Yaundé Narciso
Sep 26, 2018 · 5 min read

*Texto originalmente publicado no LinkedIn.

Confesso que até bem pouco tempo não sabia o que era gig economy. Para quem, assim como eu, desconhece o termo é importante explicar que se trata de uma economia movimentada por trabalhadores que não possuem vínculo empregatício, ou seja, que não são contratados por meio do regime CLT (no caso do Brasil).

Entre as suas formas de trabalho estão a contratação por projeto, por exemplo, ou até mesmo a contratação do tempo, habilidades ou posses de alguém, por meio de plataformas que emprestam visibilidade e credibilidade ao que se têm a oferecer — caso do Uber e do Airbnb. Resumindo, essa forma de economia é composta por trabalhos independentes, no modelo freelancer.

Na gig economy, também conhecida como “economia freelancer” ou “economia sob demanda” (justamente por essas razões) cada pessoa é uma empresa. E, meio sem querer querendo, hoje me vejo fazendo parte dessa nova forma de relação de trabalho, onde eu sou sim, a minha própria empresa (o que é bem complexo).

Há alguns dias eu tive o prazer de encontrar com um amigo querido, ex-colega de faculdade e grande profissional. Durante o nosso bate-papo sobre carreira e trabalho, ele me contou que recentemente um recrutador fez a seguinte pergunta para ele:

“você quer tornar um CEO mais rico ou o mundo mais rico?”

A resposta dele foi a segunda opção e é com ela que eu fico também. Seguindo por meio desta ótica, fico encantada ao entender que a gig economy é sobre a liberdade de não restringir a atuação profissional a apenas uma área. É sobre escolher exatamente o que se quer fazer. Moldar sua carreira de acordo com seu propósito!

É claro que essa escolha (que você pode e deve fazer, de como deseja viver o resto dos seus dias) muito provavelmente envolverá suas características, aptidões e especialidades, além de a forma como elas foram moldadas ao longo dos anos. Embora NADA impeça que alguém que sempre trabalhou como torneiro mecânico, por exemplo, possa passar a exercer como atividade, a redação de textos para a web e etc. Acredite, você pode transformar a sua carreira da maneira que quiser!

Trabalhar sob demanda é muito perigoso, dizem eles

Sim e não. Na minha concepção essa é uma resposta que só você pode ter. Sabe por quê? Porque o que consideramos como perigoso pode variar, e muito! Há algumas semanas, quando finalmente consegui tempo para rever algumas amigas de quem gosto muito e poder botar o papo em dia, adivinhe sobre o que falamos, principalmente?

Se você respondeu trabalho, acertou redondamente!

Eu tinha acabado de pedir demissão da empresa em que trabalhava, algo que para elas, naquele momento, acabou sendo visto com certo grau de coragem. Sim, eu precisei da coragem também para dar esse passo, mas o que me levou mesmo a tomar essa decisão foi o fato de estar, dia após dia, cada vez mais infeliz com a forma como eu tinha que trabalhar nessa empresa.

Aos poucos, percebi que precisar me tornar uma versão tímida do que um dia eu fui e era capaz de ser, era sim, algo MUITO PERIGOSO para mim enquanto profissional e, também, como ser humano.

Nesse encontro com minhas amigas, ouvi delas praticamente as mesmas queixas que eu fazia enquanto ainda trabalhava na empresa.

O consenso era de que, éramos todas, muito infelizes no trabalho.

Claro, existem situações imensamente piores. O cenário geral ainda é de desemprego, então, de certa forma, ainda parecia quase errado estarmos ali, reclamando.

Só que não era. Porque, pedir demissão é melhor do que sofrer com esgotamento, conforme o especialista no assunto e autor do livro “Dying for a paycheck” (Morrendo por um salário, em tradução livre), Jeffrey Pfeffer. De acordo com ele, se você arruinou sua saúde física e psicológica por estar em ambientes nocivos, pode ser muito difícil reverter esse dano.

Então o que é mais perigoso, não ter uma renda fixa ou ficar profundamente doente?

Vantagem da gig economy: atuar em diferentes áreas

Uma das principais vantagens que eu enxergo na gig economy é, como eu já disse, a possibilidade de atuar profissionalmente em diferentes áreas. Quando eu digo diferentes, são áreas realmente distintas. Como no meu caso: atualmente, trabalho com comunicação e marketing digital & cultura urbana & dança em cima do salto.

É importante destacar aqui, que se meu percurso desbravando tantas novidades e formas de viver a vida e desenvolver minha carreira e potencialidades tem sido tão seguro e florido, é porque eu tenho contado com um suporte.

Com a estrutura de um local que tem me impulsionado e ajudado, criando na minha vida uma série de conexões. Eu tô falando é do LOTE 779, o coworking onde tenho trabalhado desde o dia em que decidi pedir demissão. E esse não é um conteúdo #publi não hein! Se compartilho isso, é porque gostaria muito que mais pessoas pudessem ter as mesmas oportunidades e vivências que estou tendo ali e a partir dali.

E mesmo insegura diante de tantas incertezas, nunca senti tanta felicidade na vida! Optar por uma forma de trabalho que não me obriga a renunciar outra tem sido muito libertador! Isso porque, desde a faculdade sempre fui compelida a escolher entre dança e comunicação. E eu sempre tentei evitar fazer essa escolha, conciliando o máximo que pude, profissionalmente, as duas atividades.

Porém, com o passar do tempo, acabei priorizando a comunicação devido a estabilidade e retorno financeiro que as posições nessa área garantem. Mas, ainda bem e, antes tarde do que nunca, descobri que é possível me dedicar igualmente às duas coisas sem que isso me torne menos profissional em nenhuma delas.

A verdade, é que esse modo de vida faz com que você encontre formas de comercializar seus talentos.

Faz com que você desenvolva caminhos para contribuir com o mundo da melhor maneira que você sabe , mas sendo, é claro, remunerada (o) por isso!

Não é isso que todos nós queremos?

Faça direitinho e se formalize

Se você se sentiu tentado a imaginar uma vida dentro da gig econommy, mas morre de medo, porque não quer perder direitos e benefícios trabalhistas, saiba que a melhor forma de atuar profissionalmente ao estilo freelancer é fazendo seu registro de Microempreendedor Individual (MEI).

Ao contrário do que muitos pensam, MEI tem direito sim, à uma série de benefícios e direitos trabalhistas, desde que esteja com sua contribuição em dia.

Além disso, é importante que todos os serviços que você venha a prestar para empresas sejam devidamente registrados em contratos assinados entre as partes.

Atuando com profissionalismo, disciplina e organização, fazer parte da gig economy vai te levar a um caminho de infinitas possibilidades e descobertas.

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Yaundé Narciso

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Jornalista, dançarina, feminista e pisciana com ascendente em áries.

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