Marina Silva e o embate com Bolsonaro

Marina Silva rebate Bolsonaro: "Mulheres ganham menos mesmo com mesmo cargo e tempo de trabalho"

No debate entre os presidenciáveis que foi transmitido pela Rede TV!, Marina Silva e Jair Bolsonaro protagonizaram um dos momentos que mais repercutiram nas redes sociais. E quem perdeu foi Bolsonaro.

Em uma das perguntas sobre diferença salarial entre homens e mulheres, Bolsonaro diz que não haveria necessidade de interferir para que as mulheres ganhem o mesmo salário porque o direito já é garantido pela CLT. Quando Bolsonaro, em outra rodada, escolhe Marina Silva para fazer uma pergunta, ele questiona se ela é a favor da liberação do porte de armas. Ela apenas responde "não", e aproveita o tempo que dispunha para desmontar o argumento de Bolsonaro sobre a igualdade salarial já estar garantida por lei.

Ela chama atenção para o fato de que na prática, as mulheres no Brasil ganharem menos que homens e isso acontece em todos os cargos e áreas, em algumas delas, a diferença salarial chega a ser de 53%. Ela destaca também que as mulheres são preteridas nas vagas de emprego e ganham menos mesmo com mesmo tempo de trabalho e grau de instrução.

O resultado do embate, para Bolsonaro, não poderia ser mais catastrófico. O candidato, que tem alta rejeição entre mulheres, já que apenas 7% declaram que votarão nele, e sendo as mulheres maioria entre os eleitores indecisos, sua imagem já ruim entre esse público, sai ainda mais enfraquecida e sem possibilidade de conquistar justamente os votos que estão em disputa.

A rejeição feminina talvez possa ser explicada por suas polêmicas frases, como quando disse entender porque um empresário paga menos a uma mulher por ela engravidar, ou quando disse que não estupraria a colega deputada Maria do Rosário porque ela não merece. Se a pergunta sobre armas para Marina tinha como estratégica angariar votos entre as eleitoras, com o argumento de que assim elas poderiam "se defender", as armas de Bolsonaro atiraram em seu próprio pé.

Ao mostrar tão pouco conhecimento sobre a realidade das mulheres e ter sua ignorância sobre o assunto escancarada por Marina Silva, uma mulher, ele ainda diz que Marina, que é mulher e mãe, não sabe o que é ser mulher e mãe e ter filho no mundo das drogas. Assim ele tenta desqualificar a opinião de Marina, apontando a possível 'controvérsia' entre ela ser uma mulher evangélica e ter declarado que convocaria plebiscito para a população decidir sobre temas como aborto e legalização das drogas.

Marina, entra na discussão religiosa e finaliza dizendo que é evangélica, sim, mas que o Estado é laico. Numa clara indicação de que a candidata está viva e soube usar a fraqueza de Bolsonaro a seu favor.

Tudo que Marina expôs é bem óbvio para quem já está familiarizado com as pautas feministas e em meio ao crescimento desse debate na sociedade, ignorá-lo quando o público que mais se necessita para vencer as eleições é o feminino, é mais uma demonstração da falta de habilidade de Bolsonaro e da incapacidade que tem de debater os temas atuais.

Bolsonaro sai apoiado apenas por quem já o apoiava, mas Marina sai fortalecida e mostrou que tem possibilidade de ganhar público entre os setores que Bolsonaro é incapaz de dialogar.

Confronto entre Marina Silva e Jair Bolsonaro
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