No Roda Viva, Boulos promete combater privilégios dos bancos e elites do país

Candidato à presidencia: Guilherme Boulos em entrevista ao Roda Viva da TV Cultura

O presidenciável Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores sem Teto e pré-candidato à presidência pelo PSOL, foi o entrevistado da vez do programa Roda Viva, da TV Cultura, no último dia 07 de maio, e conseguiu ser um dos assuntos mais comentados no Twitter.

Boulos foi assunto presente incluso entre os perfis da direita. De acordo com o cientista de dados e tuitero, Fabio Malini, o pico foi de 450 tweets por minuto, e no dia seguinte manteve a média de 50 tweets por minuto, totalizando 60 mil tweets em 24 horas. Ou seja, Boulos deu o que falar tanto na esquerda quanto na direita.

No gráfico extraído por Fabio Malini são mostrados os perfis que se destacaram na discussão sobre a entrevista de Boulos ao Roda Viva no espectro da esquerda e direita

Quem esperava um Guilherme Boulos de falas radicais, foi surpreendido com o tom conciliador e sereno com que o líder do MTST respondeu incluso perguntas irônicas dos entrevistadores, que por vezes pareceram saídas das caixas de comentaristas de portais, como quando o cientista político Rubens Figueiredo defendeu a legitimidade de Temer com uso do chavão: “Quem votou na Dilma, votou no Temer”. Depois de dizer que ninguém vota em vice, Boulos defendeu que as medidas tomadas pelo atual governo não têm legitimidade porque o Brasil se vê em uma crise de representatividade, onde o poder foi tomado por um balcão de negócios, em que os financiadores das campanhas capturam o poder e a classe política atual, em vez de trabalhar políticas públicas de interesse do povo, atende a essas minorias financiadoras.

O presidenciável respondeu de maneira didática boa parte das perguntas e mostrou que estava mais preparado que os entrevistadores para debater a política brasileira atual. O êxito talvez se deva a associação da candidatura de Boulos com Laura Carvalho, economista e professora de economia da Universidade de São Paulo, que tem se destacado nas discussões de temas econômicos pelo país. O resultado é um candidato que mostrou repertório econômico qualificado e discutiu temas como tributação, juros e as medidas que tomaria caso fosse eleito presidente como a taxação das grandes fortunas, que acontece em países como Suíça, França e Noruega, mas que no Brasil é uma discussão que gera muito tabu.

Munido de dados e familiaridade com a política econômica do país, mostrou como os planos de incluir ao que chamou de “maioria” da população, numa boa sacada, diga-se de passagem, já que a oposição costuma dizer que o PSOL governa para as chamadas “minorias”. Boulos chamou atenção ao arranjo político atual em que a maioria é sacrificada nas reformas proposta pelo atual governo para que a elite financeira e os bancos possam ter seus privilégios garantidos. E usou em um dos exemplos o banco Itaú, que em um período de profunda crise econômica, registrou lucro recorde, enquanto todo o país está em recessão com crescimento de apenas 1%, desemprego em 13%, e que tem 30% de seus jovens desempregados.

Defendeu uma reforma da previdência que em vez de atacar ao trabalhador mais vulnerável, mexesse nas regalias da aposentadoria dos militares, que corresponde a maior parte das despesas da previdência, mas que foi deixada de fora na proposta do governo Temer. E chamou atenção para os quase 450 bilhões devidos por grandes empresas privadas à previdência e que não são cobradas pela União devido aos lobbies dessas empresas no congresso.

Boulos ainda foi perguntado por Ricardo Mendonça, do Valor Econômico, sobre erros e acertos da política econômica de Dilma Rousseff. O candidato elogiou a tentativa de Dilma em combater o spread bancário brasileiro, que é o segundo maior do mundo, perdendo apenas para Madagastar. O spread bancário é a diferença entre quanto os bancos cobram em juros ao concederem empréstimos e quanto pagam a quem aplica. No Brasil o spread é de 38,7%, a média no mundo em 128 países pesquisados, é de 6,7%. Quanto maior essa taxa, mais os bancos ganham. Para Boulos, Dilma acertou ao tentar combater os juros bancários com a indução dos bancos públicos para forçar os bancos privados a reduzirem os juros, mas falhou ao conceder desoneração de 200 bilhões de reais a empresas privadas sem nenhuma contrapartida social, que teve como resultado o comprometimento da arrecadação nas contas da petista em 2015.

Em contraste com Marina Silva, a primeira entrevistada dos pré-candidatos à presidência no Roda Viva, Boulos se mostrou pragmático ao apresentar medidas que poderiam ser tomadas para a realização de seu projeto de governo, enquanto Marina foi em boa parte da entrevista evasiva como temas como minorias LGBT e população negra e sobre o que faria em relação as reformas do governo Temer. Ainda que o PSOL não seja um partido com expressivas votações, ver Boulos falar ajuda no campo do debate das ideias que estão presentes e podem ser fundamentais no pleito de 2018.

A entrevista completa está disponível abaixo e os próximos presidenciáveis entrevistados serão João Amoêdo do Partido Novo e Ciro Gomes do PDT.