Nos perderemos entre monstros, da nossa própria criação.

Despertador desativado, hora de acordar. A sonolência permanece intacta enquanto olhamos as últimas mensagens do whats, respostas de comentários nos nossos posts ou fotos, tuítes e etc.

No café da manhã a gente já tá se atualizando com as notícias, vendo a previsão do tempo, acompanhando as notícias do nosso time ou da política. Pegamos ônibus e trem planejando como se segurar com uma mão pra mexer no celular com a outra, quando damos o azar de não conseguir sentar nesses transportes públicos que são cheios de pessoas e vazios de gentileza e socializações.

No trabalho a gente abre primeiro as redes sociais, pra depois começar as tarefas. É um monstro sendo alimentado o dia todo, sabe? 90% do nosso dia está destinado a aproveitar os breves momentos de ócio pra mexer no celular, ou ainda mais grave, atrapalhar nossas tarefas pra que a gente consiga se satisfazer. Satisfação que rima com prisão. Coincidência? Talvez.

Acúmulos e excessos

O excesso de informação pode causar perda de memória, estresse, ansiedade, insônia, isolamento social e risco de depressão. Além disso, algumas síndromes são causadas excepcionalmente pelo uso excessivo dessas drogas tão queridas e amadas pela gente. Um dos que mais me assustam é o efeito google, que transforma qualquer tipo de aprendizagem obsoleta e nada construtiva.

Pra que prestar atenção nesse cara, que estudou a vida toda pra transmitir esse conhecimento pra eu me tornar bem sucedido, se eu posso pesquisar isso tudo em casa depois?”
“Ah, eu nem vou ir hoje. Não vai ter nada de importante. Mas… qualquer coisa tira uma foto pra mim, tá?”
“Essa aula é muito chata!!! To louco pra chegar e assistir a live daquele youtuber lá”

Coisas comuns de se ouvir hoje em dia. Não dá pra esquecer daquele colega que diz que ama o professor, a matéria/cadeira dele, mas passa o tempo todo no celular. Além de ir embora meia-hora antes do fim da aula.

A gente quer consumir tudo, visualizar, atualizar, compartilhar, mostrar meme pro colega… tudo tá ligado ali, na nossa prisão.

E sim, eu to nesse barco. Ô se to.

Todo dia antes de dormir, eu acho alguma coisa legal pra fazer no celular. 
Sabendo que tenho que acordar cedo, sabendo que isso afeta a melatonina (hormônio do sono), sabendo que não é nada bom, mas continuo fazendo. E é por isso que eu tenho insônia. Simples. Mas é tão bom dar uma última fuçada…

Não temos muita solução. Só tentar se controlar e parar de achar que tá perdendo algo quando não estiver mexendo no celular. A gente entrou em um ciclo vicioso que nos impede de criar uma barreira entre diversão|dependência e isso faz a gente caminhar contra a maré dos benefícios que a tecnologia e as redes sociais podem nos trazer.

Vale muito a pena dar uma analisada em como a gente era antes e depois de tais hábitos tecnológicos. Se isso mais afetou ou ajudou, o impacto no comportamento, etc… antes que a gente seja muito mais prejudicado do que já somos.

O que o seu smartphone virou?