Minha vivência em startups e o que pensar sobre elas

Eu estava prologando escrever esse texto, não querendo conflito pelas coisas que eu iria dizer, pelo desconforto que poderia causar. Mas algo dentro de mim permanecia inquieto. Tinha algo que eu precisava falar. Precisava compartilhar.

Ano passado eu tive a grande oportunidade de trabalhar em algumas startups em São Paulo. E queria compartilhar a minha experiência e as coisas que observei e vivi.

O sonho de poder trabalhar em um lugar incrível fazendo coisas incríveis

Percebi que é um ambiente opressor

O que isso quer dizer? a minha primeira impressão quando falavam de startups, de como o ambiente é cool, um verdadeiro complexo de lazer para adultos, podemos criar coisas incríveis, e que todos la amam o que fazem a ponto de não querer ir embora para casa, vivendo como uma grande família se mostrou falso nas primeiras semanas. A percepção que eu tive sobre o espaço que eu trabalhava era de que algum (ou alguns) caras, brancos, frustrador tiveram uma ideia boa, junto de um monte de grana para fundar um novo empreendimento. E aplicavam ali, os mesmos conceito e preconceitos que vieram carregando ao longo da vida.

Ouviam dizer que só contratavam gente talentosa, independente de onde viesse, mas só aceitavam pessoas de universidades de renome. Diziam que não toleravam preconceitos, mas faziam piadas homofóbicas e machistas em todas as oportunidades possíveis. Falaram que queriam pessoas autênticas, mas que fosse dentro da normalidade por eles impostas.

Então já não era bem assim como me venderam o “Grande Sonho”.

Depois de uns poucos dias, passava a ver que aquele ambiente é um sistema corporativo que queria parecer “descolado”. Hierarquia, submissão, e abuso de poder era algo visto com frequência, num ambiente dito inovador.

Falando nisso, inovação é a palavra que todos eles adoram falar. Em qualquer discurso raso e cheio de frases prontas, sempre aparecia uma palavra inovação para denotar alguma novidade. Mas inovação mesmo, era algo que não acontecia. (Poderia ficar aqui buscando definições do que é inovação para dar subsidio, mas não tem relevância nesse caso).

E sabe o porque não existe inovação? Por que as pessoas vivem com medo, medo de ser demitidas, medo de ser expostas, medo de não bater metas. E num ambiente onde tem medo, não tem inovação. Não dá para arriscar, tentar algo novo, se você tem medo de errar, tem medo de represálias.

Lembro que na época eu conversei com uma das pessoas mais importantes na minha formação acadêmica, o Alécio Rossi, que a ideia de startup a lá Silicon Valley é uma ideia romântica e totalmente equivocada do mercado que temos aqui, mais especificamente em São Paulo, que o ambiente que deveria ser o mais aspiracional possível, não passa de uma troca de chibata do que foi oprimido se tornando opressor.

Não quero que encarem esse texto como uma caça as bruxas, a minha experiência, em mais de 3 empresas foram bem peculiares. Talvez a experiência de vocês foi melhor. Vamos trocar uma ideia?