Moda sem gênero para causar impacto
NOMAD Genderless surge para dar fim as peças lisas tratadas como ~sem gênero~ nas produções nacionais

Estamos em 2017 e muita coisa vem mudando nos últimos anos. O estilo genderless mistura moda feminina e masculina e coloca o mundo fashion em verdadeira ebulição. Você pode vestir o que quiser. Você pode vestir sem gênero. Apoiadas nesta revolução, algumas marcas inovam e trazem para a realidade das ruas e passarelas um novo jeito de vestir.
Afinal, genderless vem de onde? É o unissex. Mas vai além. Por detrás está o estreitamento das fronteiras entre o masculino e o feminino. Foi como profeticamente cantava Pepeu Gomes: “Ser um homem feminino não fere o meu lado masculino.” Indo além, também não define LGBTQ. O Urban Dictionary diz que genderless pode ser confundido com androgenia, mas também não a define.
Para Àlisson Fernadez, que assina a #Collection001 da NOMAD Genderless, vestir sem gênero “surge para além de causar impacto. Surge para empoderar quem a veste”. E complementa:
“É para que as pessoas se sintam bem com elas mesmas, que vistam o que gostam e como gostam de se vestir. Genderless ~ou agênero~ é sobre tratar muito de si e pouco dos outros”.
A moda genderless expressa um tempo. Pessoas buscando se identificar com tribos onde o fator gênero não é o ponto de distinção. Sinaliza para o mais relevante: a falta de reforço entre homem e mulher.
Moda sem gênero não é um fato recente
Genderless também expressa uma mudança de paradigma social. Pode-se falar, principalmente, da mulher, nas diversas manifestações ao longo da história na conquista de novos espaços sociais. Em seu artigo, J. O. Oetojo aborda a relação da percepção do consumidor quanto a igualdade de gênero e o design de moda, mostrando a adoção por parte da mulher da calça, uma indumentária totalmente masculina. Essa peça dava mais liberdade à mulher na execução de tarefas.
A popularização de mulheres vestindo peças do guarda roupa masculino ganhou mais foça na década de 20. Foi o designer francês Paul Poiret o primeiro a desenhar calças para o corpo feminino. Marlene Dietrich, famosa atriz do início do século XX, já adotava um estilo próprio de se vestir — genderless — já na década de 30. Tais referências podem ser encontradas no livro “Costume history and Style”, de Douglas A. Russell.
Embora as terminologias “unissex” e “androgenia” possam ser tratadas como sinônimas no mundo da moda, “gênero” expressa um papel social específico para o homem e a mulher. Mesmo numa peça desenhada para ambos, são os fatores pessoais de estilo que darão uma nova expressão, leitura e movimento à roupa, completa J. O. Oetojo em seu artigo. Logo, quem define o look da peça é quem a veste.
É neste quesito a relevância desta opção de roupa em nossos guarda roupas.
A Ásia é uma extensa região onde os costumes e o tradicionalismo ainda imperam e determina o cotidiano. Numa pesquisa aplicada por J. O. Oetojo com 150 jovens entre 18 e 27 anos, em Jacarta, capital da Indonésia, apresenta um resultado revelador: 52% tem uma percepção favorável ao estilo, contra 47% com uma posição neutra e somente 1% são desfavoráveis.
Os fatores de compra estão associados a design, 70%; seguido por 30% que justificam fatores funcionais. Os motivos que levam 40% a vestirem a moda genderless é ter um look diferente e descolado, seguido de 25% para expressar igualdade de gênero e outros 25% para conforto. Somente 10% procuram por entender que veste bem. Quanto às questões favoráveis ao estilo para compor o guarda roupas, 50% a consideram casual, 30% por se um estilo mais agressivo, 10% formal e outros 10% por ser um traje de laser.
Seguindo as mudanças na forma da pensar da sociedade, grandes grifes lançam coleções destinadas a este público. Mas… o que vemos? Novas coleções de moletom em cores pasteis. O genderless é o signo de um novo tempo e da consolidação de um pensamento.
“A construção da identidade própria e seu sentido é também a construção de uma posição política, porque a identidade própria e seu sentido requerem a relação com outras pessoas. Homens e mulheres que amam marcas dedicadas à moda genderless têm a mesma relação para com as outras pessoas” — J. O. Oetojo
Para Àlisson Fernandez, Designer da NOMAD, a forma de contrapor o neutro no genderless foi desenvolver uma coleção afirmativa, por meio de composição de tecidos, bordados e estamparia exclusiva e desenhada por ele mesmo. O processo criativo veio ao encontro da marca que, conceitualmente, propõe viajar por diversas cultura.
Para lançar sua primeira coleção, o Designer de Moda buscou nas origens do Brasil elementos que compreendem e complementam a liberdade de escolher e vestir a sua própria roupa. “O trabalho de construir uma coleção sem gênero vai além de uma peça que vista homem ou mulher. O ponto é, além de vestir, trazer elementos que agradem e causem impacto por quem quer que use a roupa que produzimos,” afirma Àlisson Fernandez.
É neste sentido que ver uma marca com a NOMAD Genderless nascer faz acreditar que os tons pastéis finalmente estão ficando para trás. Que a moda genderless pode, deve e vai ser mais que isso. Vemos em sua coleção de estréia ~Collection 001~ muita cor, grafismos e bordados. Confira só todas as camisetas da marca no vídeo promocional:
Seguindo as tendências mundiais, o genderless aflora em um manifesto para que você possa vestir aquilo que gosta, da maneira que se sente bem. Sem rótulos, quebrando tabus. Sendo você, autêntica e verdadeiramente você.
Reduzir as fronteiras entre gêneros é só o começo.
