Não julgar é libertador

E evita a fadiga mental

Fernanda Turino
Jun 21 · 3 min read

A liberdade tem diversas facetas: ela pode ser a de ir e vir, a de poder comprar tudo aquilo que quiser, a de usar a roupa que acha melhor, a de ter a vida sexual que mais agrada, a de se apresentar para o mundo da maneira que se é, a de ter (ou deixar de ter) a fé que mais te representa… Todos têm um ideal de liberdade ou alguns.

Todo mundo busca algum tipo de liberdade. Não podemos ter todas, é impossível e insustentável, por isso nos satisfazemos com as pequenas liberdades que estão ao nosso alcance. Ninguém pode ser 100% livre, vida em sociedade requer seguir certos padrões de convívio e comportamento, justamente para não invadirmos a liberdade do outro. Do oposto reinaria o caos e, por mais paradoxal que pareça, a liberdade, para ser vivida, requer um pouco de responsabilidade que, por sua vez, requer algum tipo de controle.

Além disso, há liberdades que nem sempre dependem de nós mesmos para serem alcançadas: eu, por exemplo, não sinto que tenho liberdade para usar qualquer roupa que eu queira, seja por medo de uma violência real ou de ser julgada pela ditadura da beleza. Outras vezes a questão financeira nos prende a certas situações que nos impedem de sermos livres. Mas há liberdades que dependem exclusivamente de nós mesmos e não demandam nada além da nossa força de vontade e dedicação — e não estamos falando aqui de meritocracia, mas sim de uma real possibilidade que apenas depende dos nossos esforços. São poucas, é verdade, mas uma delas é bem simples de alcançar: a de não julgar tanto.

Todo mundo julga. Seja a roupa curta da menina que cruza nosso caminho na calçada, seja a orientação sexual daquela prima distante, seja o peso daquele colega do trabalho, seja as rugas da mulher que pegou elevador junto com a gente, seja a forma de (des)governar do presidente do Brasil. Não importa o quê, mas todo mundo julga. É inevitável e, por vezes, até mesmo necessário para mudar aquelas coisas que são verdadeiramente prejudiciais.

O problema é que gastamos energia demais julgando o que simplesmente não é da nossa conta e tampouco faz mal para alguém. Julgar coisas importantes como os 7 x 1 diários desse governo é importante e valem nosso gasto energético julgando (e, claro, tentando modificar as coisas para melhor). E é justamente por isso que temos que nos poupar quando os julgamentos forem completamente desnecessários.

Afinal, que diferença faz para você se a saia de alguém é curta ou se uma prima que você viu duas vezes na última década está namorando outra mulher ou se o colega da mesa do lado na firma tá acima do peso ou se a pessoa que entrou no elevador com você ostenta muitas rugas e pés de galinha na cara? Se a reposta for nenhuma, não vale a pena perder tempo julgando.

Outra forma muito eficiente de analisar se um julgamento é realmente necessário é vendo se o que você está julgando é algo inerente da pessoa e que ela é incapaz de modificar. Se a resposta for sim, não precisa perder tempo julgando. Vai por mim, não vale o desgaste.

Mas se nada disso te convenceu a não julgar a vida alheia, pensa em você mesmo e na sua liberdade. Não julgar é libertador! Não se importar com coisas que não nos dizem respeito é um dos caminhos para sermos livres. Basta aprender a não ligar para o que não importa para a gente. A saia tá curta? Não ligo! A tua prima de 18º grau tá dando uns pega na colega de trabalho? Tô nem ai! O colega de baia da firma tem uma pança enorme? O que eu tenho a ver com isso? A pessoa tá enrugada? I don’t care!

Assim, a gente se livra de um peso que não precisa carregar e sem peso a gente caminha mais livre. E sem carregar esse peso a gente também não gasta uma energia desnecessária e, como diria Jaiminho: é que eu quero evitar a fadiga.

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Um poço de dúvidas.

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