IT: A Coisa não se resume a Pennywise. Ainda bem!

O anuncio de um remake ou adaptação para as telonas é sempre recebido pelo público com apreensão. O corpo chega a tremer, a espinha congela e aquele sentimento de quero e não quero aflora no organismo do cidadão. Não é para menos, afinal, nos últimos tempos, refazer clássicos virou uma espécie de caça-níquel, onde só o espectador perde pela baixa qualidade da experiência. Quando o assunto é terror, então, a coisa só piora.

Mas e quando junta um remake, uma nova adaptação e terror ao mesmo tempo? Esse é o caso de IT, que gerou diversas dúvidas quando anunciado e estreou recentemente nos cinemas.

A primeira parte da nova adaptação de Stephen King traz basicamente a mesma história da obra: Após o desaparecimento de algumas crianças na cidade de Derry, em Maine, sete adolescentes passam a investigar o caso e se tornam alvos do responsável pelos crimes: O palhaço Pennywise.

Este é o típico filme que tinha tudo para dar errado. Além dos fatores citados acima, a produção ainda contou com uma série de turbulências no período das gravações. A maior delas foi a saída do diretor e roteirista Cary Fukunaga, por conflitos criativos, deixando a vaga para o talentoso diretor argentino Andrés Muschietti (Mama, de 2013), que soube conduzir muito bem a situação e entregou um produto da mais alta qualidade.

Um dos grandes acertos de Muschietti é o fato do diretor não ter se rendido aos vícios do terror moderno, cheio de sustos fáceis e repetidos e pouco contexto para se contar uma história. Aqui ele está lidando com um verdadeiro blockbuster do terror e, por isso, consegue realizar uma construção de narrativa extremamente competente, que dá espaço para que o público conheça a fundo seus personagens e se importe com todos eles. Esse fator humano consegue criar uma atmosfera ainda mais assustadora pelo contexto de cada um dos protagonistas.

O Pennywise, de Bill Skarsgård, mesmo com alguns excessos de CGI (em comparação a Tim Curry, faltou ele ser um pouco mais humano, por exemplo) possui seus trejeitos e consegue assustar, ou ao menos incomodar o espectador. Mesmo assim, são os medos reais das crianças que tornam o filme realmente amedrontador, já que elas lidam com fantasmas do dia a dia, como abusos sexuais, bullying, racismo, a perda de entes queridos e até mesmo o amadurecimento. O lado humano se torna mais incômodo que o lado sobrenatural, e isso faz com a densidade e a relevância do filme fique ainda maior.

Além de funcionar como terror, o longa ainda funciona como uma aventura dos anos 80 ao melhor estilo de clássicos como Conta Comigo, também adaptado de Stephen King. Não se assuste se alguém disser por aí que lembra a série Stranger Things, pois a atmosfera é a mesma (mas não, não foi inspirada nela).

Boa parte desses méritos acontecem graças ao elenco dos protagonistas. Quem compõem o Clube dos Perdedores. As crianças dão um verdadeiro show de entrosamento e conseguem criar uma identificação impressionante com o público, seja nas horas cômicas ou nos momentos mais dramáticos. Os destaques vão para Sophia Lillis, que interpreta Bev, a única garota do grupo e com um arco dramático mais profundo do bando, Finn Wolfhard e Jack Dylan Grazer, que interpretam Richie e Eddie, responsáveis por arrancarem risadas do público a todo momento. O primeiro principalmente.

No fim das contas, It — A Coisa deixa de ser um simples filme de terror para se tornar um filme pesado, denso, divertido, profundo e, de certa forma, relevante, que aborda, de forma magnífica o confronto entre pessoas reais e seus medos, aqui personificados na figura de um palhaço. Em uma época em que o terror tem retomado a forma, este pode ser considerado a cereja do bolo do gênero. Seria precipitado dizer que estamos diante de um clássico moderno, mas que é um dos melhores filmes de terror (e aventura) dos últimos anos, isso não há dúvida.

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