Meus 30 anos humanos

Aos 30 anos eu já respirei fundo tantas vezes e continuo não sabendo agir com a maioria das situações. E bem antes dos 30 eu descobri que você nunca tem certeza do que quer da vida, a única coisa que você aprende é o que você não quer.

Aos 30 eu ainda não sei andar de bicicleta, amarrar o cadarço sem ser com duas orelhinhas e não dirijo.

Sou eu que faço minhas unhas, pago minhas contas e não uso hidrante, mas sei que deveria. Quase não uso maquiagem por pura preguiça de tirar. Não tenho tatuagens, mas. tenho todos os desenhos na minha mente e quero fazer todos em breve. Eu aprendi que preciso parar de adiar as coisas.

Já viajei para Bahia, Ceará, Rio de Janeiro, Alagoas, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, a maioria à trabalho. De férias em Miami, Orlando, Nova Iorque, Las Vegas, San Diego e Los Angeles.

O lugar que eu mais senti energia positiva na vida foi dentro da Disney.

Já passei por trabalhos incríveis, mas os mais marcantes foram trabalhar com crianças no Kids, alguns bons eventos como produtora, onde conheci lugares e pessoas inesquecíveis e o meu trabalho atual que é com cinema, sou assistente de produção de objetos e não posso deixar de mencionar que “fiz” o filme da Turma da Monica – Laços. Isso sinceramente me tira lágrimas de amor.

Aos 30 eu já passei por um relacionamento psicologicamente abusivo e esse foi meu único namoro na vida, já faz mais de 8 anos. Hoje eu não culpo ele, “culpo” a mim por ter deixado. Destrui minha autoestima, autoconfiança e centenas de outros quesitos emocionais. Isso desencadeou uma depressão, crise de ansiedade e síndrome do pânico,na época, mas melhorei. Confesso que as crises de ansiedade as vezes aparecem, mas acho que to ficando boa em controlá-las, ainda é difícil me achar bonita, fujo de espelhos, faço de tudo pra não chamar atenção. Eu entro no elevador de costas pro espelho, são coisas pequenas que ninguém percebe, mas eu já sei me observar, são altos e baixos. Pensamentos autodestrutivos de que sempre existe alguem melhor que eu, sempre alguem consegue fazer o que eu faço, ocorrem ainda. Recentemente, perdoei e me perdoei por aceitar isso, tudo mentalmente igual no filme “Comer, Rezar e Amar”. Ainda é dificil falar sobre, parece um drama maior, mas hoje entendo que fez parte da minha evolução. Tive problemas de relacionamento e muitos bloqueios ( ainda tenho dificuldade em acreditar nas pessoas). Desacreditei no amor por muitos anos. Tive um “click” recentemente. Acreditei de novo. Me apaixonei, gostei, sofri, chorei, senti, me abri, amei de novo e descobri que é assim que você se conhece. Nunca mais me fechei, nunca mais quero me fechar. E acredito em conexões de alma.

Se abrir pra relacionamentos me fez ver o quão importante é o amor e ver essa importância é estar no caminho certo pra evolução. Cada relacionamento que você tem é mais sobre você do que sobre o outro. Você reflete e deposita seus medos, traumas, inseguranças, vontades, prazeres. Vocês são espelhos um do outro. É tudo meio mágico, incrível e ao mesmo tempo assustador. Estamos aqui para sentir, o que quer que seja que deverá ser sentido, vale a pena. E a vida é um sopro, não deixe pra sentir depois, falar depois, gostar mais tarde. Só entre no fluxo e entenda que se aquela pessoa entrou na sua vida naquele momento é o momento certo. Hoje é o momento certo.

Aos 30 anos, eu me autoconheci, um processo espiritual que vem acontecendo todos os minutos que vejo horas iguais no relogio, converso com pessoa sobre energia, astrologia, e o proposito dessa vida. Leituras, reiki, cristais, yoga, meditação, as fases da lua, o universo, o poder de tudo isso é muito claro pra mim. Eu sempre soube e senti coisas a mais do que a maioria das pessoas em muitos anos achei que eu era louca e estranha, mas agora descobri que isso são poderes incríveis. Estou aprendendo a usá-los e a confiar mais em mim, como eu disse, perdi a autoconfiança nessa jornada e estou me reconectando aos poucos comigo mesma. Me sinto meio bruxa do bem, confesso, as vezes eu sinto tanto que consigo ler a sua mente, sei o que você está sentindo e entendo como esta agindo sem me falar nada. Me preocupo mais com você do que comigo. Sou sensível nesse nível, mas ainda não fiz meu mapa astral.

Minha família é a base de tudo. Mãe, pai e irmão. Minha avó tem 80 anos é é melhor de saúde e tem o psicológico mais estável que todos vocês juntos. Eu visito minha avó quase todos os domingos. Ela tem rosas no quintal. Tenho poucos amigos, na maioria homens. Tenho amigos que viraram família no Guarujá.

Cozinho muito pouco, moro com os meus pais, nunca andei de navio, nunca fiz cirurgia, nunca quebrei nenhum osso. Eu não sei nadar se não der pé.

Amo qualquer coisa de menta com chocolate, sempre escolho o sorvete de côco, o lanche com cheddar, o suco de uva. Eu quase sempre deixo um pedacinho do meu lanche.

Nunca tive um cachorro ou gato, sempre peixes.

Sempre quis ter um coelho e sempre gostei de coelhos.

Coelhos e crianças me fazem chorar de amor.

Eu amo crianças e não me concentro em mais nada se tiver uma criança do lado. O meu maior sonho é ser mãe.

Eu ainda tenho sonhos. Eu ainda quero ter a minha família.

Eu também sonho em viajar pelo mundo. Viajar pra mim é como Saramago diz: é preciso sair da ilha para ver a ilha. Viajar é deixar tudo de lado, seus costumes, sua criação, seus confortos. Viajar é enfrentar medos inseguranças e tudo isso vira autoconhecimento. É você e você mesmo. Quero conhecer o mundo. Conhecer a India, Indonesia, Nova Zelandia, Japão todos os países do mundo e ver uma aurora boreal.

Eu escrevo. Escrevo textos há 6 anos sobre sentimento no bloco de notas do meu celular. Sobre os meus amores e o sentimento das outras pessoas que eu vejo. Coisas sobre mim, coisas sobre o que eu ouço, vejo, sinto nos outros. Os relacionamentos, meus, seus, das amigas. Talvez tenha um texto sobre você no meu bloco de notas. Eu sinto tudo o tempo todo, eu sou altamente intensa e visceral. Eu sou o amor da cabeça aos pés.

E como alguem me disse uma vez: você consegue definir qualquer sentimento em palavra, isso é raro. Já me disseram que eu sou rara. Já confortei muitas pessoas com as minhas palavras, já me disseram que eu sou um anjo.

Aos 30, eu descobri que eu tenho o dom da palavra. Melhor escrita, mas também falada e eu viro meio psicologa de todos a minha volta. Eu me sinto bem ouvindo as pessoas e aprendi que não posso pegar os problemas delas, somente orientar. Se você precisar de ajuda eu vou te ajudar de todas as formas que eu conseguir, muita gente se aproveitou disso em mim, mas aprendi que limites precisam existir. Hoje eu tento filtrar quem realmente precisa de mim com o coração e não com o interesse. É difícil, mas a gente aprende errando. Com 30 anos eu me sinto como se tivesse bem mais. Já me disseram que sou uma alma boa.

Eu gosto de rock, mpb, coisas antigas e bares onde tem onde sentar. Quanto mais vazio melhor, menos barulho, melhor pra conversar. Aos 30 anos eu tenho 90. Eu sempre quero sentar, ouço antena 1 e alpha fm, eu não gosto de baladas, eu nao uso salto, eu gosto de pijamas e tudo o que for confortável. Durmo até meia noite no máximo, mas eu sobrevivo muito bem quando estou entre amigos bebendo cerveja de madrugada e conversando sobre a vida. Não quero que a madrugada termine.

Prefiro cerveja e vinho, do que os drinks mais badalados da cidade em taças que não cabem na minha mão.

Eu adoro cafeterias e livrarias. Passo horas em lugares assim.

Condromalacia patelar nos dois joelhos, grau 1 e colesterol alto, genético. Dores na lombar por má postura e falta de exercícios físicos.

Tenho TPMs agressivas e bipolares. Sinusites e enxaquecas que atacam as vezes. Não controlo meu peso, gosto de ir na academia, mas nao tenho tempo. Celulites e estrias seguem por aqui, e não me importo com elas. E ah, o meu cabelo que sempre foi bonito ta começando a cair e a aparecer uns fios brancos. Também não me importo com isso. A pança também está aqui porque eu gosto de comer.

Comer fora é meu rolê preferido. Eu amo comidas trash, eu amo bacon, coxinha, pipoca, meu doce preferido é cheesecake, mas eu amo os outros também. Eu amo saber a melhor coisa de comer do lugar que eu vou. Que seja a sua avó que faz o melhor pão com ovo. Eu vou amar a sua avó. Eu como qualquer coisa, sério.

Tenho alergia a picadas de inseto, mas amo praia e a lua me enfeitiça. O frio me entristece um pouco, mas também me faz bem. Eu nunca vi neve.

Não tenho vícios, não fumo e não uso drogas. Tenho poucas manias, adoro tomar remédios. Não sou hipocondríaca, mas adoro ir em farmácias. Mercados também. Sams Club, pra mim é parque de diversões.

Eu consigo conversar sobre tudo, qualquer assunto. Física quântica e memes, investimento e pokemon, encarnação e pantone. Eu tenho twitter e é a minha rede social preferida. Sou nerd, e troco pessoas por filmes e jogos. Alias, não gostar muito de pessoas é o jeito ranzinza que eu tenho de viver por ai. Eu sou completamente apaixonada por desenhos e prefiro filmes baseados em histórias reais. Eu choro facilmente vendo filmes. Eu adoro jogos, quebra-cabeça, cartas, pinball, bingo na quermesse da igreja, pokemon go, video-games. Eu realmente quero gastar minha aposentadoria em um cassino em Las Vegas. Eu não sou viciada em jogos, só em comprar tênis.

Sou sagitariana, exagerada, ascendente em gêmeos e lua em leão. Eu sempre tenho uma ironia ou uma palavra engraçada pra te fazer rir. Eu amo fazer as pessoas rirem mesmo que eu esteja um caco por dentro. Preciso tomar cuidado pra preguiça não me dominar, o drama não virar minha realidade, a bagunça não me consumir, a teimosia não me cegar, o ego não entrar na minha mente, a carinha de criança não me definir como frágil e a procrastinação não me atrasar. Sou dramática e chorona. Eu sinto saudades do que eu ainda não fui, do que eu não vivi e do que eu ainda vou viver, tenho medo de esquecer de mim e das coisas boas que passei. Eu sinto muito, o tempo todo, as vezes acordo com um sentimento que eu chamo de “a dor do mundo”. É difícil de explicar esse sentimento, mas as vezes acontece, não tem motivo, mas eu sinto dor no peito pelos outros. As pessoas da rua, o sofrimento, as guerras do mundo, o descaso, o preconceito, etc. Devem ser crises de empatia absoluta, eu ainda não soube definir.

Eu vivo em um tempo diferente das outras pessoas, eu faço pausas durante o dia e vejo borboletas na rua e paro qualquer coisa que eu estiver fazendo pra ver um por-do-sol. Apesar de tudo, sou calma e tranquila.

Aprendi que chá e cama pode curar muitas coisas. Abraços também. Eu adoro abraçar as pessoas.

E talvez esse seja o texto mais difícil que eu já fiz. Enfrentei meus medos e falei de mim. Sou tímida ao extremo, quem me conhece sabe como é difícil arrancar uma palavra sobre mim. Eu sempre escuto mais do que falo, mas hoje eu quis ser transparente assim, cada palavra que eu escrevi aqui uma lágrima caiu.

Aos 30 anos, eu me conheço cada vez mais e não deixo ninguém tocar na minha essência sem o meu consentimento. Eu sou mais alma do que corpo. Daqui pra frente, é mais difícil eu me perder.

Kamila, Kazinha, Kami, Kamys, Ká e a Mili.

Mulher, Menina, moleca maloca, mana da Mooca, meu. Pequena sim, mas porra mano, tem um universo inteiro dentro de mim.

Agradecer é sempre o que é preciso fazer.

Agradecer aos amigos que eu fiz e aos que eu ainda vou fazer.

Agradecer a vida que eu tenho, a família que eu tenho, ao que eu sou, e as mudanças pra melhor que ocorrem em mim. Agradecer aos erros e acertos que me trouxeram ate aqui.

Enviar luz a quem me fez mal e carinho a quem me faz bem.

Obrigada ao universo por tudo e pelo amor que transborda em mim.

Hoje, aos 30 anos, eu sou assim.

“Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto…”