Novos caminhos. Mas preferiram demonizar

O sensacionalismo do Grupo Abril

Você é a favor ou contra a uma tecnologia que favorece o maior número de pessoas possível?

Se você não consegue associar, o Grupo Abril é um dos maiores conglomerados de comunicação no Brasil: Veja, Exame, Quatro Rodas, Superinteressante são algumas de suas marcas. Do ponto de vista sócio econômico, o Grupo Abril defende linhas mais liberais, pró-mercado. Quanto a política nacional, é abertamente anti-PT. Numa matéria da revista Exame, fez uma crítica velada ao processo inovador das baterias elétricas para uso residencial da empresa Tesla.

A Tesla Motors é uma empresa americana de automóveis elétricos de alta perfomance (click no link e babe!). O diferencial do negócio está na tecnologia para armazenamento de energia. Pode-se dizer que este é o seu "core business" e nem tanto os seus magníficos carros. A bateria PowerWall é um de seus produtos já disponíveis para o armazenamento da energia produzida em sua própria casa.

Em tempos de mobilidade, armazenar energia é essencial e um desafio, principalmente para as empresas de hardware, como Samsung, LG, Apple, etc. E a Tesla está passos à frente da concorrência neste quesito.

Uma das características da tecnologia é causar rupturas. Da pedra, para o bronze; do bronze para o ferro; das manufaturas para a indústria de larga escala… até chegarmos à automação e em um computador na palma de sua mão. Outra característica de novas tecnologias é ganhar escala para conseguir preços acessíveis. Este é o limiar de mercado a ser rompido para "popularizar" a tecnologia de armazenamento de energia para qualquer uso.

A bateria da Tesla pode levar a uma nova mudança no comportamento e na forma de lidar com a energia, e isso é positivo.

Imagine a situação: 1) O telhado de uma casa feito com placas solares, com design perfeito. Sua casa pode dispensar a energia da concessionária — sem necessidade de pedir licença na prefeitura, taxas de instalação e contas eternas. Além do mais, quem sabe aumentar o orçamento vendendo excedente de energia para a concessionária! Isso já ocorre na Alemanha. 2) O segundo cenário é: ao invés de vender a energia excedente, que tal armazená-la? Bom, esta segunda opção ainda é pouco popular e, talvez, mais complexa. É aí que a Tesla entra.

E o Grupo Abril?

A reportagem da revista Exame defende o modelo atual: somente governos e poucos conglomerados no mundo podem construir barragens e administrá-las. Ter o controle das fontes de energia elétrica é um baita poder, o que permite muita barganha por parte do concessionário junto a governos e empresas, mesmo com a existência de regras.

Logo, como assim AMEAÇA?

Em um futuro já próximo, as placas solares e as baterias da Tesla implicarão que não precisaremos mais de grandes barragens como Belo Monte; implicarão que o poder do concessionário será diluído e distribuído com cada consumidor, no momento em que ele puder gerar e distribuir a própria energia; implicarão até na dispensa total do concessionário. Implicarão que os custos e valores atuais precisão ser revistos, afinal, mais oferta, menores preços. Os ganhos serão muito maiores do que o modelo e a tecnologia atual proporcionam. Ocorrerá desconcentração.

Dadas as tecnologias recentes, esta escala pode ser alcançada de forma bem rápida, se não houver impedimento por parte de governos ou barganhas escusas por parte dos concessionários.

Produção de energia solar no deserto de Omã, no Oriente Médio, para extração do petróleo e gás.

Veja o caso de Omã, onde a energia para a extração de petróleo no campo de Duqum virá da energia solar, previsto para entrar em operação em 2017, numa associação entre a Petroleum Development Oman e a GlassPoint Solar. Nova tecnologia para mover a antiga. É nisto que a Tesla aposta. E é este pensamento que o Grupo Abril, por ora, pretende não apoiar.

Não é sem motivo que eles recebem a pecha de reacionários.


Like what you read? Give Cassius Gonçalves a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.