seu futuro vale ser deixada na mão dos outros?

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Gabriel Balbinot

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Metido a escritor, metido a cozinheiro, metido a designer, metido a metido.

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