Invocação do Mal 2 não revoluciona o gênero, mas pode ser considerado um clássico moderno

O Poltergeist de Enfield foi um dos casos paranormais mais documentados da história. Nele, uma família composta por uma mãe e quatro filhos percebe uma manifestação paranormal na casa e, logo em seguida, passa a tomar o corpo de Janet, uma de suas filhas. Vizinhos, imprensa, policiais e estudiosos relatam, em documentos oficiais e entrevistas tudo o que viram. E apesar do casal Warren não constar em nenhum dos arquivos, a história serviu de base para o roteiro de Invocação do Mal 2.

Também dirigido por James Wan, o filme mantém a premissa de seu antecessor, com Ed e Lorraine Warren como protagonistas enfrentando mais um caso paranormal. Desta vez, o casal acabara de solucionar o caso de Amityville, quando é chamado pela igreja para viajar à Inglaterra e observar o caso de Enfield de perto, pois apenas a confirmação do casal os fariam tomar conta do caso.

Há muito tempo, o gênero do terror passa por uma certa crise. Filmes com pouca inspiração e no piloto automático dominam as salas com certeza de público, este muito fiel. Os enredos são fracos, pecam por finais genéricos e o que antigamente era feito para se ter medo, angústia, hoje virou apenas uma máquina de sustos. Porém, há algumas pessoas em Hollywood dispostas a trazer o gênero ao seu auge novamente, James Wan é uma delas.

O diretor conseguiu, em 2013, com Invocação do Mal dar um novo fôlego à categoria. Portas e corredores davam o ritmo em um filme maduro. Ele conhecia seu público, e, mesmo com diversos clichês, se preocupava muito mais em entregar o que prometia, o que incluía uma estética clássica e muito inteligente.

Invocação do Mal 2 possui o mesmo potencial do primeiro. Desta vez, Wan não precisava conquistar seu público, mas agradá-lo, e conseguiu fazer com muita maestria. O diretor malaio não precisou reinventar a roda nem inventar muito, bastou utilizar fórmulas parecidas e um pouco mais de ambição para que o resultado saísse de forma mais satisfatória que o esperado. Destaque também para as questões técnicas, como a bela fotografia e montagem dinâmica.

O primeiro ato do filme é uma verdadeira obra prima. Com o foco maior na família de Enfield, o longa abusa do suspense, geração de expectativa e alguns sustos esporádicos. O espectador fica a todo momento esperando algo, seja ele num desfoque, algum canto escuro, ou até mesmo no silêncio de cada take. As sequências bem elaboradas e a construção da narrativa fazem com que ele não se torne gratuito, susto-por-susto. Alguns podem reclamar do excesso de cenas de diálogos, mas ele realmente dá tempo para que os personagens se apresentem e criem uma ligação direta com o espectador.

Quem contribui muito para isso são as excelentes atuações da mãe Peggy, interpretada por Frances O’Connor e a talentosa mirim Madison Wolfe no papel de Janet. A garota executa um trabalho surpreendente com um olhar firme e tensão profunda.

No outro núcleo, vemos os Warren, mais uma vez muito bem interpretados por Vera Farmiga e Patrick Wilson, em casa, enfrentando as consequências do caso de Amityville tanto com as entidades paranormais, quanto com o mundo real. Esse lado é um pouco mais arrastado e não contribui tanto para o andamento do filme a não ser para construir uma narrativa com mais gordura. Ainda assim, consegue bem, pois como dito anteriormente, os Warren não constam nos documentos oficiais do caso e os roteiristas precisavam fazer uma ligação do casal com os acontecimentos em Enfield. Uma construção bem feita, porém com cenas um tanto quando desnecessárias.

O único problema do longa está em seu desfecho. Ainda que seja um climax grandioso, ele peca por cair na mesmice dos filmes de terror atuais em geral. Tudo é muito bem explicado e isso perde um pouco da força de seu roteiro. Bastava uma conclusão mais simples e menos didática e o filme explodiria mentes.

Sem precisar reinventar a roda, Invocação do Mal 2 não revoluciona o gênero, mas traz ele de volta ao primeiro escalão do cinema com um filme de traços clássicos, a começar pelo seu letreiro de introdução(!!!!). Pela primeira vez em muitos anos (e põe muitos nisso), uma sequência chega tão perto de ser melhor que seu antecessor. A discussão pode ir longe, mas é fato que a Invocação do Mal e Invocação do Mal 2 já entraram para o escasso hall de clássicos modernos do terror.

De 1 à 5, minha nota para o filme!

EXTRA!

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