Manifesto da Resistência

Não tem rima.
Não tem encanto.
Não tem poesia.
A partir de agora é guerra.

Vocês tomaram as riquezas.
Vocês tomaram a cultura.
Vocês tomaram a liberdade.
E agora nós tomaremos tudo de volta.

Enquanto vocês lambem botas
Daqueles que já pisaram em vocês
Nós nos ergueremos.

Me diga para onde você corre quando o chão é seu inimigo?

Eu não escolhi ser forte, me tornei.
Eu não escolhi odiar cada um de vocês
Foram vocês que me banharam no ódio.
Eu cresci vendo vocês me odiarem.
Era natural que eu os odiasse de volta.

Pardo e pobre.
Dependendo de quem olha vira preto.
Dependendo de onde olha vira bicho.
Dependendo da maldade vira caça.
E todo dia é do meu sangue que eles bebem, porque é sempre o meu sangue que é derramado.

Todo dia os meus morrem
Para que os seus se multipliquem.
Não mais!
Está aqui meu manifesto de que, se preciso for, pago com a vida para manter minha liberdade e, principalmente, a dos que lutam comigo.

Vocês mataram Moa do Katendê.
Vocês mataram Anderson.
Vocês mataram Marielle.
Vocês mataram Marcos Vinícius.
Não matarão o próximo.
Não me matarão.
Nem os que caminham comigo.

Ainda que vocês me esfaqueiem.
Ainda que vocês me alvejem. 
Ainda que vocês me atirem pelas costas.
Para cada gota de sangue minha que vocês tiverem nas mãos
Eu terei o dobro nos olhos.