Orgulho e simbolismo

Após o primeiro mês na terra da pizza estou de volta às postagens semanais. Parto de um ponto simples e simbólico, refletindo sobre a paixão nacional do italiano: sua Itália.

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tanto para contar, tanta bagagem intelectual a ser desfeita e discutida… mas por onde começar? Foi assim, tentando focar em um aspecto único, que encontrei meu assunto para esta estreia. Pensei em ressaltar um diferença, um ponto de alto contraste entre esta a vida nesta pátria e nossa realidade brasileira.

Espera, mas este cara não se propõe a escrever sobre Design? WTF :(

O que você vê nesta imagem? Pense bem, existem duas respostas óbvias.

A primeira, é claro, uma grande variedade de azeites ou simplesmente olio, como é chamado por aqui. A segunda observação diz respeito à presença de um selo ou inscrição na linha Prodotto Italiano em diferentes aplicações nas embalagens — mas sempre de forma destacada.

Você, caro leitor, poderia se antecipar e definir tal observação como uma famosa estratégia de Marketing voltado ao Turismo — principalmente em um país de reconhecimento gastronômico como a Itália mas já refuto logo. Não, estes não são produtos de exportação, nada de peças finas. São marcas corriqueiras e tradicionais, presentes ali no meu mercadinho de esquina.

Aqui temos um ponto que nos faz pensar. Demonstrações deste tipo apresentam um traço interessante da sociedade italiana. Eles valorizam seus produtos e seu país. Pagam mais por produtos que tenham uma garantia de produção nacional. Gostam de se sentir representados por sua própria cultura e abraçam os símbolos que os representam pelo mundo afora.

Faço uma pausa para adiantar que não faço julgamento de valor sobre esse pensamento aqui. Se é bom ou ruim, deixo essa reflexão para você. Eu tendo a não ver com bons olhos patriotismos em excesso mas há casos e casos. E neste caso? Me reservo o direito de guardar minha opinião para mim. Gostaria de saber a sua nos comentários, então discutimos :)

Representatividade no Design

Puxei este exemplo simplório e cotidiano apenas para apresentar tal ponto em meu discurso.

Na Itália se valoriza muito o passado de seu próprio povo, sua língua, cultura e origem, ainda que fragmentada por regiões e múltiplos povos que as habitaram. Aqui em Milão, por exemplo, ser italiano é ótimo mas ser milanês (ou lombardo) é ainda melhor!

E uma aplicação deste simbolismo regional e histórico desta terra é il Biscione — a víbora. Tal figura tem uma presença marcante na produção criativa (e por que não Design?!) do mundo todo e muito por conta deste sentimento de paixão pelo próprio povo e sua região.

Você encontra il Biscione em muitos lugares da cidade

Esta figura folclórica é composta de uma enorme cobra engolindo um homem. Há histórias que justificam-na como a representação de uma potência de guerra engolindo um turco-otomano. Outras ainda dizem ao contrário, a cobra dá a luz (vomitando?!) um homem — muito pela fama de crueldade carregada pelos primeiros senhores representados pelo símbolo.

É sabido que il Biscione surgiu como emblema de Casa di Visconti, família proeminente que controlou a cidade de Milão em meados de 1270. Com a decadência desta família no século XV o emblema acabou associado ao Ducado de Milão, e depois virou escudo de armas da Casa Sforza, família nobre que construiu o Castello Sforzesco, um dos principais pontos turísticos da cidade.

Se você tem a sensação de que já viu essa imagem em algum lugar você está certo. Ela extrapolou os limites regionais e passou de folclore milanês a símbolo mundial.

De marcas famosas à brasões municipais — na forma original ou suavizada por padrões politicamente corretos

Agradeço seus minutos de leitura! Se curtiu espalhe a palavra, vai ajudar me motivando a escrever mais sobre minha experiência em Milão e meus estudos no mestrado de Visual Design. Aproveite os minutos sagrados de sua vida e cresça sempre!