Mulher Maravilha traz a mensagem que o mundo precisava neste momento

É praticamente uma unanimidade que Batman vs Superman foi uma decepção. A direção teimosa de Snyder, a edição confusa e a conclusão bisonha (MARTHA) fizeram com que um dos filmes mais esperados de 2016 se tornasse uma piada. Era a DC desesperada pra chegar na Marvel, mas ainda perdida no seu tom, sem saber direito qual o caminho seguir, o que resultou numa crise nos estúdios. Mas ali, mesmo naquela bagunça toda, surgia uma ponta de esperança: A Mulher Maravilha, que se tornou, involuntariamente, a última esperança para que as coisas entrassem nos eixos. E pode se dizer que se depender desse fardo, o futuro da DC é absurdamente promissor.

Mulher Maravilha é um típico filme de origem e começa ainda na infância de Diana, que é treinada desde cedo por sua tia (Robin Wright, mais uma vez incrível) para ser uma guerreira imbatível e ajudar a proteger a ilha de Temyscira do retorno de Ares. Quando o piloto Steve Trevor (Chris Pine) cai na ilha por acidente, ela descobre que uma guerra sem precedentes está se espalhando pelo mundo e decide deixar seu lar certa de que o Deus da Guerra está de volta.

Falar que este é o melhor filme da DC nos cinemas não pode ser considerado algo de outro mundo. Afinal, não é preciso muito para superar O Homem de Aço, BvS e Esquadrão Suicida. Mas a questão aqui é que este filme pode tranquilamente rivalizar com o Batman Begins, da trilogia Nolan ou até mesmo dos primeiros filmes da Marvel. Isso porque os produtores entenderam que fazer o simples pode ser o suficiente. Focar nos conflitos dos heróis é crucial antes de inseri-lo numa briga maior. Aqui, conhecemos Diana Prince como nunca feito com os outros heróis neste novo universo.

E o filme se resume basicamente a isso, conhecer as motivações da personagem, se identificar ou idealizá-la como um ser perfeito, assim como a maioria dos personagens da DC. Diana não é diferente e nos cativa exatamente por essa pureza que a personagem carrega. Mesmo que um pouco deslocada, ela não soa como a convencional estrangeira, que aceita o que lhe impõem por estar fora de seu mundo. Ela enfrenta quem ela acha que deve enfrentar e segue sua própria intuição do que acha certo ou não, e é aí que sua inocência se une à sua personalidade forte.

A diretora Patty Jenkins faz um grande trabalho explorando esses pontos fortes da personagem e faz com que todos os outros elementos do filme sirvam de escada para que ela brilhe cada vez mais, como os personagens de Chris Pine, Ewen Bremner e Saïd Taghmaoui. Sua direção é firme e casa bem em um longa completamente dominado por mulheres. Somando isso à mensagem de bondade e amor que o filme traz, podemos dizer que ele se torna ainda mais relevante para a cultura pop e para o cinema.

Claro que se tratando de DC há, sim, alguns problemas, como os efeitos especiais pouco desenvolvidos, um certo excesso de CGI e um terceiro ato obscuro, muito provavelmente por conta da influência de Zack Snyder, assim como o uso excessivo de câmeras lentas. Felizmente, nenhum desses problemas influenciam tanto no filme, que consegue fazer prevalecer suas qualidades.

Gal Gadot, por sua vez, é a principal responsável por esse pulo de qualidade. A atriz desenvolve sua Diana Prince com muito carisma e consegue cativar todo o público com a pureza de sua personagem. Mesmo que haja alguns problemas de atuação quando o papel exige uma carga dramática maior, há tempos não se via uma personagem tão forte e apaixonante como ela.

Mulher Maravilha não só é um filme incrível, como também possui uma relevância absurda para o gênero. É uma história simples, leve, romântica, que tenta nos dizer algo sobre a pureza e a bondade que as pessoas ainda possuem dentro de si, mesmo em tempos de guerra e intolerância. Além disso, o filme pode ser um verdadeiro divisor de águas para a Warner/DC. Se este é um ponto fora da curva, ninguém sabe, mas é confortante saber que no fim do ano, além de termos a Liga da Justiça, poderemos ver Gal Gadot e sua Diana, Princesa de Themyscira, filha de Hipólita, novamente em ação, isso já vale o ingresso.