Metade homem, metade besta e ninguém sabe quem o criou — Os filmes de Slash
Slash é um desses artistas operários, sempre estão se dedicando a algum novo projeto. Possuem uma mente inquieta. Mente esta que não pode ficar vazia, caso contrário entrega o corpo e a alma que comanda à sua própria personalidade autodestrutiva. Apesar de ter uma carreira principal que transborda em feitos e sucessos, o mago da cartola sempre embarcou em projetos paralelos, que não necessariamente se limitam às fronteiras do universo da música.

Filho de um pintor britânico e uma estilista americana, Slash nasceu e cresceu cercado por arte, não demorando para que a mesma extrapolasse seu sangue e se manifestasse em sua vida. Apesar de já apresentar extenso currículo na vida noturna de Los Angeles, o guitarrista só foi aparecer para o mundo em 1987, com o surgimento de sua banda: Guns N’ Roses, e o lançamento do álbum de debutante do grupo: Appetite For Destruction, uma obra brutal e sombria, que redefiniu o rock no final dos anos oitenta.
Depois do lançamento de Appetite, o Guns lançou ainda mais quatro álbuns contando com a participação do guitarrista: GNR Lies, Use Your Illusion I, Use Your Illusion II e The Spaghetti Incident; todos eles entre o final dos anos oitenta e começo dos anos noventa. O fim do casamento Slash — Guns N’ Roses teve seu início na megalomaníaca turnê dos Illusions, na qual a sua relação com o vocalista Axl Rose começou a se desgastar até tornar-se insustentável e culminar na saída de Slash do Guns em 1996, o que não foi um fato inédito, afinal o baterista da formação original, Steven Adler, já havia sido expulso no começo dos anos noventa por, acreditem ou não, abusos no consumo de drogas; o guitarrista rítmico Izzy Stradlin se demitiu em 1991 (de forma razoavelmente pacífica) e, posteriormente, em 1997, o baixista Duff também saiu por conflitos com Axl. Todavia, se quando Slash ainda compunha o quadro da banda ele já era o integrante com maior volume de trabalhos paralelos, após a sua saída, definitivamente foi que se manteve mais ativo.

Logo após a saída do Guns, o guitarrista fundou o grupo Slash’s Snakepit, chegando a lançar dois álbuns: It’s Five O’Clock in Somewhere e Ain’t Life Grand, mas que acabou se desmantelando no início dos anos 2000 por conflitos entre os membros e a acentuação dos problemas de Slash com álcool e heroína. Poucos anos depois, Slash juntamente com Duff, Izzy e Matt Sorum (baterista substituto de Steven Adler no Guns e que também saiu depois de alguns anos por desavenças com Axl) formaram o Velvet Revolver, também atingindo certo sucesso, tal qual o Slash’s Snakepit, mas com uma vida um pouco mais longa, se encerrando apenas no final dos anos 2000 com a saída de seu vocalista, Scott Weiland.

Em 2010, Slash dá início a sua carreira solo de fato, lançando o álbum Slash, que contou com a participação de diversos artistas. Já em 2011 iniciou sua parceria com o cantor e guitarrista Mylles Kennedy (Slash ft Mylles Kennedy & The Conspirators), que se mantém de pé até hoje (mesmo com o retorno de Slash ao Guns em 2016) e tem três álbuns como frutos até o momento: Apocalyptic Love, World on Fire e Living The Dream; além de algumas turnês bem sucedidas.

Slash, todavia, não se mostra um artista inquieto somente no mundo da música. Confessadamente um fanático por filmes de terror, em especial seus subgêneros, Slash fundou a Slasher Films, fazendo um trocadilho entre seu nome artísticos e o subgênero slasher. Até então o estúdio já lançou dois longas: Nothing Left to Fear e The Hell Within.
Nothing Left to Fear conta a história de Dan, um pastor que se muda para a cidade de Stull, no interior do Kansas, em busca de um lugar tranquilo para viver com sua família e exercer sua profissão. Entretanto, definitivamente, não é isso o que ele encontra. A promessa de paz se transforma em medo e terror, que atinge, principalmente, seus três filhos, conduzindo suas mentes à beira da loucura e suas almas às trilhas de um labirinto sem saída.
Já The Hell Within fala sobre a busca de uma garota perdida em nossa floresta amazônica. Busca essa que leva as personagens a se envolverem nas mais terríveis situações que o interior não desbravado de um país tropical pode propiciar. Uma observação interessante sobre The Hell Within é que o longa foi dirigido pelo brasileiro Dennison Ramalho.

Talvez a melhor definição da essência de Slash tenha vindo do próprio Axl, quando este apresentou os membros da banda em um show do Guns em 1988, no Ritz em Nova York, se referindo a seu guitarrista como “metade homem, metade besta e ninguém sabe quem o criou”. O artista, ao longo de sua existência, viveu muitas vidas em uma, já teve o mundo nas mãos assim como já se submeteu às fissuras de suas solas. Já esteve, muitas vezes, a um fio de morrer, mas sobreviveu e permanece nos palcos e nos estúdios até hoje, defendendo como poucos a sua posição no panteão do Rock N’ Roll.

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