já canta Beyoncé em Pretty Hurts

meu feed do Instagram é organizado, ok. tento deixar bonitinho.

minha última viagem, por exemplo, foi ali pra apresentar um trabalho da faculdade. tirei umas — muitas — fotos na praia. uma beleza que precisava ser registrada mesmo. até hoje por vezes atualizo minha conta na quinta-feira com alguma delas junto a hashtag e o tbt (o que faz parecer que estou curtindo uma praia toda semana naquele lugar lindo). é o verão que dá pra fazer seu Instagram viver o ano inteiro. rs.

fora isso, não tem nada de tão interessante que você vai ver. não tem fotos minhas malhando na academia (ainda bem, rs.). não publico meu almoço ou café da tarde quando vou ali na esquina. minhas leituras, sim. fotos de cachorro, sim. algumas frases minhas, sim. umas selfies, sim. imagens de séries e filmes favoritos, sim. pessoas que valorizo, sim. posso dizer que é quase um blog pessoal e pra quem vê. é maravilhoso pra mim. e nem posto muito também. minha vida acontece fora dali.

acredito que não influencio praticamente nada. quase nada, na verdade, já que, às vezes, alguém me pergunta qual era o livro daquela foto que postei no stories outro dia. por vezes, alguém me pergunta a receita de um bolo que fiz em uma tarde chuvosa e passou 24 horas por ali. nada mais que isso.

sobre seguir, sigo amigos, conhecidos mais próximos, cantores e cantoras, atores e atrizes, alguns escritores e escritoras que admiro. tenho pouco mais que 500 pessoas que acompanham a minha vida por ali e é quase a mesma quantidade dos que acompanho também. nada mais que isso.

com o passar do tempo, olhando o meu feed, quem está ali, comecei a me questionar cada vez mais: quem você quer que influencie a sua vida por aqui, meu bem?

então, comecei a ficar mais interessado em colocar um filtro na minha vida por ali. já que a internet toma conta bastante do nosso dia, por que não se afastar também por ali do que não tranquiliza e não soma? foi o que fiz. cheguei a conclusão, ao lema que carrego comigo atualmente nessa loucura de ego e exposição: sigo o que me soma. caso contrário, não perco meu tempo. deixei de acumular. o que inclui pessoas, pensamentos, tudo aquilo que não vai me fazer bem ou trazer um benefício pra minha vida de fato. é a minha escolha, é o meu jeitinho, como diria a blogueirinha, essa mesma que adoro e imita as blogueiras da internet.

é uma escolha. cada um faz a sua. decidi que não quero seguir vidas que não condizem com a minha. vidas que possam causar um sofrimento desnecessário ou trazer um ideal utópico pra dentro dos meus dias sem que eu perceba. outro dia conversando com amigos e amigas disse que não acho saudável o que muito se acompanha na internet e ouvi de uns quantos o desejo de viverem aquilo que veem ali na tela. enquanto falavam, estampavam um rápido semblante de tristeza, como se as suas vidas fossem um fracasso. inclusive, tem até uma pesquisa, noticiada pela BBC, relatando que o Instagram foi considerada a pior rede social para a saúde mental dos jovens. bom, acessem-a e tirem as suas conclusões. sabemos como é uma verdade. a internet, principalmente, essa rede social, pode ser muito tóxica e o porquê: ali só existe uma suposta perfeição pra quem vê.

não vale a pena sacrificar a saúde mental em busca de um padrão. quer ir ao mercado e comprar frutas e verduras? claro, quem não quer se alimentar melhor. mas se culpar por não seguir tal dieta que 200 mil pessoas adotaram? por favor, não. sentir-se bem consigo vale mais do que qualquer foto da barriga negativa com muitos likes e comentários de quem você nunca viu na vida. vale mais ser feliz entendendo o próprio corpo da forma que é. dá-lo o tempo que precisa. pra evoluir da maneira que significa essencial pra você. pra mim, é melhor que estabelecer uma meta inatingível que não se encaixa e transformar a própria vida em uma luta horrível. não, obrigado.

precisamos aprender a reconhecer a nossa singularidade. só dar permissão a quem influencia positivamente ao nosso ser. na boa, pergunte-se: quem você quer que tenha influência sobre você? será que a sua vida é tão desinteressante? será que levar o cachorro pra dar uma passeadinha ali no parque pra tomar um ar e fazer xixi, você tomar um sorvete de chocolate e morango com bastante calda de caramelo sem culpa e ver o entardecer é tão sem graça assim? será que a felicidade só é bonita quando compartilhada em fotos de viagens em ilhas paradisíacas? será que a felicidade precisa ser fotografada pra ser de fato sentida? será que a felicidade não é tão simples e vive aí na sua simplicidade e grandiosidade todo o dia? será que você não está sendo exigente demais consigo baseado em exemplos que não vão ao encontro com a sua essência? pergunte-se.

bom, a vida no Instagram é uma colagem de momentos onde todo mundo é feliz e diz não ter problema algum. só que problemas todo mundo tem. a vida é difícil. comparar-se com fotos e vídeos postados ali é um desserviço com a saúde mental. já canta Beyoncé em Pretty Hurts: a perfeição é a doença da nação. fada sensata. love u, Bey.

espero que você comece a se prevenir disso. cerque-se do que lhe faz bem. encare-se como um ser humano que tem dias de luta e dias de glória. é assim. espero que sua ambição/desejo daqui pra frente seja realmente cada vez mais ser feliz sem nenhuma comparação. faça isso por você.