imagem: Projeto Seja Feliz

Meu bem maior: a vida

Quanto mais a sociedade caminha, mais confuso fica o tempo. Talvez a humanidade traga dentro de si um desejo implícito de melhora, afinal, tende-se a suprimir as dificuldades que a atrapalham por meio da tecnologia e melhorias de processos. Mas parece que não é isso.

O noticiário político devolveu o lugar ao noticiário da vida como ela é no Brasil. As coisas continuam difíceis e cada um quer seu lugar ao sol.

Numa sociedade com abismos sociais, com um grupo de privilegiados e uma maioria sem direitos de fato – apesar de adquiridos, ironicamente –, somos diariamente presenteados com aberrações.

Na política, Romero Jucá está preocupado com o fim do status quo dos políticos profissionais. No campo da maioria, os sem direitos que querem ser, vemos uma menina sendo estuprada. No mundo das celebridades relâmpago, um “artista” sai do anonimato pela pior via: #ripbiel.

Onde tais questões se convergem? No desrespeito ao próximo.

Enquanto a sociedade acreditar na falácia do “na minha vida mando eu”, na resposta dos problemas baseada na individualidade, cada passo nos levará para a beira do abismo social.

Quem me/nos deve parar? O outro.

O meu limite está nas pessoas com quem convivo. Elas possuem o bem mais precioso dado a um ser humano: a vida.

E todo ser humano tem o direito a uma vida digna.

Quando optarmos por uma outra cultura, por uma outra mentalidade, uma outra forma de vermos o outro, colaborativamente, caminharemos para a normalidade. O ser humano é essencialmente relacional.

Assim, não aceitaremos mais uma pequena elite que se esconde por trás de uma política doentia para se proteger. Deturparam a política, o ato de representar muitos.

Teremos uma sociedade preocupada em dar oportunidades para os jovens, permitindo-lhes sonhar com uma vida digna, a ter perspectiva de futuro, a terem acesso ao conhecimento, ao trabalho e a possibilidade de desfrutarem de seus esforços. A terem acesso aos bens de forma justa, de se sentirem incluídos, pertencentes a um ambiente social.

Teremos artistas de fato, pessoas nos dando o melhor da criatividade inerente ao ser humano. Uma voz crítica nos convidando a um olhar diferenciado sobre o nosso cotidiano, a refletirmos, a sairmos do lugar comum.

Espírito de porco há em todo lugar. Bem como oportunistas de plantão. Alguém tirando proveito próprio. É impossível impedir tal comportamento, mas podemos evitar por meio da escolha.

Focados numa vida social sadia, distorções serão rapidamente reconhecidas e refutadas.

E se pensa que esta breve reflexão se trata de uma sociedade utópica, enganou-se. Trata-se de uma sociedade normal. Sociedade com seus problemas e dilemas. Anseios e desejos. Mas uma sociedade onde o outro e a vida digna sejam o cerne que nos mantêm em movimento.


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