Jogador Número 1 | Até quando a nostalgia será o suficiente?

Nunca foi tão fácil viver com a nostalgia como nos dias de hoje. Basta alguns minutinhos de pesquisa no Google ou no Youtube que toda a cultura pop que passou pela sua infância vai estar disponível. O mercado, claro, percebeu esse potencial e passou a investir em produções que levassem os espectadores de volta ao tempo. Não à toa, Stranger Things é uma das séries mais aclamadas da atualidade, assim como é o caso do mais novo lançamento de Steven Spielberg, que já estreou no topo das bilheterias: Jogador Número 1.

Baseado na obra homônima de Ernest Cline, o filme se passa no ano de 2045, onde o mundo é assolado pela pobreza e a única válvula de escape é um universo paralelo de realidade virtual conhecido como “Oasis”, criado pelo nerd James Halliday (Mark Rylance) que, antes de morrer deixa um desafio: Aquele que encontrar o “easter egg” perdido ganha o controle total do sistema e toda sua fortuna. Não demora muito para que organizações privadas e usuários comuns travem uma batalha para vencer essa corrida.

Desde seu primeiro trailer, o filme deixou claro de que não faltariam referências pop ao público. Gigante de Ferro, Freddy Krueger, o DeLorean de De Volta Para o Futuro, a moto de Kaneda em Akira e por aí vai, tudo embalado pelo clássico Tom Sawyer, do Rush. Se dois minutos era o suficiente para tanta nostalgia, imagina duas horas e meia de filme.

No início, tudo é motivo para identificação, um Onde Está o Wally?. Basicamente vira uma competição entre o público sobre quem encontra mais personagens renomados em cada cena, mas isso dura pouco, já que o exercício vai se tornando cansativo e a trama parece não querer avançar. O choque entre o visual de game, as referências e uma história um tanto quanto básica acaba se tornando insuficiente. Mas calma, é de Spielberg que estamos falando.

Nos últimos anos, o diretor tem se dedicado muito a filmes politizados e tem dado pouco espaço para produções voltadas para o público mais jovem (O Bom Gigante Amigo foi seu último nesse quesito). Felizmente, seu novo projeto não só traz de volta todos os elementos do diretor, como também serve quase como uma auto-homenagem a seus trabalhos mais clássicos.

Spielberg sabe como levar uma trama com aquilo que tem e faz com que a experiência se torne divertida da metade para frente. Parece até que ele mesmo precisou se adaptar no meio das filmagens até encontrar um tom. Com isso, algumas referências passam a ser relevantes para a trama, como é o caso de O Iluminado, que serve não só como uma grande homenagem a Kubrick, como é um deleite para quem gosta do filme.

Ainda que todas essas referências sejam o carro chefe da divulgação do filme, por dentro dessa casca grossa há uma essência interessante e crítica a respeito do mundo digital. Substitua o Oasis pelo Facebook, Instagram e qualquer outro tipo de rede e as semelhanças vão aparecer ainda mais.

É legal? MUITO. Mas até quando?

Ver seus personagens favoritos sendo homenageados em outros filmes é legal? Sem dúvida. Mas esqueça um pouco as referências de Jogador Número 1, a grande força do filme e suas melhores cenas estão fora do mundo virtual, onde as relações entre os seres humanos funcionam, seja ela como sociedade ou até mesmo entre indivíduos. Porque, afinal, é isso que Spielberg está tentando dizer e nos dizer. É preciso olhar pra frente, e para as pessoas.

Até quando viveremos de referências e nostalgia? E mais. Estamos em 2018 e as maiores referências do filme não passam dos anos 90. 2045 é logo ali. O que a cultura POP nos deu de novo na última década? E o que ela tem para nos oferecer de novo até lá?

É de se pensar.


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