Tornar um nome conhecido, reconhecido e sedimentado não é tarefa rápida, muito menos fácil

Matheus Graciano
Feb 22, 2018 · 3 min read

Líderes, como surgem? Em fevereiro de 2018, presenciamos o início do Rio de Janeiro com dois governadores. Fato inédito. Um é o que foi eleito. O outro, o interventor militar. Em ambos, uma coisa em comum: nenhum deles tem uma base forte de seguidores, nem discurso reconhecido, nem nada. Apenas se envolveram na máquina estatal e tiveram sucesso com isso.

Dilma e Pezão, dois postes importantes nos últimos tempos. Foto: Roberto Stuckert Filho/ PR

O caso do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, é o mesmo da ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Os dois foram eleitos no vácuo de poder deixado pelos governantes anteriores, mais populares, conhecidos e reconhecidos para o público. E mais, num momento particularmente especial: de economia em alta.

Diferente de Rousseff, a eleição de Pezão aconteceu em um momento onde a popularidade de Sérgio Cabral tinha ido ao chão, pós junho/2013. Ainda sim, seu governo ainda era tido como de sucesso. Sem falar que a situação de 2014, ano eleitoral, estava relativamente tranquila economicamente. E isso foi fundamental para que ele saísse de 5% para o majoritário.

Líderes nascem, liderança não se aprende

Sempre bato na mesma tecla. Liderança é nata. Entretanto, nos últimos anos, com empresas buscando desesperadamente por pessoas que pudessem regê-las, esse conto da liderança aprendida foi difundido e assimilado.

Porém, o que não é explicado é que essa formação de líderes tornou-se necessária porque o número de pessoas com instrução formal de qualidade no Brasil é muito baixo. Proporcionalmente, isso reduz a quantidade de líderes nesta faixa específica de renda e educação. E o mesmo acaba acontecendo em partidos políticos.

Os casos de Luiz Fernando Pezão e Dilma Rousseff têm a ver com isso. Certamente, havia lideranças nos partidos e em órgãos paralelos que pudessem ser alçadas. Mas… será que estes estariam em consonância com o que estava sendo feito nas entranhas do poder?

E mais… líderes reais brilham. E quando se ofusca um outro líder, o incômodo pode ser gigante. Nestes casos, escolheu-se o mais fácil: eleger um poste.

Líderes, luzes e postes

Poste é uma expressão cunhada para candidatos sem luz própria. São candidatos inventados, feitos para serem eleitos com a ajuda de seus criadores, em geral, líderes com expressão que não querem ser ofuscados.

Porém, só em situações de crise que reconhecemos nossos líderes.

Aqueles com pouca habilidade de dialogar com todas as partes envolvidas, que não sabem se impor, tem argumentos fracos, mesmo com grande base técnica, são os primeiros a falir no poder. A ex-presidente impedida e o ex-governador fluminense são casos flagrantes do que essa política pode dar.

Tornar um nome conhecido, reconhecido e sedimentado não é tarefa rápida, muito menos fácil.

A lição que fica pela escolha de Luiz Fernando Pezão é a mesma da Dilma Rousseff: nunca vote em um poste! Infelizmente, só nos momentos de crise que conseguimos avaliar como, até mesmo o pior político, pode ser um bom líder e contornar situações.

Apesar dos livros de autoajuda insistirem que liderança se aprende, este é só um argumento de venda. O resultado é esse aí: perda de comando e abertura de brechas para um retorno aos fatos superados do passado.

Brasil, muita emoção e pouca técnica. Resultado: um eterno 7x1.

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